27 de jun. de 2016

BUSINESS WEEKEND - [P]ARADOX (álbum)


2016
Independente
Nacional

Nota: 8,0/10,0


Músicas:

1. Parmena
2. Nossos Ideais
3. Nada Muda
4. [P]Aradox
5. Haverá Um Amanhecer (Pt. 2)
6. Ações e Palavras
7. Preço à Pagar
8. Interlúdio
9. Me Escute
10. Palavras Ditas
11. Sua Visão
12. Recomeço


Banda:

Ray Phill - Vocais
Júnior Ventura - Guitarras
Nicholas Negreiros - Guitarras
Fábio Kallel - Baixo
Thiago Gomes - Bateria

Contatos:

Island Press (Assessoria de Imprensa)


Texto:  Marcos "Big Daddy" Garcia


Os estilos mais modernos de Metal estão cada vez mais fincando o pé no cenário Metal nacional. Sim, pois cada vez mais, bandas de Progressive Metal, New Metal, Metalcore e outras tendências atuais andam surgindo por aqui. E isso é excelente, mostrando que o Brasil anda perdendo o ranço conservador em termos musicais e buscando se atualizar.

Assim, trabalhos como "[P]Aradox", do quinteto carioca BUSINESS WEEKEND (de Rio das Ostras, Região dos Lagos) mostram o quanto o país tem possibilidades.

A banda se autodenomina Progressive Hardcore, mas é algo que fica entre o Djent Metal e o Metalcore, feito com muito peso, técnica bem acima da média, e muito peso. E é interessante ouvir como conseguem alinhar bem técnica, peso e melodias, sem se enrolarem. E apesar de não serem tão inovadores assim, musicalmente falando, eles mostram uma personalidade forte e a vontade de criar algo diferente do que já existe.

Thiago Gomes (Baterista do grupo) produziu tudo no Gnu Studio, e conseguiu dar aquela caprichada necessária. Sim, tudo soa limpo e intenso, pesado e agressivo, e ambos os aspectos são bem equilibrados. E sem mencionar que souberam escolher os timbres instrumentais muito bem.

A arte gráfica foi feita por Luã Freitas (da ARTHZ), e ficou muito bem essa apresentação mais sombria, toda trabalhada em preto, branco e cinza. E assim, se acasala perfeitamente com a concepção sonora do quinteto.

Explosivo e melodioso, agressivo e intenso, com certa dose de melancolia nas melodias, tudo funciona muito bem em "[P]Aradox", onde vemos que eles não são econômicos em arranjos musicais. Tudo é feito de forma esmerada, mas a música soa bem espontânea. E outro ponto interessante: a banda não cria canções tão longas, o que não nos faz ficar entediados durante a audição.

Melhores momentos:

"Nossos Ideais" - Muita agressividade entremeada por melodias belíssimas, permitindo que a banda mostre com sobriedade o quanto é boa. O contraste de vocais melodiosos e outros mais guturais é muito interessante.

"Nada Muda" - Que belas mudanças de tempos, a técnica é muito boa, e as melodias fazem quase uma referência ao IRON MAIDEN em muitas partes. E que belo trabalho de baixo e bateria!

"[P]Aradox" - Esses caras sabem mesmo criar melodias de primeira! A técnica é uma conseqüência, mas mesmo assim, mostra arranjos bem intrincados de guitarras em vários momentos (acredito que sejam as famosas guitarras de 8 cordas, se meus ouvidos não me enganam).

"Preço à Pagar" - que lindas melodias mais introspectivas. É uma canção que mostra um lado mais sensível, mais melodioso e intenso. E nisso os vocais e backing vocals (ambos limpos) são privilegiados.

"Palavras Ditas" - Riffs de guitarra bem sinuosos deixam claro que a banda sabe pegar pesado, e isso sem mencionar os tempos quebrados que a base rítmica da banda sabe criar.

"Sua Visão" - Apesar de belas melodias, a ênfase é voltada ao aspecto mais Djent do grupo, priorizando riffs pesados e bem trabalhados o tempo todo.

