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25 de jul. de 2017

Precisamos falar sobre Suicídio e Depressão


Por Samantha Feehily (postado no site Wonder Girls BR em 24/07/2017)


O suicídio é um problema de saúde pública global que atinge todas as faixas etárias que acontece com frequência em todos os países e por diferentes razões.

Um estudo divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou uma realidade chocante no Brasil: 32,3 casos de suicídio são registrados por dia no país, isto representa uma média de mais de uma morte por hora.

A ideia de que o ato tem relação com doenças mentais, como depressão, por exemplo, é consolidada. Entretanto outros fatores que podem contribuir para que uma pessoa recorra ao ato. De acordo com a OMS, muitos suicídios acontecem em momentos de crise com o enfraquecimento da habilidade de lidar com os problemas da vida, como problemas financeiros, fins de relacionamentos amorosos, dores crônicas e doenças.

Em países de alta renda, o grupo mais vulnerável é o de homens com mais de 50 anos. Já em países de baixa ou média renda, o foco está em mulheres com mais de 70 anos e jovens adultos, entre 15 e 29 anos.

A Organização Mundial da Saúde lembra que a prevenção é possível. E uma das medidas mais eficazes, diz o estudo, é a restrição ao acesso aos principais meios de suicídio, como armas e pesticidas. O primeiro levantamento global sobre o tema realizado pela OMS aponta também que os principais métodos utilizados em todo o mundo são envenenamento, enforcamento ou armas de fogo.

Já perdemos, entre tantos, Robin Williams, um grande ser humano e ator (Uma Babá quase perfeita e Uma Noite no Museu entre outros filmes). Robin Williams tirou sua vida depois de anos de luta contra depressão, mania, alcoolismo e abuso de substâncias.

E na semana passada o vocalista do LINKIN PARK, Chester Bennington foi encontrado morto. O cantor de 41 anos se enforcou em sua casa, em Los Angeles. Chester era casado e deixa seis filhos. O cantor lutou contra o vício de drogas e álcool por anos. Em entrevistas, ele havia dito ter considerado o suicídio no passado, após ter sido abusado na infância. Chester era amigo próximo do cantor Chris Cornell, que cometeu suicídio em maio.

Tragicamente os sentimentos de desesperança que podem acompanhar a depressão levou a melhor sobre eles. Sua morte é mais uma chamada para acordarmos, que reacendeu a discussão sobre a doença mental e a necessidade de criar um diálogo público mais forte para ajudar aqueles que sofrem de doença mental.

O que torna a sua morte tão difícil de compreender é não só a nossa admiração por ele como um gênio da comédia, mas também que aparentemente tinha tudo – sucesso e os recursos para lutar contra a doença.

A verdade inconveniente, porém, é que as doenças mentais podem ser fatais. Essas doenças atualmente matam tanto quanto os grandes assassinos. Temos de continuar a investir em pesquisa para desenvolver tratamentos novos e mais eficazes para pessoas com depressão e outras doenças mentais. A meta deve ser um futuro em que não haja vidas perdidas como resultado do suicídio.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, em média cerca de 3.000 pessoas tiram suas vidas diariamente e para cada pessoa que comete suicídio, 20 ou mais tentam acabar com suas vidas.

Como podemos ajudar a diminuir essas estatísticas:

  1. Aumentando a conscientização de que o suicídio é evitável
  2. Melhorando a educação sobre o suicídio
  3. Divulgando informações sobre o conhecimento do suicídio
  4. Diminuindo a estigmatização em relação ao suicídio
  5. Depressão, o mal da modernidade

Com as mudanças ocorridas no estilo de vida dos brasileiros, os transtornos psicológicos e psiquiátricos passaram a ocupar lugar de destaque entre os problemas de saúde pública do país.

Dados de uma série de estudos apontam as doenças mentais como responsáveis pela maior parte de anos de qualidade de vida perdidos devido a doenças crônicas. Os maiores vilões são a depressão, psicoses e dependência de álcool. Em seguida, estão as doenças cardiovasculares.

Segundo o estudo, entre 18% a 30% da população brasileira apresentam sintomas de depressão. A mortalidade por demência aumentou de 1,8 mil por 100 mil habitantes em 1996 para 7 por mil habitantes em 2007.

