Fãs podem dar ‘match’ nos perfis da personagem interpretada pela modelo Natiely Borges, que contracena com os integrantes da banda na trama do vídeo. Sucesso da ação resultou em aumento de 30% nos views do clipe, no Youtube.
O novo clipe da banda MATTILHA, Feita Pra Mim, lançado no último dia 27 de agosto, propõe uma série de ações com o público por meio de plataformas digitais. O destaque fica por conta da interatividade via Tinder, na qual os fãs podem simular uma aproximação com a espetacular atriz Natiely Borges, que contracena com os quatro integrantes da banda no clipe.
Cinco perfis da personagem interpretada pela bela loira foram criados no aplicativo multiplataforma, usando como imagens cenas capturadas de trechos do vídeo. No instante em que o usuário dá um ‘match’ na foto, automaticamente uma notificação é enviada como resposta, revelando a participação da personagem no clipe. O envolvimento dos fãs com a banda, diante da interação via Tinder, foi um grande sucesso e resultou em 30% a mais de cliques no vídeo.
Outra ação interativa está inserida no próprio videoclipe, no Youtube (www.youtube.com/mattilharock), pelo qual os fãs podem selecionar quatro novas opções de vídeos extras, ao final da música, e desvendar os mistérios que envolvem os assassinatos dos integrantes da banda mostrados ao longo da trama.
Já no Facebook, a divulgação do novo clipe e a interação com o público não se restringiram apenas à fanpage da banda, como também contaram com o apoio do fenômeno da internet, MC Brinquedo, que se rendeu ao rock visceral da Cachorrada. Confira:http://on.fb.me/1VA6kdg.
Sobre o clipe Feita Pra Mim Feita Pra Mim é a terceira faixa do álbum de estreia da MATTILHA, intitulado Ninguém é Santo (2014). O clipe foi lançado no canal oficial da banda no Youtube, às 16 horas do dia 27 de agosto.
A superprodução ficou a cargo da Pier 66 Films, com direção de Plinio Scambora e Natalia Mecatti, e contou com mais de 30 horas de gravação em diversos pontos de São Paulo que fazem parte da história da banda, como a tradicional Caverna do Mamute e locações na região da Pompeia, berço da banda e de grandes ícones do rock brasileiro, como Mutantes, Tutti Frutti, Made in Brazil, entre outros.
Sobre a MATTILHA
Formada em novembro de 2010, a MATTILHA une elementos e referências do Hard Rock e Rock’n Roll à forte personalidade dos seus integrantes, Gabriel Martins (vocal), Victor Guilherme (Guitarra), Andrews ‘Andy’ Einech (baixo) e Ian Bueno (bateria).
O primeiro álbum, Ninguém é Santo, foi lançado em 2014 e conta com as participações especiais de Paulão de Carvalho, do Velhas Virgens, e Paulo Coruja, da Cracker Blues. O single Noites no Bar, última faixa do disco, tocou pelos quatro cantos do Brasil e fez parte das programações das principais rádios, entre elas, A Rádio Rock e Kiss FM. Recentemente, a banda lançou uma versão acústica da música Sem Hora Marcada com participação do lendário guitarrista Luiz Carlini (Tutti Frutti) e alcançou destaque em playlists do Spotify.
Neste ano, a MATTILHA trabalhou na divulgação do álbum realizando shows importantes, como o festival Roça N´Roll (Varginha-MG) e o aniversário da cidade de São Paulo, no antigo Hospital Matarazzo. Atualmente, a banda continua em turnê pelo país e já está em processo de composição para o novo álbum.
Depois de mais de 20 anos de história, a banda SAINT SPIRIT anuncia mais uma pausa em sua carreira (a primeira tinha sido entre os anos de 1998 e 2001).
Em uma postagem na fanpage oficial da banda o vocalista/baterista e membro fundador Rodrigo Bizoro discorre sobre o motivo dessa pausa e deixa claro que uma volta as atividades não está descartada.
Confira o depoimento na integra abaixo:
"Olá amigos!
Aqui quem fala é Bizoro, batera e vocal do SAINT SPIRIT.
Gostaria de comunicar aos amigos que nos acompanham que a banda irá entrar num hiato de atividades a partir de setembro, se estendendo a princípio até começo de dezembro. As pessoas mais próximas da banda já sabiam dessa informação e na verdade nunca tratamos como segredo, apenas deixamos para anunciar quando estivesse próximo do fato em si.
Não existe nenhum problema interno na banda. Muito pelo contrário, está tudo bem entre nós 3.
O fato é que como qualquer músico de banda underground, nós temos nossas atividades profissionais extra banda, caso contrário morreríamos de fome. Eu sou militar da Força Aérea e irei fazer um curso de carreira em Belo Horizonte durante esse período. Simples, é só isso!
Após esse curso ainda não sei qual será meu destino. Caso eu permaneça no RJ a banda deve continuar. Caso contrário, deixaremos para resolver quando for oportuno. Não adianta sofrer por antecipação.
"Mea Culpa", nosso 5º álbum, está ae! Conseguimos fazer bons shows de divulgação nesse primeiro semestre. Estava em nosso planos lançar um video clip nesse período, mas paralelo à banda houve muita correria em nossas vidas, principalmente na minha, o que acabou inviabilizando esse projeto. Mas não morreu!
Nesse período de hiato, na medida do possível vou continuar movimentando a página e manter a lojinha funcionando.
Vamos tentar também nesse tempo soltar algumas coisas legais para vcs!