Sim, o grupo tem potencial e futuro, bastando apenas aquela devida chance.

Junto com o RECKONING HOUR e o MAIEUTTICA, o BUSINESS WEEKEND forma uma trinca de peso no Metal moderno do RJ.



GREY WOLF: terceiro full-length da banda, "Glorious Death", está lançado!


O grupo mineiro de true heavy metal GREY WOLF - fundado e liderado pelo baixista e vocalista Fabio "Grey Wolf" Paulinelli - acaba de lançar o seu terceiro álbum full-length, intitulado "Glorious Death". O material está sendo disponibilizado em CD pela Arthorium Records e conta com uma bela e vibrante arte de capa baseada nos quadrinhos fantásticos dos anos 80 e pintada em acrílica pelo ilustrador francês Nicolas Bournay, além de um rico encarte de 16 páginas.

Mesmo apresentando temática similar aos álbuns anteriores, cuja influência principal são as crônicas de Conan, "Glorious Death" deixa transparecer maior maturidade tanto nas composições quanto na produção do álbum, mais caprichada que seus antecessores. A mixagem e a masterização foram realizadas por Arthur Migotto (Hazy Hamlet, Brothers of Sword).

O guitarrista responsável por registrar as composições de Fabio neste álbum foi Chris Maia, da banda Outlaw, e o baterista Weslley "Mulambo" completou a line-up para apresentações ao vivo. Além de Chris, atuaram como músicos convidados Yuri Fulone (de projeto homônimo), gravando os arranjos de teclado e Arthur Migotto (ex-Hazy Hamlet), realizando backings em algumas canções e vocais na faixa "Cimmeria".


Confira o tracklist do disco:

1. Wrath of the Gods (Intro)
2. The Eyes of the Medusa
3. Glorious Death
4. Metal Avenger
5. The Axe Will Rule the Kingdom (King Kull part II)
6. The Barbarian
7. Conan The Liberator
8. Warrior
9. Red Sonja
10. Cimmeria

O disco "Glorious Death" já pode ser adquirido através da banda ou do selo, estará em breve disponível nas principais lojas especializadas do Brasil e será também distribuído por selos e lojas independentes do mundo todo.

Official Fanpage - facebook.com/greywolfmetal
(Site em construção - www.greywolfmetal.com)


MUQUETA NA OREIA: banda anuncia pré-produção de novo disco


Banda é uma das grandes e surpreendentes revelações do cenário do rock/metal nacional – foto: divulgação
Apesar de ainda estar divulgando os elogiados álbuns “Lobisomem em Lua Cheia” (2010) e “Blatta” (2013), a banda MUQUETA NA OREIA, uma das promissoras do atual cenário do rock/metal nacional, já começa a olhar para o futuro e anuncia que está oficialmente compondo material para um novo registro fonográfico.

Enquanto Ramires (vocal/percussão), Bruno Zito (guitarra), Cris (baixo) e Henry (bateria) trabalham em novas composições, o grupo ainda segue agendando shows pelo país. Produtores interessados em contratar a performance do quarteto que estremeceu diversas cidades como São Paulo, Campinas, Salvador, Embu das Artes, Itapecerica da Serra, Taboão da Serra, devem enviar e-mail para press@theultimatemusic.com

Estamos muito animados com este novo material. Temos nos reunimos muito em estúdio, analisamos o que cada um de nós trouxe de melhor e sentimos que algo muito poderoso e pesado está por vir. A ideia é continuar fazendo shows e quem sabe até tocar alguma coisa nova em uma boa oportunidade”, declarou o frontman Ramires.

Com apenas oito anos de carreira, o MUQUETA NA OREIA vem se destacando no cenário da música independente justamente por sua personalidade e atitude explícita ao demonstrar que são um verdadeiro diferencial no mercado fonográfico atual.