De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, em cada 100 pessoas com depressão grave, 15 cometem suicídio. Dados de 2013 divulgados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) indicam que mais de 350 milhões de pessoas no planeta têm depressão – o que representa 5% da população mundial. De acordo com estudo publicado na revista científica PLOS Medicine, no ano passado, ela é a segunda maior causa de invalidez, no mundo, ficando atrás apenas das dores nas costas. Cerca de 20% das pessoas já tiveram, têm ou ainda terão a doença ao longo da vida.

Uma das principais dificuldades enfrentadas por quem sofre de depressão é entender e fazer com que os outros entendam que ela não é “frescura”, mas uma doença, como hipertensão ou diabetes.

Isso significa que precisa ser tratada por um psiquiatra, capaz de orientar e, se necessário, medicar adequadamente o paciente. A psicoterapia em conjunto pode ser muito útil, mas o tratamento médico é essencial.

Apesar de todo estigma existente em torno da depressão, ela é uma das principais doenças que acometem a humanidade atualmente. Dados de 2013 divulgados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) indicam que mais de 350 milhões de pessoas no planeta têm depressão – o que representa 5% da população mundial. De acordo com estudo publicado na revista científica PLOS Medicine, no ano passado, ela é a segunda maior causa de invalidez, no mundo, ficando atrás apenas das dores nas costas.

A depressão não escolhe faixa social. Estima-se que 8% das pessoas adultas em todo o planeta sofram de depressão e que 10 a 20% ainda serão vítimas desta doença em algum momento de suas vidas. “A depressão, ao contrário do que muitos acreditavam, não é um estado de espírito ou humor, mas sim uma doença que se manifesta de diversas maneiras, podendo levar à morte. Considerado um problema psicossomático, com sintomas físicos evidentes, é uma enfermidade causada por alterações químicas no cérebro, que afetam as emoções podendo também prejudicar a capacidade mental. O cérebro é formado por inúmeras células que se comunicam entre si, através de substâncias químicas chamadas neurotransmissoras. No caso das pessoas com depressão, as substâncias químicas deixam de circular como deveriam”, explica Dr. Leonard Verea, psiquiatra.


Sintomas da Depressão

Os sintomas mais comuns são tristeza, desânimo, insônia, apatia, falta de alegria, de apetite (algumas pessoas têm aumento de sono e de apetite), falta de desejo sexual, preguiça – até mesmo de fazer atividades simples como tomar banho, assistir televisão ou ler jornal. Ou seja, nos quadros depressivos há uma diminuição geral do nível de energia da pessoa. Quando um indivíduo enfrenta um processo de depressão, ocorrem pensamentos pessimistas e repetitivos. O doente perde o interesse por coisas que gostava de fazer ou por pessoas com as quais apreciava conviver. O paciente depressivo não consegue se concentrar em uma leitura ou guardar na memória o que leu. Muitas vezes aparecem ataques de ansiedade, acompanhados por sudorese, palpitações e tremor. Os pensamentos obsessivos também são comuns: a pessoa sabe que eles não fazem sentido, mas não consegue tirá-los da cabeça.

Outra característica é que problemas que antes eram resolvidos com facilidade se tornam tarefas pesadas e difíceis. Situações que anteriormente eram agradáveis perdem a graça. Alguns casos desta doença se caracterizam por dores vagas e difusas pelo corpo ou na cabeça. O intestino pode ficar preso, a boca amarga, a pele envelhecida, os cabelos e as unhas fracas e sem brilho. Muitas pessoas não conseguem nem sentir alegria nem tristeza (“sensação da falta de sentimentos”). A vítima da depressão ainda pode ficar com “ideias fixas”. As principais são as seguintes: achar a situação financeira ruim e sem perspectiva, além de sentir-se culpado por coisas que fez e que não fez no passado.

A maior parte dos casos de depressão surge em consequência de um acontecimento negativo: a perda de uma pessoa querida; uma demissão sem aviso prévio; um abandono traumático; nestes casos chamamos de forma reativa da doença. Quando não é possível identificar facilmente a origem do problema, chamamos de quadro endógeno: é a forma mais grave; a única para a qual o uso de medicamentos é necessário. Uma outra diferenciação é entre a depressão monopolar e a bipolar, conhecidas antigamente como maníaco-depressiva. Na depressão monopolar, o humor se mantém negativo e é presente uma diminuição psicomotora com alterações do ciclo sono-vigilia. Já os que são atingidos pela forma bipolar alternam longos períodos de desespero com momentos de euforia incontrolável, nos quais a hiperatividade é muito intensa, junto com uma exagerada consideração de si mesmo.