O TAMUYA THRASH TRIBE anuncia que seu primeiro full lenght, “The Last Of The Guaranis” será lançado com um disco adicional, que será nada menos que a inclusão do primeiro EP da banda, “United”, remixado e remasterizado. A banda regravou o baixo e a bateria com os integrantes atuais e, além disso, vai incluir duas músicas acústicas que serão escolhidas durante o processo.
Portanto, “The Last Of The Guaranis” terá uma edição dupla limitada, com uma embalagem diferenciada. Prato cheio para os colecionadores!
A banda está trabalhando a todo vapor, e a previsão do lançamento é para o comecinho de 2016.
Nos próximos dias serão divulgados alguns vídeos (studio sessions) das gravações.
O TTT estará em SP nos dias 18, 19 e 20, participando da tradicional Expomusic, visitando os stands dos patrocinadores da banda – será uma das pouquíssimas pausas na produção do disco.
O TAMUYA THRASH TRIBE é formado por Luciano Vassan (guitarra e vocal), Leonardo Emmanoel (guitarra), JP Mugrabi (baixo) e Bruno Rabello (bateria).
Acompanhe o TAMUYA THRASH TRIBE nas redes sociais:
Rick Altzi e Roland Grapow, respectivamente vocalista e guitarrista da banda alemã de Heavy Metal MASTERPLAN convidam todos os headbangers para show que será realizado no dia 17 de outubro no bar da Montanha em Limeira cujo evento contará com abertura da banda Steel Tormentor (Helloween cover).
A vídeo chamada pode ser conferida abaixo:
Os ingressos para o evento estão disponíveis à venda via internet:
É incrível como, cada vez mais, o Nordeste do Brasil está produzindo bandas de qualidade.
Sim, a região, que era conhecida por seu orgulho de sonoridades extremas ou old school, parece estar sofrendo mutações e gerando bandas diferenciada. Já temos de lá ótimos nomes como o SYMPHERIUM, e o FROZEN FROST, que chega com seu primeiro trabalho, "From Here to Eternity".
Vindos de Olinda (PE), vemos que a banda tem um trabalho musical que é meio difícil de rotular além de "Metal experimental", pois é cadenciado, intenso e climático, mas usa também aspectos Death Metal mais sinfônico, mais experimentalismos, passagens limpas bem colocadas e muita personalidade, o grupo mostra a que vem. Se permitem a este autor, vemos uma banda que junta tantas influências que poderíamos dizer que é como se um ANATHEMA mais pesado e agressivo se encontrasse com CELTIC FROST da época mais experimental do "Into the Pandemonium" (mas sem ser tão eclético como este último). E meus caros, isso é algo a ser recebido de braços e ouvidos abertos.
Frozen Frost
A sonoridade do CD é boa, mas poderia ser melhor. Óbvio que todos os instrumentos estão claros e bem audíveis, com boa dose de peso, mas a qualidade como um todo não está à altura da música que executam. Alguns timbres instrumentais poderiam ter sido mais bem escolhidos, mas nada que tire o brilho do trabalho do grupo. E o lado gráfico é simples, mas muito bem planejado.
Bons arranjos, músicas que realmente fogem de padrões estéticos já bolorentos, muita criatividade, e inclusive uso de flautas... Sinceramente, é quase que uma honra poder resenhar um disco assim, tão versátil dentro do Metal.
Embora o disco seja todo muito bom, é preciso ressaltar o trabalho da banda em canções como a brutal "Lake of Fools" (introduzida por belos teclados, mas que logo ganha peso e agressividade, mesmo uma levada Thrash Metal muito interessante. E reparem bem no uso dinâmico de vocais), a bela e longa "From Here to Eternity" (aqui, surgem algumas influências de Doom Metal excelentes, com arranjos de guitarras limpos e lindos vocais femininos), a também mais climática e pesada "Desolate", a mais agressiva e ríspida "Frozen Feelings" (o instrumental é bem bruto, e os vocais femininos limpos quase beiram uma narrativa mórbida e soturna. Mas veja como os riffs são ótimos, e o solo é bem agressivo), e a linda e tétrica "Requiem to the Sun".
É de bandas assim que o Brasil e o mundo precisam: de quem queira quebrar as regras e iniciar novas. E vendo que o FROZEN FROST foi fundado ano passado nos deixa ainda mais pasmos, justamente pela maturidade musical que o grupo apresenta em tão pouco tempo!
Ponho fé, e creio que se tornarão um nome bem forte no cenário.
Quanto mais tempo uma banda vive, maior a ansiedade por seus trabalhos. E imagine isso com dois fatores adicionais:
01. Alguns trabalhos estão aquém de seu potencial real;
02. Uma banda que ajudou a consolidar um gênero dentro do Metal;
03. O ano de 2015 vem sendo bem produtivo para bandas já consagradas.
Certamente, isso causa uma pressão enorme na cabeça de qualquer um, mesmo que a banda tem história. Mas quem é rei não perde a majestade, e o SLAYER não iria perder sua força assim. E "Repentless", seu novo disco, chega em uma hora realmente providencial.
O quarteto californiano, como todos sabemos, é um dos pilares do Thrash Metal (além de ser uma das fontes de inspiração para o Death Metal e o Black Metal), sofreu problemas extremos desde que lançaram em 2009 "World Tainted Blood", seu último disco de estúdio. A seqüência de discos que ficaram longe de sua melhor fase (compreendida entre "Show No Mercy" de 1984 até "Seasons in the Abyss", de 1990), e em 2013 a saída traumática de Dave Lombardo em fevereiro e a morte trágica de Jeff Hanneman em maio, a mudança de selo, somados à musicas do álbum liberadas antes de seu lançamento (algumas causaram muito descontentamento nos fãs) realmente foi colocou "Repentless" sob olhares de desconfiança. Mas para quem conhece o quarteto de longa data, sabe que eles sempre conseguem nos surpreender quando querem. E conseguiram!