Apesar de pouco tempo na estrada, o grupo cresceu, ganhou respeito, firmou seu nome e conquistou uma legião de fãs, principalmente após performances devastadoras e excelentes reviews.

O aumento da popularidade refletiu diretamente no crescimento do número de fãs e na agenda de shows. O reflexo do reconhecimento veio justamente na oportunidade de dividir o palco com nomes consagrados como Korzus, Raimundos, Made in Brazil, Dead Fish, Claustrofobia, Project46, Johnwayne, Olho Seco, entre outros, além de shows como headliner.

Links relacionados:


A/C Costábile Salzano Jr.

​ÚLTIMO SOPRO: banda apresenta o EP "Aurora"


O ​ÚLTIMO SOPRO apresenta seu novo trabalho, em um EP intitulado ''Aurora", resultado do que a banda vem trabalhando nesse último ano. Com riffs intensos e melódicos a banda mescla suas influências resultando em um Post-Hardcore diferenciado. O EP foi gravado, mixado e produzido no Estudio Kolera, em Petrópolis, Rio de Janeiro. 


O resultado são 6 faixas aonde a banda mostra experimentação e diversidade, passando desde do Post-Hardcore, Metalcore ao Hardcore.

O ​ÚLTIMO SOPRO disponibilizou para streaming e download do seu novo trabalho nos links abaixo.


Links para Download:


A/C Sylvia Sussekind e/ou Bruno Moraes

LACERATED AND CARBONIZED: banda fecha endoserment com empresa internacional!


O guitarrista Caio Mendonça é agora um endorsee da AMT-Electronics, a companhia russa reconhecida pelo elevado padrão de qualidade de seus componentes. 

Além do músico, a empresa conta com um time de primeira que inclui Anders Nyström (Katatonia), Andrey Smirnov (U.D.O.), Arkona, entre outros. 

"É gratificante ser reconhecido e ter o apoio da AMT Electronics. Agradeço ao Sergey Kostin pela confiança no meu trabalho e por acreditar no LAC. Será ótimo poder contar com os equipamentos e a tecnologia de ponta da AMT, deixando o meu som ainda mais brutal!", declarou o músico. 


O LACERATED AND CARBONIZED acabou de retornar de uma bem sucedida turnê europeia. A "Condition Red - European Tour" teve 38 datas passando por países como Rússia, Estônia, Letônia, Alemanha, Holanda, Bélgica, Áustria, República Tcheca e Polônia. 

A banda agora volta a se concentrar no lançamento de seu terceiro álbum, intitulado "NARCOHELL", registro produzido por Felipe Eregion, mixado e masterizado pelo renomado Andy Classen (Krisiun, Destruction, Belphegor, Tankard) e que contará com as participações especiais de Mike Hrubovcak (Monstrosity) e Marcus D'Angelo (Claustrofobia). 

Para mais informações, acessem: www.laceratedandcarbonized.com


DEEP PURPLE - LIVE AT LONG BEACH ARENA 1976 (Duplo CD ao vivo)


2016
Nacional

Nota: 9,0/10,0


Músicas:

Disco 1:

1. Intro
2. Burn
3. Lady Luck
4. Getting Tighter
5. Love Child
6. Smoke on the Water/Georgia on My Mind
7. Lazy
8. Homeward Strut

Disco 2:

1. This Time Around
2. Owed to G
3. Guitar Solo Tommy Bolin
4. Stormbringer
5. Highway Star

Bônus (Live in Springfield 1976):

6. Smoke on the Water/Georgia on My Mind
7. Going Down
8. Highway Star


Banda:

David Coverdale - Vocais
Tommy Bolin - Guitarras
Glenn Hughes - Baixo, vocals adicionais
Jon Lord - Teclados
Ian Paice - Bateria


Contatos:



Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


O DEEP PURPLE é uma das bandas que menos necessita de apresentações no mundo do Rock e do Metal. O nome da banda já está consolidado como um dos pilares da criação do estilo, e sua importância não pode ser medida em discos ou palavras. É algo quase que divino.