O psiquiatra, Dr. Leonard Verea, respondeu algumas perguntas sobre o tema.

Como funciona no organismo o processo de depressão?

Depressão não é tristeza. É uma doença que precisa de tratamento. Cerca de 18% das pessoas vão apresentar depressão em algum período da vida. Quando o quadro se instala, se não for tratado convenientemente, costuma levar vários meses para desaparecer. A depressão é uma patologia que atinge os mediadores bioquímicos envolvidos na condução dos estímulos através dos neurônios, que possuem prolongamentos que não se tocam. Entre um e outro, há um espaço livre chamado sinapse, absolutamente fundamental para a troca de substâncias químicas, íons e correntes elétricas. Essas substâncias trocadas na transmissão do impulso entre os neurônios, os neurotransmissores, vão modular a passagem do estímulo representado por sinais elétricos. Na depressão, há um comprometimento dos neurotransmissores responsáveis pelo funcionamento normal do cérebro.


Podemos dizer que existem casos de depressão oriundos de fatores genéticos ou de caráter mais fisiológico? Quando o processo depressivo é desencadeado por fatores externos (um luto ou perda de emprego, por exemplo), seus efeitos são os mesmos no organismo?

Precisamos definir que há diferença entre tristeza e depressão. Tristeza é um fenômeno normal que faz parte da vida psicológica de todos nós. Depressão é um estado patológico. Existem diferenças bem demarcadas entre uma e outra. A tristeza tem duração limitada, enquanto a depressão costuma afetar a pessoa por mais de 15 dias. Podemos estar tristes porque alguma coisa negativa aconteceu em nossas vidas, mas isso não nos impede de reagir com alegria se algum estímulo agradável surgir. Além disso, a depressão provoca sintomas como desânimo e falta de interesse por qualquer atividade. É um transtorno que pode vir acompanhado ou não do sentimento de tristeza e prejudica o funcionamento psicológico, social e de trabalho. A pessoa deprimida ou com predisposição, às vezes com uma chateação corriqueira, pode ser nocauteada e cair num abismo sem fim ou então, ser mais resistente, mas numa crise brava também vai pro abismo. Por que é assim mesmo que se sente um deprimido. Uma pessoa sem perspectiva de vida, sem amor próprio, pessimista, desanimada que não vê graça em nada a não ser no seu isolamento e luto em vida. Na realidade este desânimo perante a vida não é falta de atitude e sim um mau funcionamento cerebral. Porque embora muitas pessoas acham que depressão é frescura, ela é uma doença, um desequilíbrio bioquímico dos neurotransmissores (mensageiros químicos do impulso nervoso) responsáveis pelo controle do estado de humor.


Por que os medicamentos antidepressivos causam efeitos colaterais como insônia, perda ou ganho de peso e disfunções sexuais?

A dopamina e serotonina são neurotransmissores que estão muito associados ao estado afetivo das pessoas. A serotonina está ligada a sentimentos de bem estar ou mal estar. Ela regula o humor, o sono, a atividade sexual, o apetite, o ritmo cardíaco, as funções neuroendócrinas, temperatura corporal, sensibilidade à dor, atividade motora e funções cognitivas. A dopamina está associada à sensação de euforia, entusiasmo e prazer. Esta regula o controle do movimento, da percepção e da motivação. Na depressão a dopamina, serotonia e outras substâncias químicas como a noradrenalina, ácido gama-aminobutírico e aceticolina ficam alterados, desorganizando o estado de humor, as emoções, capacidade mental e o bem estar geral do organismo. Por isso é preciso acompanhamento médico.


Quais as diferenças entre os antidepressivos IMAO, tricíclicos, ISRS e ANES? O que leva um psiquiatra a receitar um deles em detrimento de outro?