Se não estão tão bem como em sua fase mais criativa (já citada acima), Tom Araya, Kerry King (que escreveu grande parte das músicas sozinho), junto com o regresso Paul Bostaph e Gary Holt (guitarrista do EXODUS), conseguiram em fim criar algo realmente excelente, ainda destrutivo e agressivo, mas sempre com aquele bom gosto e melodias estruturando cada canção. E a identidade do SLAYER continua ali, firme, forte e extremante selvagem! Preparem os pescoços!
Terry Date e Greg Fidelman trabalharam muito bem na produção do álbum, recuperando algo que andava ausente da sonoridade do grupo. O equilíbrio sonoro entre a agressividade e peso da banda em relação à uma qualidade que nos permita compreender o que a banda está tocando está ótima. Até os timbres das guitarras melhorou demais. E a arte, feita pelo designer brasileiro Marcelo Vasco é quase que um "comeback" às obras usadas nas capas de "Reign in Blood", "South of Heaven" e "Season in the Abyss".
Slayer
No geral, o SLAYER soube recobrar elementos de "Seasons in the Abyss" (onde a banda finalmente havia conseguido, na época, equilibrar todos os elementos de seu estilo pessoal), mantendo a agressividade vista em "God Hate Us All". Não está tão fácil de digerir e assimilar quanto antes (não há uma faixa realmente marcante, um hit, em todo disco), mas está bem melhor do que a banda anda fazendo há uns dez anos, com arranjos bem mais bem feitos. Realmente, a saída de Rick Rubin (o superestimado produtor) fez muito bem ao quarteto.
O disco se nivela por cima, embora existam faixas que pouco contribuam para melhorar a qualidade do CD (como "When the Stillness Comes"), mas nada que pedradas como as velozes "Repentless" (as guitarras estão insanas em riffs absurdos, e tom continua se mostrando um vocalista privilegiado e com um timbre bem pessoal de voz. E que duetos de solos!) e "Take Control" (embora esta seja recheada de momentos não tão velozes, mas com Paul mostrando que é um excelente baterista), a mais cadenciada e azeda "Chasing Death" (novamente com um show de bateria e Tom cantando em ótima forma, usando bem seus timbres agudos e graves), a também cadenciada mas bruta "Piano Wire" (uma das últimas contribuições de Jeff, com um andamento lento e azedo no inicio, depois dá uma acelerada não muito exagerada, mas na média, lembra os momentos mais densos de "Seasons in the Abyss". E não é por um acaso que os riffs e solos são insanos), a destruidora de tímpanos conhecida como "You Against You".
Verdade seja dita: assim como IRON MAIDEN com "The Book of Souls" e o MOTÖRHEAD com "Bad Magic", "Repentless" mostra que o SLAYER ainda tem muita lenha para queimar, muito o que dar, mas é preciso que a banda aça logo duas coisas:
01. Efetivar de uma vez Gary Holt como membro da banda (uma vez que foi creditado como músico convidado);
02. NUNCA MAIS deixar Rick Rubin chegar perto da mesa de controle ou da produção da banda.
Fora isso, é uma ótima homenagem a Jeff, e sejam bem vindos de volta!
A banda carioca SYREN já é uma velha conhecida dos headbangers brasileiros que apreciam um bom Heavy Metal tradicional.
Guitarras com riffs pesados e agressivos, além de solos melodiosos. Baixo e bateria formando uma base pesada ora simples, ora mais rebuscada. E um dos melhores vocalistas do gênero. Esta é a fórmula da Locomotiva Heavy Metal conhecida por SYREN, que foi mostrada no ótimo "Heavy Metal", de 2011. Mas com "Motordevil", a banda mostrou-se renovada, seja na formação, seja na musicalidade, que ficou mais moderna e agressiva que antes.
Aproveitando o bom momento, onde shows e mais shows ocorrem, além da entrada do guitarrista Leandro Carvalho, fomos bater um papinho com os Brazilian Metal Bastards e ver as novidades, bem como saber um pouquinho do passado.
Da esquerda para a direita: Julio, Leandro, Luiz, Maurício
BD: Antes de tudo, quero agradecer demais pela entrevista. A primeira pergunta é: o que ocorreu com a banda entre o lançamento de "Heavy Metal" e a chegada de "Motordevil"? Inclusive, a formação que gravou "Heavy Metal" toda saiu, menos o Luiz (vocalista). O que causou toda essa evasão?
Luiz Syren: Muito obrigado pela oportunidade de falarmos com nossos amigos (fãs) que nos apoiam tanto e obrigado a você por manter a bandeira da música pesada hasteada no topo.
Bem, você ter uma banda como prioridade na sua vida em um lugar como o Brasil é uma das tarefas mais complicadas que existe, a manutenção é cara, o investimento é alto para um retorno ínfimo a curto ou médio prazo, conclusão : Só os loucos com visão permanecem nessa estrada louca.
A formação que gravou o "Heavy Metal" não foi a mesma que saiu em tour e eu só tenho a agradecer ao Marcos Kult (COLDBLOOD), D. Arrawn (COLDBLOOD), B. Arrawn e Guilherme De Siervi (SKYRYON, OMEGA BLAST) por fazerem parte dessa família chamada SYREN. Todos tinham suas bandas e projetos, apenas retornaram para eles, permanecendo apenas eu e o Bruno Coe na banda. Hoje posso afirmar que temos uma formação sólida e focada em fazer e levar muito barulho da SYREN para todos vocês.
BD: Outra: o que causou essa demora entre os dois discos? Foram as mudanças de formação ou algo mais?