Mas o que poucos das novas gerações saibam é o quão a trajetória da banda é marcada por brigas homéricas, mudanças de formação e problemas infinitos, que só serão resolvidos nos anos 90, com a entrada do guitarrista Steve Morse, que dará mais tranqüilidade para o quinteto. Mas até ali, são históricos os pega-pra-capar entre Ian Gillan e Ritchie Blackmore, ao mesmo tempo em que o ego do guitarrista não admitia abrir mão de certas situações.

Nos anos 70, mais especificamente, na época da Mark III, o guitarrista estava extremamente descontente com o direcionamento que o DEEP PURPLE estava tomando. Por conta das influências de Funk/Soul de David Coverdale e Glenn Hughes, ele acaba saindo para se dedicar a sua carreira no RAINBOW. Já o DEEP PURPLE não iria jogar a toalha tão cedo, e trouxeram o guitarrista americano Tommy Bolin para cuidar das seis cordas (que já havia tocado com feras como Billy Cobham, MAHAVISHNU ORCHESTRA, JAMES GANG, entre outros). O resultado dessa fusão pode ser ouvido em "Come Taste the Band", mas apesar disso, ouvir a banda ao vivo, para ver como a MK IV, esta formação tão diferente das MK I e MK II, funcionaria. E assim, "Live at Long Beach 1976", lançado no Brasil pela Shinigami Records, responde claramente a esta dúvida.

O Purple mostra-se vivo e revigorado, esbanjando influências mais voltadas ao Soul e ao Blues, mas ainda assim, está bem mais virtuoso, tecnicamente falando. Óbvio que a sonoridade da guitarra de Tommy é diferente da usada por Ritchie, que perde em peso e agressividade, mas ganha em refinamento e elegância. Ao mesmo tempo, as improvisações ao vivo estão aqui, e são uma característica marcante do quinteto nessa época (dê uma ouvidinha em "Getting Tighter", que de pouco mais de três minutos em sua versão de estúdio virou um gigante de 14 minutos, ou "Lazy", que chega a mais de 18 minutos!).

É óbvio também que a banda está muito bem, já que o vício de Tommy em drogas pesadas não estava afetando-o tanto assim, e ele mostra que foi uma boa escolha para substituir Ritchie, que trouxe algo a mais para o Purple. David Coverdale está muito bem com sua voz bluesy e sua comunicação com o público, enquanto Glenn se mostra um baixista de primeira (e que voz maravilhosa). Já os velhos Ian Paice e Jon Lord estão ainda melhores em seus desempenhos do que já costumam ser. E isso torno o disco uma aquisição obrigatória!

Em termos de sonoridade, "Live at Long Beach Arena 1976" tem aquele feeling orgânico e cru dos anos 70, algo óbvio para um disco ao vivo gravado na época. Mas ao mesmo tempo, o trabalho de remasterização feito por Nick Watson merece palmas, já que ele soube deixar tudo com uma sonoridade atualizada, mas sem destruir o que foi feito na época.

Já o lado artístico é todo feito em fotos da época, alguns cartazes e um longo (e importante) depoimento de Geoff Barton (jornalista inglês que fez parte do staff da revista Sounds e depois fundou a Kerrang!) sobre aquela fase do Purple, mostrando que nem mesmo a banda estava feliz em usar o nome DEEP PURPLE sem a figura icônica de Ritchie.

Já musicalmente, pouco é preciso falar do desempenho ao vivo da MK IV: como cada formação do DEEP PURPLE, ela tem suas diferenças e valores. O som mais bluesy agradou ao público, e basta ver como eles mandam bem demais em canções como o hino "Burn" (que ficou ótima, bem fiel à versão original no disco, mas mais comportada do que a ouvida em "Made in Europe" e "Live in London". Glenn não grita tanto, mas em compensação, improvisa bastante no baixo), a ótima "Getting Tighter" (um show de improvisos em seus 14 minutos), a tradicional "Lazy" (que chega a mais de 18 minutos!). Mas em hinos como "Smoke on the Water" e "Highway Star" é onde vemos o quando esta formação tinham potencial, devido às influências diferentes de Glenn e Tommy. E ainda temos "Georgia on My Mind", de Hoagy Carmichael (e eternizada por Ray Charles em uma bela versão), mostrando o quão o quinteto estava imerso no Blues/Soul na época.