O tratamento vai depender de cada caso, por isso o psiquiatra quem escolhe. O local de ação das drogas antidepressivas será nos sistemas noradrenérgico o serotoninérgico do Sistema Límbico. Os antidepressivos atuam no sentido de tentar normalizar as sinapses neuronais a partir do aumento de neurotransmissores (principalmente serotonina – 5-HT -, e noradrenalina ou norepinefrima – NE – e da dopamina – DA) disponível nas fendas sinápticas, bloqueando a recaptação dos mesmos pela membrana pré-sináptica. As drogas tricíclicas, as drogas tetracíclicas estreitamente relacionadas e os inibidores da monoaminoxidade (IMAOs) são as drogas antidepressivas clássicas. Os antidepressivos variam em seus efeitos farmacológicos. Esta variabilidade é a base para que pacientes individuais respondam a um antidepressivo, mas não a outros. A variação é também a base para os diferentes efeitos colaterais. A maioria dos clínicos escolhe uma droga tricíclica ou tetracíclica ou um dos ISRSs como primeira opção no tratamento do transtorno depressivo. Os tricíclicos e os tetracíclicos são escolhidos em virtude do nível de familiaridade com essas drogas mais antigas, além de serem mais baratas. Os ISRS são escolhidos porque são muito melhor tolerados. Podemos dividir os antidepressivos em 4 grupos: Antidepressivos Tricíclicos (ADT); Inibidores da Monoaminaoxidase (IMAO); novos antidepressivos; Inibidores Seletivos de Recaptação da Serotonina.


Podemos esperar para o futuro medicamentos mais eficazes e com menor número de efeitos colaterais? A depressão poderia, assim, sair de cena?

Sim, acredito que novas formas e abordagens ganhem mais espaço para o tratamento. A boa notícia para quem sofre de depressão é que há inúmeras formas de tratamento. Os medicamentos antidepressivos são uma opção. Entretanto, uma excelente alternativa de cura para quem não quer se submeter às dosagens medicamentosas é o tratamento por meio da medicina psicossomática e hipnose dinâmica. Este transtorno não é apenas psíquico, também é físico na medida que há uma baixa na produção de serotonina, o hormônio que proporciona as sensações de prazer no corpo, sendo as vezes necessário medicamentos. Isso acontece na medida em que métodos de psicoterapia não são suficientes ou ter procurado um profissional depois de um certo tempo do sintoma se manifestar. A hipnose, possibilita diferentes articulações do pensar, o que pode proporcionar mudanças específicas, onde o indivíduo ao vir pensando de uma certa forma, um pensamento viciado, ou mesmo contagiado pelo problema da depressão, pode modificá-lo. O paciente precisa ver transformada suas formas de perceber a si mesmo, o mundo e seu próprio futuro; Do negativo para o positivo. Com a hipnose, é possível coloca-lo em diferentes situações no presente e futuro, onde possa se imaginar já com uma nova realidade. Ver-se em diferentes situações: em casa, com familiares, amigos, no trabalho, na rua ou no clube. O interessante é cobrir o máximo de possibilidades onde o paciente possa se ver nas mudanças de hábitos, pensamentos, comportamentos e nas suas diferentes interações humanas. Na hipnose, também tem-se a possibilidade do transe, que é um pensamento direcionado, este proporcionará com ainda maior facilidade a mudança. Desta forma, pode-se ajudar o paciente a reaprender ou mesmo aprender novas formas de reagir frente aos diferentes estímulos, que até então eram de apatia. Como mais gosto, mais prazer, voltando à sua vida normal, conquistando um viver mais equilibrado.

Acompanhem o trabalho de Samantha:



Samantha Feehily: Jornalista, Pós graduada em Comunicação Empresarial e Institucional, Pós graduada em Jornalismo Digital, Pós graduação em Jornalismo Contemporâneo e Mestre em Comunicação. Diretora da Projeta Comunicação Integrada. Foi editora chefe em uma Agência de Comunicação, responsável pelo conteúdo de jornais internos e de e-mail marketing. Foi professora universitária do Centro Universitário Nove de Julho (UNINOVE). Acumula mais de 14 anos de experiência em assessoria de comunicação. É responsável pelo site Arrasa, gata!, um portal de beleza e é apresentadora do Programa Estressadas, um programa de comportamento feminino.