Júlio Martins: Tínhamos um contrato com uma gravadora americana para relançar o "Heavy Metal" e o "Motordevil". Esse contrato foi assinado antes mesmo de gravarmos o "Motordevil", em 2013, o que fez o disco ser finalizado em tempo recorde! Tudo feito em um período de 1 mês, por causa de prazos impostos por essa gravadora para o lançamento do CD. Daí o prazo foi sendo prorrogado. Foram passadas para nós umas 4 datas de lançamento nessa janela de 2 anos entre os dois discos, e nada. Então finalmente, após esse tempo todo, a gravadora abriu mão de lançar o "Motordevil" e liberou o disco. Foi aí que surgiu o interesse da Shinigami Records de fazer o lançamento.
Luiz: O engraçado foi que a gravadora americana (assim como várias pelo mundo) tinha um medo enorme de fazer negócios com brasileiros por nossa famosa falta de comprometimento ou de cumprir prazos e etc. e os próprios fizeram justamente o que mais temiam.
BD: Olhando em perspectiva, vemos que a diferença entre "Heavy Metal" e "Motordevil" é gritante. O primeiro, apesar de soar pesado e moderno, não chega a ter toda a agressividade do segundo. O que houve que "Motordevil" saiu tão agressivo assim? Não que eu esteja me queixando, acho-o ótimo.
Julio: Principalmente a formação da banda. O baterista e os guitarristas que gravaram o "Heavy Metal" eram outros, com outras influências. E creio que uma galera mais das antigas. A minha entrada e a do Guilherme, acabou trazendo mais modernidade ao som, pelas nossas influencias de bandas mais atuais. Todos nós sempre tivemos um pezinho no Thrash! Adoramos o estilo! E na época, estávamos escutando bastante coisa nesse meio do Thrash e Death Metal. Temos várias bandas amigas que estavam lançando discos fodas nesse nicho, e isso acabou influenciando um pouco na pegada do "Motordevil" também. E acho que podemos dizer que nesses últimos anos, essa "agressividade" vem aumentando bastante nos novos lançamentos dentro do estilo em geral.
BD: Ainda falando de "Motordevil": um dos pontos mais legais da produção é que ela deu a clara impressão de que a banda está tocando ao vivo. Sim, eu mesmo comprovei isso quando tocaram em 16/01/2015 com o DREADNOX e o STATIK MAJIK. Era a intenção da banda, quando estava gravando, buscar essa fidelidade ao som mais visceral de seus shows ao vivo?
Maurício Martins: A intenção da banda era que o disco soasse o mais orgânico possível. O que isso quer dizer? Quer dizer que as músicas fluem naturalmente, sem a necessidade de se inserir elementos que, mesmo enriquecendo a música gravada, poderiam acabar impactando na versão final, ao vivo. É interessante, porque uma música gravada fiel ao que é tocado ao vivo aumenta muito a identidade do público com aquela composição, o que aproxima de maneira geral, o público da banda.
Luiz: Desde a Demo, eu sempre lutei pelo som orgânico e fico feliz por você ter percebido isso, particularmente não gosto das bandas que processam demais o sem som final, a idéia é colocar o ouvinte dentro do estúdio com a banda ou em um show com o som e a vibe. Fazer esse mix é muito complicado hoje em dia, para não soar nem datado e nem moderno demais em termos de mixagem. O Alexandre fez um trabalho maravilhoso no "Heavy Metal", mas Bruno Coe conseguiu captar toda a essência do som que tinha na minha cabeça insana no "Motordevil"... ahhaha
BD: Aliás, esse show foi insano, pois poucos dias após Guilherme (ex-guitarrista) sair da banda, veio o Metal Inc, e tocaram com o Carlos Losch. E eu jurava que ele seria o novo homem das seis cordas. Mas no final, Leandro (ex-UNLIVER, PAINSIDE) quem ficou na vaga. Como foi todo esse processo até ele entrar na banda? E como tem sido a convivência, os shows, os ensaios com ele? Aliás, parabéns: mais um ótimo guitarrista no SYREN.
Maurício: Pois é! Quando o Guilherme saiu da banda, houve um breve momento de tensão, em que nos perguntamos: “Porra, quem vai conseguir tirar 9 músicas em 1 semana?!”. Eis que Luiz surge com a resposta ideal: Carlos Lösch. O cara não só tirou as 9 músicas (muitas das quais ele sequer tinha escutado na vida), como fez um show monstruoso ao nosso lado. O Carlão, no entanto, sempre deixou claro que era tudo temporário, respeitamos muito isso... afinal, o cara tem dezenas de outros projetos, que demandam muito tempo. O Leandro entrou durante os ensaios para o segundo show do ano, fazendo uma parceria com o Carlão. O cara tem uma mão de pedreiro! Os riffs soam absurdos na mão do Leandro, destruição pura! A cara da banda, rsrsrsrs... Além disso, o cara é amigo antigo da banda, o que facilita demais a formação convivência de toda a banda. Bastaram dois shows e o cara conquistou a gente, assumindo de vez a guita da SYREN.
BD: Já que falamos de guitarristas, em "Heavy Metal" a banda tinha uma dupla, mas depois, ficou só um guitarrista. O que motivou essa mudança? E isso não chega a ser um fator que acaba limitando um pouco o som do SYREN em certos aspectos?