No mais, "Live at Long Beach Arena 1976" é um disco ao vivo à moda antiga, e por isso, maravilhoso. 

ABOMINATION WIDE - HYPOCRITES MUST DIE (EP)


2016
Independente
Nacional


Músicas:

1. Kelly is Dead
2. Fight to the End (Warriors)
3. Pedophiles Motherfuckers
4. Hypocrites Must Die
5. Soldier Fire Act (bônus)



Banda:

Paulo Rock Maia - Guitarras, vocais
Emerson Hell Honda - Baixo
Elvis Yulevar - Bateria


Contatos:



Fazer Metal no Brasil nunca foi algo muito simples, verdade seja dita. As dificuldades são enormes, e o retorno, em geral, nunca é plenamente satisfatório. Em raros casos, as bandas possuem algum retorno digno em termos de resposta. E no meio de tiroteios ideológicos/partidários, alguns bons trabalhos vêm surgindo de bandas jovens dentro do nosso underground.

É o caso do grupo ABOMINATION WIDE, que vem de Rio das Ostras, na Região dos Lagos (RJ), que chega com seu primeiro testemunho musical, o Single "Hypocrites Must Die", mostrando-se ser uma bela promessa.

Fazendo um Death/Thrash Metal cru e com boa dose de arranjos musicais, com boas melodias aqui e ali, além de boas mudanças de ritmo. O trabalho da banda em termos de guitarra é muito bom nas bases e nos solos, baixo e bateria formam uma base rítmica bem sólida e de bom nível técnico, e esses vocais mais urrados em timbres normais são muito bons. Sim, a banda tem muito potencial, sendo daquelas que é ouvir e assimilar com facilidade. Lembram bandas como DESTRUCTION e SODOM de seus trabalhos iniciais, em uma música que, se por um lado não é inovadora, tem personalidade e muita energia.

A produção musical ficou bem seca mesmo. Por ser uma banda independente e que busca seu espaço, deve ter sido um processo bem difícil. Apesar de soar um pouco oca, é suficientemente boa para que percebamos que eles têm potencial demais, que só precisam de um produtor a ajudá-los a obter o som que a banda merece.

Mas se percebe com clareza que "Fight to the End (Warriors)" (com boas mudanças de tempo e guitarras de primeira linha nos riffs) e "Kelly is Dead" (cheia de bons momentos mais técnicos de baixo e bateria, outra vez mostrando boas mudanças rítmicas). Em "Pedophiles Motherfuckers", uma faixa muito boa e com guitarras excelentes, além da presença de Marcos Anvitto (do HICSOS) nos vocais.

A banda possui talento inegável, precisa apenas de uns toques melhores na produção, e tudo estará certo.

Ponho fé!


26 de jun. de 2016

SOTO - DIVAK (Álbum)


2016
Nacional

Nota: 8,5/10,0


Músicas:

1. DIVAK
2. Weight of the World
3. FreakShow
4. Paranoia
5. Unblame
6. Cyber Masquerade
7. In My Darkest Hour
8. Forgotten
9. SuckerPunch
10. Time
11. Misfired
12. The Fall from Grace
13. Awakened


Banda:

Jeff Scott Soto - Vocais
Jorge Salan - Guitarras
BJ - Guitarras, teclados
David Z - Baixo
Edu Cominato - Bateria


Contatos:



Existem artistas que parecem picados pelo bicho-carpinteiro, como dizem os mais velhos.

A referência vale para aqueles sujeitos extremamente "workaholic", os viciados em trabalho, e alguns chegam a ser extremos. Mas se de um lado, o músico produz muito, em alguns casos, a qualidade de cada trabalho é em alto nível, onde tudo soa de primeira.