20 de jul. de 2017

CHESTER BENNINGTON: uma singela homenagem a ele e a seus fãs, e um pedido a todos


O Metal Samsara não gosta de postar sobre o falecimento de músicos, uma vez que parece uma atitude predatória diante da dor alheia. Mas abrirei uma exceção desta vez, tendo em vista o tanto de piadinhas que alguns bobocas andam fazendo na internet sobre um assunto sério.

Quero compartilhar uma experiência pessoal minha: convivendo com as novas gerações no Metal, fui nutrindo primeiramente respeito pelas sonoridades mais jovens, e acabei começando a gostar das bandas de metal moderno, tipo Metalcore, New Metal e outros. 


A palavra "respeito" é importante para que existamos, entendamos muita coisa em nossas vidas. Ela é essencial.

Quando soube da passagem de Chester Bennington, vocalista do LINKIN' PARK, no dia de hoje (20/07/2017), fiquei triste, pois ele representava a nova geração, os fãs mais jovens que conheceram o Metal e o Rock pelo trabalho musical dele. E pensei naqueles que gosto e partiram, como Dio, Lemmy e outros. Chess era um de nós, um músico e fã de Rock.

Nisso, quando vejo piadinhas com a morte dele (já bloqueei alguns no Facebook), me pergunto o quanto esse tipo de piadista ocasional, esse true bobo, sente quando seus ídolos morrem. Para os fãs, ele era uma pessoa próxima, um amigo distante que os influencia, e que desejo que continue a influenciá-los para as coisas boas.

Aos haters que precisam dar uma de fodões no mundo virtual e satisfazer sua mania de superioridade (calcada em sei lá o que), que talvez tenham uma vida terrível fora do mundo digital, lhes deixo um desafio: façam piadinhas com aqueles que ama e que partiram. Ou imaginem alguém fazendo isso com aqueles que se foram e você ama. Ou mesmo quando um filho ou filha está doente em um hospital.

Vai sentir a dor de um fã que perde um ídolo, e o que sua falta de respeito está causando...

Que exista mais empatia, mais amor, mais respeito ao próximo, e menos esse sentimento de "eu sou o fodão", que mais me parece coisa de um animal não-humano lutando com outros pelo topo da pilha de cinzas, ossos e lixo, achando que aquilo é o topo do mundo, quando na realidade, é nada, apenas lixo. No fundo, esse tipo de pessoa se influencia pelas coisas ruins, ou tem falhas educacionais grotescas.

No mais, desejo aos fãs, família e ao LINKIN' PARK que todas as boas vibrações estejam com vocês. E a ti, Chess, desejo que encontre a Luz e a paz que buscou tanto em vida...

OM SHANTI!

Marcos Garcia

6 de fev. de 2017

BLACK SABBATH: e a velha Bruxa enfim descansa em paz...


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia

Março de 1985.

Um garoto de 14 para 15 anos de idade estava terminando um processo de transição que havia começado em 1983, deixando o Pop e o Soul a que estava acostumado para trás e abraçando de vez o estilo que o seduziu aos poucos: o Heavy Metal. 

Este garoto, um dia, passa em frente à uma banca de jornal em seu caminho para a escola, e vê uma revista-poster com um cavaleiro negro segurando uma espada brilhante. E ao ler o nome, sua mente lembra uma citação qualquer que vira ou lera em algum lugar: BLACK SABBATH.

O garoto gastou parte do dinheiro do lanche, comprou a revista e se informou sobre a história da banda desde sua fundação até aquela época.

Este garoto sou eu...


04 de Fevereiro de 2017, na Genting Arena em Birmingham, na velha Inglaterra.

Onde tudo começou é onde o quarteto BLACK SABBATH fez seu último show, tocando como última canção “Paranoid”, um de seus maiores clássicos.


Para muitos, um fim triste, e creio que todos agora sentirão uma espécie de vazio, pois nossos pais, enfim, pararam e irão continuar seus projetos pessoais, seja na música, seja na vida.

A Bruxa de Birmingham (apelido carinhoso pelo quais os fãs mais velhos chamam o quarteto) parou, mas deixou um legado enorme: eles criaram o Heavy Metal, e cada headbanger, seja ele eclético em termos de Metal ou aficionado em apenas uma vertente, tem uma dívida enorme com Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Terry “Geezer” Butler e Bill Ward, uma vez que, sem eles, não existira IRON MAIDEN, METALLICA, ou qualquer outra banda que tenha guitarras distorcidas e pesadas, vocais que não sejam brilhantes e uma cozinha rítmica pesada e incessante. Sem BLACK SABBATH, o estilo poderia existir, mas não seria o mesmo.