Maurício: Limita como? Nós não temos a pretensão de que a sonoridade da banda ao vivo seja exatamente igual à do CD. O show é um momento ímpar, no qual a música que você toca mexe não com o lado musical do ouvinte, mas com a parte do feeling. Isso quer dizer que a interpretação ao vivo deve ser perfeita, sendo até mais importante que a execução. Existem momentos chave nas músicas que devem ser feitos precisamente iguais ao CD, lógico, mas quando se cria um bom arranjo instrumental, a música soa de maneira perfeita. A mudança para apenas um guitarrista foi uma coisa natural, que aconteceu durante o período que Guilherme tocou com a gente. Um novo momento está amadurecendo, de repente ele nos trará surpresas em breve!
Luiz: Um guitarrista incomoda muita genteeee (risos e mais risos)... Dois guitarristas incomodam , incomodam muito maissssss !!! ahahhahah (e mais risos)
O Guilherme sempre reclamava por nós mantermos apenas uma guitar para o "Motordevil", mas, estávamos traumatizados com o número de mudanças de formação e preferimos manter a banda como um quarteto, isso seria de forma passageira como sempre colocamos... Aguardem novos capítulos...
BD: Voltando a falar de "Motordevil", a capa é bem legal. O trabalho de Antonio Cesar da (da Not.A.Pipe) é ótimo. Mas como chegaram até a capa? Ele apresentou um desenho ou vocês mesmos deram a idéia do que desejavam?
Julio: Acho que fazer a capa do "Motordevil" foi mais complicado do que compor e gravar o disco em si (risos)! Estávamos entre dois nomes para o disco inicialmente: "Fighter" ou "Motordevil". Optamos por "Fighter"! Então começamos a trabalhar em uma capa para o disco com o Antônio, visando esse título e esse conceito. Por influência da gravadora americana, com quem tínhamos contrato, mudamos o nome para a outra opção, "Motordevil" e mudamos o rumo da concepção da capa. Fizemos uma primeira versão. Era bem brutal! Mas por sugestão da gravadora, novamente fomos moldando a arte até chegar ao que é hoje se encaixar nos "padrões ideais" para o lançamento. Mas a ideia sempre foi fazer uma capa desenhada a mão, para fugir um pouco dessas artes de hoje, que são todas muito parecidas! E o Antônio fez uma arte incrível! Da vontade de mandar fazer um quadro com a arte e colocar na parede (risos)!
Luiz: Lembro que fiquei uns quase três dias sem dormir com o Antônio e seu sócio, a banda e o dono da gravadora simultaneamente enviando mensagens a cada mudança na capa mesmo que mínima, ao final eu simplesmente desmaiei em frente ao computador, e isso foi sério.
BD: E as letras? Quais seriam os temas mais centrais que usam? E de onde surgem as idéias?
Luiz: As letras desde o primeiro álbum seguem a mesma temáticas, somos pessoas positivas, achamos que tudo é responsabilidade sua, se está na m. a culpa é sua, se está muito bem na vida isso também é culpa sua. O objetivo das mensagens nas letras é que você pode mudar o seu meio ambiente independente do que acontece de ruim ao seu redor, e também exploramos algumas vezes o lado escritor e historiador do Bruno Coe (baixista) onde ele relata acontecimentos que marcaram as pessoas em determinado tempo da história.
BD: "Motordevil" tem tido uma recepção muito boa da crítica, mas e em termos de público? O que as pessoas estão achando do SYREN e das músicas novas nos shows?
Maurício: O público tem dado um retorno espetacular!! O pessoal sempre manda mensagens elogiando, falando as músicas favoritas, muito legal! Esta boa receptividade é muito importante para a gente, motiva demais. Afinal, que banda que não tem aquele receio de ter um disco mal recebido pelos mais importantes críticos, que são os fãs?
Quanto às músicas tocadas nos shows, a galera se amarra em peso. E o "Motordevil" tem isso de sobra! Isso, somado à uma boa execução e bons arranjos, torna a música muito atraente ao público. Temos ouvido opiniões muito motivantes com relação às apresentações da banda!
BD: Vocês já liberaram duas músicas de "Motordevil" para a audição, que foram "My Shadow, My Friend" em um lyric video, e "Eyes of Anger" no Soundcloud. Há a expectativa do lançamento de um vídeo oficial? E se já existe algo em andamento, poderia nos adiantar informações?
Maurício: Sim, estamos avançados no projeto de lançar um vídeo oficial de uma das faixas do "Motordevil". Por razões óbvias, não vamos revelar a faixa, mas ela foi escolhida baseada na opinião pública, ou seja, na música que nos mostrou ter maior repercussão. Nos parece muito claro que todos querem ver um vídeo daquela faixa pela qual têm mais identidade.
BD: Desde 2014, vocês fazem parte do rooster da Metal Media. E de lá para cá, o SYREN tem crescido bastante. Acreditam que parte desse crescimento vem como fruto dessa parceria?
Maurício: O Rodrigo e a Débora são tudo o que precisávamos para a divulgação do nosso material. O quanto eles trabalham, sugerem ideias, batalham diariamente por nós é indescritível. Em tempos atuais, nos quais se vê muita gente trabalhando mal e apelando para a concorrência desleal, encontrar uma parceria honesta como essa nos dá uma firmeza muito grande para continuarmos nosso trabalho. Certamente, muito do material que tem sido gerado atualmente se deve demais a esses dois, e por isso somos eternamente gratos.
Luiz: Acredito muito nisso. Trabalhei com algumas assessorias e posso afirmar que a Metal Media foi a perfeita para nós e para divulgação do nosso trabalho, e no fim além de trabalhar com ótimos profissionais com pés no chão ainda ganhei um ótimo amigo na figura do Rodrigo e sua esposa Débora. Agradeço a paciência e competência dessa dupla para conosco.