É justamente o caso do vocalista Jeff Scott Soto, conhecido por suas passagens marcantes por YNGWIE MALMSTEEN'S RISING FORCE, AXEL RUDY PELL, TALYSMAN, PANTHER, M.A.R.S., além de empreitadas solo ótimas. Mas sempre se pode esperar o inesperado dele, já que o gosto pessoal de Jeff é bem eclético em termos musicais. E no SOTO, não é diferente, que o diga "Divak", novo disco da banda.

Em termos de música, "Divak" soa como uma continuação de "Inside the Vertigo", de 2015, ou seja, ainda é aquele Metal tradicional moderno, cheio de peso e intensidade. Mas está bem mais eclético em termos de influência, sem contar que o lado técnico também está mais evidente. Sim, já que há certo swing, um groove musical diferente que permeia cada uma das músicas, mas sem deixar que o estilo já delineado pelo disco anterior se perca. E um ponto a ser ressaltado: o quinteto é extremamente talentoso.

Na produção, o próprio Jeff se alia a Edu Cominato (baterista do grupo, brasileiro que chegou a tocar no TEMPESTT) para criar uma sonoridade sólida, pesada e bem gordurosa. Mas ao mesmo tempo, o resultado em termos de clareza é de primeira, logo, fica claro que muito da modernidade sentida é vinda dos timbres modernos e ferozes dos instrumentos.

Em termos de arte, ela ficou muito boa, com um toque que mistura o clássico e o moderno. Ou seja, é um trabalho muito bem feito de Gustavo Sazes (que anda se tornando cada vez mais solicitado por artistas do exterior).

Ótimos refrões, arranjos muito bem feitos, guitarras com bases ricas e solos de primeira, baixo e bateria formando uma base rítmica sólida e bem variada, tudo isso de primeira para que JSS possa mostrar outra faceta belíssima de sua voz única. Ou seja: os vocais não são a único ponto forte de "Divak".

Melhores momentos:

"Weight of the World" - Moderna, cheia de energia, com uma pegada moderna e riffs de primeira linha. E ouçam como o refrão é ótimo, bem como o baixo mostra momentos brilhantes.

"FreakShow" - Sinuosa, ganchuda e empolgante, é rica em arranjos de primeira e com uma bateria de primeira. E novamente o refrão é algo de primeira, isso sem falar nesse groove que nos envolve de cara, sem cartão de visitas.

"Paranoia" - Outra cheia de um perfeito swing, um jeitão bem intenso e guitarras com riffs azedos e intervenções precisas. E como sempre, o refrão mostra aquela capacidade de nos conquistas nas primeiras audições.

"In My Darkest Hour" - Uma linda balada, feita com violões e teclados, fora a bateria estar muito bem. Introspectiva e melodiosa, ela passa longe de ser uma baba, pois é de uma beleza incomum.

"Forgotten" - Outra pauladaça de primeira, que começa como uma balada, ganha peso e possui um refrão excelente, melodioso e que preserva os traços mais introspectivos do início. Mas como é bom ouvir quão bom é o trabalho dessa dupla de guitarras.

"Time" - Mais uma vez, o peso se alia à melodia e a um Groove intenso e provocante, com um andamento um pouco mais cadenciado, o que privilegia o desempenho de baixo e bateria. Mas logo as guitarras dão mais peso, já que a canção ganha uma dose de velocidade e adrenalina.
  
"The Fall from Grace" - Peso e energia brotam dessa faixa ganchuda e cheia de arranjos modernos e pesados.

"Awakened" - Essa já busca ter mais peso e agressividade, mas sem deixa de lado as melodias, algo precioso para Sir JSS. Mas é muito interessante poder ouvir mais uma vez as incursões bem feitas de teclados e o trabalho caprichado de baixo e bateria.

Ah, vão reclamar que não falei do trabalho de Jeff nos vocais em "Divak". Mas respondo com uma pergunta: se faz necessário, com esse que é um dos grandes vocalistas do Metal da atualidade?