Fica a tristeza, mas também o agradecimento, e seja qual for sua formação favorita, o BLACK SABBATH esteve entre nós, nos brindou com clássicos musicais e discos fantásticos (outros nem tanto). Errou como todos erram, mas o saldo positivo é muito maior.


E sem falar que nomes como Ronnie James Dio, Vinnie Appice, Cozy Powell, Tony Martin, Dave Walker, Geoff Nicholls, Craig Gruber, Ian Gillan, Bev Bevan, Ron Keel, David Donato, Eric Singer, Dave Spitz, Glenn Hughes, Ray Gillen, Bob Daisley, Terry Chimes, Jo Burt, Laurence Cottle, Neil Murray, e Bobby Rondinelli também estiveram na banda e deram suas contribuições, alguns deles participando de discos ótimos. Todos eternizados sob um mesmo nome para sempre.


No mais, meu sentimento pessoal é de alegria. Sim, alegria por poder ter tido o BLACK SABBATH entre meus grupos favoritos em 32 anos de minha vida, de testemunhar altos e baixos, enfim, de ter minha estória de vida ligada afetivamente à banda por todos esses anos.


Eles deixam a estrada para entrarem definitivamente para a eternidade.

Agora, pegue seu disco favorito do grupo, não importando qual sua formação favorita, e ouça com dedicação, com amor, e agradeça por ter esta banda em sua vida.


Obrigado por tudo, BLACK SABBATH, e sentiremos sua falta.

Thank you for everthing, BLACK SABBATH, and we will miss you.

Finalizando, como a banda deixou um legado musical imenso, os deixo com o show da banda em  L'Olympia Bruno Coquatrix, Paris, em 1970.


28 de dez. de 2016

2016-2017: Recesso de fim de ano


Bem, esta semana é a última de 2016, e devido a compromissos pessoais meus, o Metal Samsara cessa suas atividades do ano nesta postagem. Até 02/01/2017, inicia-se um recesso para aproveitar as festas de fim de ano.

Agradeço cada visualização e comentário, desejo a todos um 2017 cheio de alegrias, realizações e tudo de bom, incluindo seus familiares.

Voltaremos à ativa em 02/01/2017, e até lá, aproveitem.

Obrigado!!!!!

Marcos "Big Daddy" Garcia

2016: ano de perdas, de ganhos, e de questões a serem respondidas no futuro


Bem, chegamos ao final de 2016, e coincidentemente, resolvi escrever uma retrospectiva no dia em que completa um ano sem a presença de “Mr. Rock’n’Roll” entre nós, Lemmy.


Assim, fica claro que desde então, o Metal e o Rock, e mesmo a música de bom gosto foi perdendo grandes nomes. Nomes essenciais, de impacto, sendo ele do Metal ou não. David Bowie, Jimmy Bain, Glenn Frey (do EAGLES), Signe Toly Anderson (JEFFERSON AIRPLANE), Maurice White (EARTH, WIND & FIRE), Keith Emerson (EMERSON, LAKE & PALMER), Naná Vasconcelos (percussionista brasileiro que poderia ter gravado as partes dos instrumentos de percussão no “Roots” do SEPULTURA), Billy Paul (cantor de R&B americano famoso por “Me and Mrs. Jones”), Prince, Roye Albrighton (que passou pelo grupo de Rock Progressivo NEKTAR), Lidoka (do grupo AS FRENÉTICAS), Pete Burns (da banda Pop DEAD OR ALIVE), George Michael, entre tantos outros. Alguns causaram grande comoção, outros nem tanto, mas todos são grandes perdas para a música. Óbvio que outras perdas ocorreram em outros ramos das artes que causaram comoções ainda maiores, como Carrie Fisher (a eterna princesa Leia Organa, da franquia cinematográfica “Star Wars”), mas pretendo me ater apenas ao aspecto musical.

David Bowie

Jimmy Bain

Naná Vasconcelos

Maurice White

Billy Paul

Óbvio que todos sabemos que a passagem ocorre mais dia, menos dia. É algo que todos já estão conscientes que vai acontecer. Mas em 2016, realmente Thanatos andou trabalhando com afinco, levando muitas personalidades, músicos e outros que vão deixar saudades. Alguns que nunca poderão ter preenchido essa sensação de vazio que deixam.