BD: E shows? Vemos que estão à toda, com apresentações como o Metal Inc, depois no Unmasked Brains Festival, abertura para Paul Di'Anno... Já está na hora da Locomotiva Heavy Metal entrar nos rumos em direção a SP, MG e outros cantos...
Maurício: Estamos negociando várias datas ainda para este fim de ano. Devemos começar a estender em breve a divulgação do "Motordevil" para outros estados e países, assim como fizemos com o "Heavy Metal". O fechamento de novas datas depende de muitas coisas, como a consolidação de parcerias em outras praças. Todos que estão no meio sabem como é enjoado caminhar como banda independente neste país, não há nenhum incentivo, público ou privado, havendo a necessidade de a própria banda ou o produtor arcar com os custos básicos de viagem. Mas felizmente somos uma banda afortunada.Em breve teremos muitas datas para a galera!
Metal Inc: SYREN com Carlos Losch e as meninas do grupo de Pole Dance Studio Anna Bia.
BD: Uma notícia recente de vocês fala de um show acústico de vocês. Sei que a idéia é nova, mas como ela surgiu? E mesmo já sabendo que serão lançadas em vídeo, existe alguma possibilidade de virar mais um EP da banda? Se não, a idéia está dada! (Risos)
Maurício: A ideia surgiu na verdade durante um ensaio, ainda quando tocávamos somente com o Carlão. Tocamos uma música em um formato um pouco diferente, mais leve, apenas de brincadeira. Gostamos do resultado e pensamos em dar uma investida. Selecionamos quatro músicas para gravações acústicas, que estarão sendo disponibilizadas nas próximas semanas. A ideia do EP já foi ventilada e é possível que se concretize, mas a ideia ainda precisa amadurecer muito!
BD: Bem, vamos encerrando por aqui. Mais uma vez, agradeço demais pela entrevista, e por favor, deixem a mensagem da banda aos seus fãs.
Queremos agradecer a cada um que comprou e compra o nosso merchand (CDs, camisas, cerveja, etc ), que comparece em grandes números nos shows que participamos, cada um que ajuda compartilhando ou simplesmente falando da SYREN com os amigos ou em suas redes sociais e a inspiração que vocês nos dão para manter essa locomotiva barulhenta nos trilhos.
Banda japonesa vem ao Brasil pela primeira vez em 15 anos de carreira – foto: divulgação
Após 15 anos de estrada, a banda japonesa MONO finalmente irá desembarcar no Brasil para show inédito e exclusivo no Overload Music Fest, evento que acontece neste sábado (05/09) e domingo (06/09), na Via Marquês, em São Paulo, e traz o melhor da música alternativa mundial ao Brasil.
Considerado um dos maiores nomes do Post Rock, Takaakira 'Taka' Goto (guitarra), Tamaki (baixo/piano), Yoda (guitarra) e Yasunori Takada (bateria) já mandaram avisar que vão roubar a cena e proporcionar um dos melhores shows do festival.
Em entrevista exclusiva ao site Contra Corrente, o líder Takaakira 'Taka' Goto declarou que o cultuado quarteto japonês está muito animado em visitar a América do Sul pela primeira vez. “Esperamos poder compartilhar algo realmente especial com a nossa música, algo que as pessoas nunca sentiram antes. Já recebemos muitas mensagens do Brasil e da América do Sul. Por isso, mal podemos esperar para ver os fãs”.
Veja abaixo a ordem das exibições e horários do Overload Music Fest 2015:
Apesar da grande procura, os fãs ainda podem garantir presença adquirindo os ingressos disponíveis no site do Clube do Ingresso (www.clubedoingresso.com – parcelado em até 6 vezes) e pontos de venda autorizados. Mais informações no serviço abaixo.
Banda confirmada na edição desse ano do Rock in Rio, a JOHN WAYNE prepara-se para outra grande apresentação nesse mês: a de seu novo álbum, “Dois Lados – Parte I”. Primeiro a ser lançado pela Deck, o novo trabalho chega em formato digital e físico no dia 11 de setembro. Enquanto esse dia não chega, a banda disponibiliza o lyric video da inédita ‘Quatro Velas’.
O vídeo disponibilizado no YouTube, foi produzido pela MB filmes, que surpreende. “Neste lyric a intenção foi trabalhar com arte conceitual, diferentemente de outros vídeos do gênero, normalmente feitos com banco de imagens. A linguagem não deixa de ser um desafio, porque temos três minutos de movimento para uma única arte, que é a capa do disco. Recortamos em camadas e posicionamos em espaços 3D, animando com a câmera virtual de modo que ela passeasse pelas ilustrações”- esclarece Marcelo Borelli, diretor do trabalho. A música fala sobre a vida e seus desafios e, como as demais do álbum, é de autoria do guitarrista Rogerio Torres.
A música faz parte do super elogiado disco de estreia da banda, "Involution"
De uma banda conhecida das noites paulistanas, o PRIMATOR rapidamente tornou-se um dos principais expoentes do heavy metal tradicional contemporâneo.
Tudo devido a qualidade e a resposta positiva ao disco de estreia da banda, "Involution".
O álbum foi lançado em março e desde então tem sido bastante comentado entre rodas de metalheads por todo país. Em resenhas na imprensa especializada, "Involution" já coleciona dezenas de declarações positivas como: "Um dos melhores trabalhos lançados até o momento no Brasil" (Heavy N Roll); "Poderosa, criativa, técnica e cheia de conteúdo" (Dossiê do Rock); "Transpira autenticidade" (Blog Na Mira); "Mais um álbum para a lista de grandes lançamentos nacionais de 2015" (A Música Continua a Mesma); "Ótimo registro de estreia" (Mundo Metal); "Extremamente bem feito!" (Música e Cinema); "Muito bom!" (Arte Metal); "Uma das melhores bandas de Heavy metal que nós escutamos na atualidade" (Resenha do Rock).