Não, chegaria a ser repetitivo ficar citando a interpretação, dicção, forma de postar a voz ou mesmo como ele canta. 

Um grande disco, sem sombra de dúvidas!


Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia




DEATH ANGEL - THE EVIL DIVIDE (Álbum)


2016
Nacional

Nota: 10,0/10,0


Músicas:

1. The Moth
2. Cause for Alarm
3. Lost
4. Father of Lies
5. Hell to Pay
6. It Can't Be This
7. Hatred United/United Hate
8. Breakaway
9. The Electric Cell
10. Let the Pieces Fall


Banda:

Mark Osegueda - Vocais
Rob Cavestany - Guitarras
Ted Aguilar - Guitarras
Damien Sisson - Baixo
Will Carroll - Bateria

Convidados:

Jason Suecof - Solo de guitarra em "Cause for Alarm"
Andreas Kisser - Solo de guitarra em "Hatred United/United Hate"      


Contatos:

Facebook (Oficial)
Facebook (Brasil)


Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


O DEATH ANGEL é, sem sombra de dúvidas, um dos nomes mais conhecidos no Thrash Metal mundial.

Apesar do surgimento arrasador no underground com "The Ultra-Violence", do sucesso como emergente com "Frolic Through the Park" e "Act III", infelizmente parou em 1991, devido à falta de maior sucesso comercial e a um acidente que deixou o ex-batera Andy Galeon mais de um ano parado. Mas após o retorno em 2001, a banda está se mantendo na ativa, sempre sob a tutela de Mark e Rob. E após o excelente "The Dream Calls for Blood", de 2013, lá vem o quinteto com outra pedrada de altíssimo nível, "The Evil Divide", que a dobradinha Shinigami Records/Nuclear Blast Records colocou no mercado nacional.

O ponto mais interessante é: como o quinteto de San Francisco consegue evoluir e manter sua identidade. Sim, "The Evil Divide" carrega todos os elementos mais fortes do Thrash Metal azedo e trabalhado que o quinteto sempre fez, mas apenas com uma sonoridade mais modernizada. É veloz, agressivo, tecnicamente muito bem feito, com melodias preciosas, a crueza que temos em "The Ultra-Violence" e "Frolic Through the Park", apenas com uma gravação limpa.

É bom preparem o pescoço!

A produção é de Jason Suecof (que já havia feito a produção de "The Dream Calls for Blood") em conjunto com Rob Cavestany (guitarrista da banda), e a masterização é de Ted Jensen. Sim, a sonoridade do disco é de alto nível, limpa e moderna, mas sem querer mudar a orientação musical do Thrash furioso do quinteto. E em termo de peso e agressividade, ficou ótima, verdade seja dita.

A arte é um trabalho de Bob Tyrrell (capa) e Mike Pracale (layout), que é bem simples e soturna, privilegiando apenas tons de branco, preto e cinza, e de certa forma, a apresentação ficou soturna. E verdade seja dita: essa arte deixou muitos com os pés atrás em relação ao que o disco poderia conter em termos musicais, mas encaixou bem.

A fórmula do DEATH ANGEL não tem segredos: Vocais furiosos e bem colocados (mas sabendo usar bem dos timbres mais limpos quando necessário, e isso comprova que a atual fase de Mark é esplendorosa), um dueto de guitarras sensacional tanto nos riffs como nos solos (Rob e Ted estão muito bem entrosados, sem contar que a criatividade é enorme), e a cozinha de Damien e Will é pesada e apresenta uma ótima técnica, sem deixar de ter peso. E isso resulta em uma música furiosa, bem arranjada, com belas mudanças de ritmo, e muito peso e bom gosto.

E podem colocar ainda como pontos a serem ressaltados as participações especiais de Jason (o produtor do disco) no solo de guitarra em "Cause for Alarm", e de Andreas Kisser no solo em "Hatred United/United Hate".