E quando uma banda é boa de verdade, ela consegue conquistar até mesmo aqueles que a influenciaram, como é o caso do vocalista Mario Linhares, do Dark Avenger, que já foi anunciado como produtor do próximo álbum do PRIMATOR. "O PRIMATOR é uma grande descoberta do metal nacional", declarou recentemente o próprio Linhares.
Embora Rodrigo Sinopoli (vocal), Márcio Dassié (guitarra), Diego Lima (guitarra), André dos Anjos (baixo) e Lucas Assunção (bateria) já estejam trabalhando nas composições para seu próximo álbum - que inclusive trará uma música escrita por Mario Linhares - o momento ainda é de continuar divulgando "Involution".
Baseado nisso, a banda então lança um novo videoclipe, dessa vez para a música "Black Tormentor".
Filmado numa das salas do Estúdio GR em São Paulo - onde "Involution" foi gravado -, o videoclipe "Black Tormentor" foi dirigido por Daniel de Sá, que já havia trabalhado com a banda no vídeo anterior de "Face The Death" e que também assinou a produção do álbum.
O videoclipe "Black Tormentor" estreou na TV no último sábado, dia 29 de Agosto, durante a nova edição do programa Stay Heavy e agora também já está disponível no canal oficial da banda no Youtube:
A edição de setembro da revista Roadie Crew (#200), que estará nas bancas até o dia 10, traz um especial sobre bateria. Para esta edição comemorativa, a missão que a redação passou para os mais de 200 votantes (bateristas, jornalistas, radialistas, produtores e personalidades em geral) era a seguinte: cada um deveria listar os seus dez bateristas de Heavy Rock preferidos. O resultado destaca os 50 estrangeiros mais bem votados e o Top 10 dos bateras brasileiros. "Foi uma grande satisfação produzirmos esse material para prestar homenagem aos bateristas. O que nossa equipe escreveu para enaltecer o trabalho desses heróis talvez ainda não seja suficiente para fazer justiça plena ao brilho que eles acrescentam ao som do Rock, mas tudo o que exprimimos aqui foi sincero", diz o editor Airton Diniz.
Ed. #200 (setembro, 2015) - entrevistas:
Ringo Starr
Bill Ward
Marky Ramone
Matt Sorum
Keith Moon (in memoriam)
Iggor Cavalera
Eloy Casagrande
Aquiles Priester
Seções:
Cenário: Percussion Show, Ivan Busic, Bruno Valverde, Marcelo Moreira, Sergio Facci e Dirk Verbeuren (Soilwork)
Eternal Idols: A.J. Pero (Twisted Sister)
Blind Ear: Paulo Zinner
Collection: Mike Portnoy
Playlist: Vinny Appice
Profile: Rolando Castello Junior
Artigos: 'Intros' marcantes de batera (por Amilcar Christófaro), Quando a bateria virou espetáculo (por Aquiles Priester) e Escândalos protagonizados por bateras
Dream team é uma das atrações do maior festival de Rock do Mundo – foto: divulgação
Enquanto para algumas bandas tocar no Rock in Rio é o auge de uma carreira para o ABOUT 2 CRASH, mais novo dream team do metal nacional, é sinônimo de uma responsabilidade ainda maior.
O supergrupo formando por Aquiles Priester (Primal Fear, Angra, Hangar), o ilustre baixista Luis Mariutti (Angra, Shaman, Andre Matos), o exímio guitarrista Bill Hudson (Circle II Circle, Jon Oliva, Zak Stevens), Theo Vieira (vocalista – Hard Rocket), Anderson Carlos (guitarrista – Holy Sagga, Hard Rocket) e Vinicius Neves (DJ/vocal – Stay Heavy) faz apresentação de estreia justamente no maior festival do mundo. O show acontece, no próximo dia 24 de setembro, no Rock Street Brasil.
Em entrevista ao site Brazilian metal, Vinicius Neves declarou que há uma expectativa enorme, mas que a banda está tranquila, ansiosa para este debut e pronta para impressionar o público ao vivo. “Agradecemos a essa grande oportunidade dada pelo Rock in Rio e a Monika Cavalera que nos ajudou nesse processo e que foi a maior defensora em estarmos no cast desse ano. Vamos detonar para voltarmos sempre!”, declarou o músico.
Além disso, o artista comentou como aconteceu esta reunião de grandes nomes da música pesada nacional, o excelente feedback dos quatro singles, a parceria com o lutador de UFC, Viscardi Andrade, os próximos projetos, o lançamento de um EP, entre outras curiosidades.
Até o momento, o ABOUT 2 CRASH apresentou apenas quatro impressionantes composições: “Monster”, “Liar”, “Supertaster” e “Buried Alive”, que conquistaram excelente feedback do público e a expectativa para o lançamento do debut álbum tem crescido ainda mais. Todas as músicas foram mixadas e masterizadas pelo produtor Damien Rainaud (Fear Factory, DragonForce), em Los Angeles (EUA).
Composto por experientes músicos da cena do metal mundial, o ABOUT 2 CRASH traz uma proposta sonora agressiva e moderna, misturando peso, melodia, groove e samplers, o que resulta em um som único e visceral.
Com pouco mais de um ano de existência, a banda vem aprimorando seu estilo e suas composições, abrangendo temas atuais e controversos, saindo do lugar comum e procurando trazer algo novo para a música pesada.
Por tantas provas, sempre acreditei que o Heavy Metal possui um potencial cultural enorme, diluído por inúmeras idéias ilusivas. É a cultura que perfura o sistema atual do belo, do moralista, e mesmo do popular e do bom mocismo exacerbado da atualidade com garras sedentas de sangue diretamente na jugular. As provas são inúmeras, mas raramente vemos sair do universo musical algo para outras expressões de arte. Vemos que a arte entra no Metal, vide músicas do Metal baseadas em livros, contos, peças de teatro e mesmo filmes. Mas a vida oposta raramente ocorre. E é um prazer, um alento para almas sedentas ler o mais recente trabalho de Fernando Ribeiro, vocalista do MOONSPELL, o livro de poesias "Purgatorial", que está sendo lançado no Brasil agora em Setembro pela Aquário Editorial.
Fernando Ribeiro
Antes de tudo, precisamos falar um pouco sobre o autor: Fernando é vocalista e um dos fundadores do MOONSPELL, a banda de Metal de maior sucesso de Portugal, conhecida de todos por discos como "Wolfheart", "Irreligious" e o mais recente, "Extinct", lançado este ano. Mas o que poucos sabem é que ele é formado em Filosofia pela Faculdade de Letras de Lisboa, fez a tradução do livro "I am Legend" de Richard Matheson, além de auxiliar na tradução e lançamento dos dois primeiros volumes da obra integral de H. P. Lovecraft em seu país natal. E além disso, já lançou 3 livros de poesias anteriormente: "Como Escavar um Abismo" (2001), "As Feridas Essenciais" (2004), e "Diálogo de Vultos" (2007). Ou seja, através dessas provas, vemos de onde flui toda a poética e visão de Fernando para as letras do MOONSPELL.
Vamos ao livro.
A versão brasileira recebeu uma adaptação para o português brasileiro (obedecendo nossas regras gramaticais, mas sem alterar a obra), e em termos de texto, é a mesma lançada pela editora Saída de Emergência, que de uma única vez, nos trás os três livros anteriores de Fernando (citados acima), além do novo (o próprio "Purgatorial"), e de bônus da edição brasileira, algumas poesias escritas durante turnês (possivelmente uma forma de lidar com o estresse e tédio das viagens), cada uma delas citando o local onde foi escrita, o conto "Os Meninos em Cinzas Deitados", o extrato de romance "O Bairro das Pessoas", uma crônica ("Twilight of the Gods"), feita em homenagem a Quorthon (do BATHORY), um ensaio (que possivelmente é um artigo acadêmico) em que Fernando disserta sobre as similaridades entre Fernando Pessoa (o poeta que tanto o inspira) e Aleyster Crowley (outra de suas grandes inspirações), o conto "Mastodon", e um diário de viagem "Estrada para a Extinção" (em que se fala de algumas datas da atual tour da banda). Ou seja, podemos conhecer como um todo o trabalho de Fernando até o presente momento, o que torna "Purgatorial" ainda mais essencial.
Outro ponto muito positivo de "Purgatorial": a edição gráfica.
A diagramação é ótima, usando de barras e rodapés, e em muitos momentos, existem gravuras que dinamizam a nossa leitura, e reforçam o clima quase que Ultra-Romântico da obra.
Sim, percebemos que o estilo literário de Fernando nos parece influenciada por Fernando Pessoa, Lord Byron e outros, mas o estilo dele é bem particular, e bem ousado. Mas existem noções também da conhecida poesia satírica em alguns pontos (mas sempre de forma elegante e não chula). Depressão, angústia, decepção com a realidade reinante, ironia, beleza e tudo isso alinhavado por uma escrita fluida, elegante e requintada. Algo que realmente engrandece o espírito e alimenta a mente de maneira salutar.
No tocante à leitura poética, como escrevo acima, o estilo do autor escrever é sempre elegante e nada entediante, e flui de forma natural. Poderíamos até mesmo dizer que é uma extensão mais introspectiva das letras de suas músicas. E não se chega a ver uma evolução entre os três livros, mas algumas vezes, o uso de diferentes estratégias literárias bem interessantes para prender a atenção do leitor. Sim, no aspecto poético (que ocupa 80% do livro), "Purgatorial" está distante de ser algo enfadonho ou cansativo. E naquelas escritas durante as viagens, se percebe o que ele sente pessoalmente em cada uma delas, numa miríade de sentimentos completamente humanos, mostrando que atrás de Fernando Ribeiro, vocalista do MOONSPELL, está Fernando Ribeiro, o homem comum, com todas as fraquezas, sentimentos e virtudes de todos. Ou seja, vemos o lado mais humano do músico, o que muitas vezes, aos olhos dos fãs, fica eclipsado pela fama.
Nos contos e crônicas, vemos a criatividade de Fernando, buscando temas não convencionais, indo fundo em seu lado mais narrativo, sempre nos prendendo pela fluidez e noção de ação claras, bem como pelos temas muito bem trabalhados.
No ensaio sobre Pessoa e Crowley, a exposição se torna mais acadêmica e formal, como requerido, mas a propriedade na apologia de sua idéia é ótima. Verdade seja dita: Fernando sabe muito bem sobre o que está dissertando.
Em "Estrada para a Extinção", vemos uma narrativa mais leve, bem humorada e dinâmica do dia a dia da banda em sua atual tour. E é interessante ver este contraste entre o diário e as poesias.
Enfim: "Purgatorial" é uma ótima aquisição, e vale a pena adquiri-lo. Mas não vale comprar e colocá-lo em uma estante. Leiam e se deixem ser imersos no profundo e encantador universo literário de Fernando.
Ah, sim: aproveitem, pois "Purgatorial" será lançado durante os shows da banda no Brasil, agora em setembro. Uma cópia autografada sempre faz bem...