No fundo, "The Evil Divide" é um dos melhores discos da banda em todos os pontos.

Melhores momentos do disco, apenas para referência, pois ele é excelente.

"The Moth" - É uma música dinâmica, violenta e com belas intervenções dos vocais limpos em meio aos esganiçados. E as mudanças de ritmo são de primeira, privilegiando bastante o trabalho de baixo e bateria. E isso com um belo Groove permeando a canção.

"Cause for Alarm" - Um Thrashão moderno em muitos aspectos, mas sempre mantendo a personalidade forte do quinteto, inclusive com muitos momentos mais Crossover aqui e ali, devido à simplicidade. Mas como as guitarras são ótimas, bastando reparar na força dos riffs e solos de primeira.

"Lost" - A agressividade cede espaço à introspecção, mostrando como o quinteto é versátil e criativo. Os vocais estão de primeira, mostrando uma interpretação de primeira, algo difícil de ser ouvido no Thrash Metal. E alguns momentos bem técnicos e mais limpos das guitarras são excelentes.

"Father of Lies" - Sabe aquele jeito de se fazer Thrash Metal com os andamentos mais cadenciados, mas com aquele peso absurdo e aquela pegada ganchuda? Pois é, é o que temos aqui, onde baixo e bateria se destacam mais uma vez, fora o trabalho mais técnico das guitarras.

"Hell to Pay" - E então, a velocidade torna a dar as cartas, e esta canção chega a esbarrar bastante na forma de se fazer Thrash Metal à lá anos 80. Como o trabalho das guitarras está de alto nível.

"It Can't Be This" - Um belo dedilhado do baixo dá início a uma música mais arrastada e muito pesada, mas voraz e azeda. A complexidade dos vocais é surpreendente em certos momentos.

"Hatred United/United Hate"- Mais uma vez, a banda lança mão de um andamento que transita entre o lento e o veloz, criando riffs memoráveis, fora os vocais estarem de primeira.

"Breakaway" - Uma introdução bem trabalhada e cheia de Groove, e então, uma faixa mais veloz surge, deixando o fã preso na cadeira devido ao impacto e peso dessa canção. Podemos dizer que mais uma vez é uma música em que o quinteto resgata suas raízes, com belos backing vocals e belas conduções feitas pela bateria (especialmente nos dois bumbos).

"The Electric Cell" - Mais uma vez o baixo mostra seu valor, criando dedilhados ótimos para a evolução das guitarras em seu início, antes de um ataque feroz de guitarras muito bem trabalhadas, que nos leva a agitar a cabeça freneticamente. Mas é bom repararem que existem momentos em que a banda transcende o Thrash Metal, esbarrando com muita força no Thrash Metal moderno (devido ao Groove intenso) e no Metal tradicional (reparem na técnica usada nos solos de guitarra, especialmente nos duetos).

"Let the Pieces Fall" - Outra em que a técnica é bem apurada, e vemos como o grupo consegue atualizar sua forma de fazer música sem perder suas raízes. O trabalho de baixo e bateria é de primeira, sem mencionar que os vocais mudam de timbre de forma majestosa.

Se a sua versão é a importada, termina por aqui. Mas a Shinigami Records nos concede um presente: uma faixa bônus.

"Wasteland" - Aqui, vemos um cover do THE MISSION, banda de Gothic Rock. E a versão do quinteto ficou ótima, com uma maior quantidade de guitarras, e com mais peso, embora Mark tenha optado por vozes mais limpas, mas que encaixaram muito bem (e mostram o quanto ele é versátil nos vocais).

Se repararem, não destaquei faixa alguma. O disco todo é de primeira, não dá para dizer que a banda não caprichou. E merece aplausos por isso.

E nessas horas em que me pergunto: não seria melhor deixar de lado o Big Four e prestar mais atenção nas bandas fora dele?

O Thrash Metal agradece.

Ouçam sem moderação alguma, pois o DEATH ANGEL nos brinda com mais um álbum de primeira!