Carrie Fisher
Paralelo a isso, o ano de 2016 também marca o anúncio do fim de bandas sagradas. BLACK SABBATH está em sua tour final, assim como o DEEP PURPLE já anunciou que está começando sua tour de despedida. Steve Harris deu algumas entrevistas em que suas declarações mostram um tom de cansaço, de que o IRON MAIDEN também pode estar entrando em processo de aposentadoria. Ou seja, gigantes que andam longe de seus tempos áureos em termos de produção de discos estão dando mostras de cansaço.

Existem duas visões sobre este ponto:

1. É algo triste saber que alguns heróis estão parando, cessando carreiras longas e bem estabelecidas, e deixando órfãs legiões de fãs. Mas o que mais se poderia pedir de bandas que já fizeram tanto? E será que um fã não sente uma pontada no coração de decepção quando a banda diminui o ritmo de suas músicas, baixa afinações, tudo para se adaptar ao que o vocalista pode fazer? Vejam o JUDAS PRIEST por exemplo. No show do Wacken em 2015, ao executarem “Painkiller”, percebe-se isso claramente. Sei que parece que estou ofendendo um gigante, mas este autor que vos escreve ama esta banda há 32 anos, já os viu ao vivo no auge. É constrangedor, pois nisso, se paga para ver a banda ao vivo, mas não para ouvi-la tocar com excelente desempenho.

2. É muito bom, pois isso permite que o foco seja mudado, e que novatos tenham uma chance maior ao Sol. Muitas vezes, os mais jovens acabam ficando eclipsados pela sombra dos gigantes.

Amon Amarth

Nesse segundo aspecto, muitos nomes foram se firmando ainda mais nesse ano, crescendo e estabelecendo uma sólida base de fãs. Alguns exemplos ficam por conta do AMON AMARTH (nessa tour do disco mais recente, “Jomsviking”, chegaram a ter uma resposta do público maior que o todo poderoso IRON MAIDEN em um grande festival na Europa, conforme depoimento de um amigo que estava lá, sem mencionar que eles crescem em termos de fãs a cada novo disco), GHOST (que a cada lançamento vai angariando mais e mais fãs sob a mística de seu “Rock Horror Show”), e o SABATON (que além de se apresentar em grandes festivais há alguns anos, a cada disco vai crescendo absurdamente em número de fãs). Óbvio que muitos fãs no Brasil começarão a ter ataques de pelancas ao lerem estas palavras, como seu eu estivesse escrevendo algo blasfemo. Mas como não existe mais Santa Inquisição e eu não serei queimado em praça pública, prefiro me ater aos fatos ao invés de opiniões, e usar as sábias palavras de Isaac Newton: “Sou amigo de Platão, amigo de Aristóteles, mas antes de tudo, sou amigo da verdade”.

Sabaton

Os movimentos políticos e a crise econômica do país causaram muito alvoroço no cenário Metal. Mas é algo esperado, uma vez que não estamos isentos da realidade causada pelas reviravoltas políticas dos últimos anos. Mas direita ou esquerda, liberal ou conservador, tais fatos mostraram mazelas entre os fãs de Heavy Metal, que mostraram (em ambos os lados) uma completa intolerância ao pensamento do outro. E me perdoem, mas se não existe respeito mútuo, o sonho da unidade do cenário naufragará sempre. Aliás, o sonho de um país melhor naufraga, pois não se pode ter um país melhora para um segmento apenas, mas para todos.

Ainda sobre política, houveram bandas que causaram comoções no Metal mais pelas polêmicas do que pela música em si. Não questiono a qualidade do que elas fazem, mas pelas polêmicas um tanto quanto desnecessárias. MUNICIPAL WASTE com a bandeira com a efígie do Presidente norte-americano eleito Donald Trump atirando na própria cabeça, ou o VIOLATOR no Brasil com seu “foda-se Bolsonaro” foram episódios lamentáveis de quem, no mínimo, pode se achar cheio de atitude política, mas que esquece de que as pessoas possuem liberdade de expressão, inclusive de serem conservadoras ou liberais conforme desejem (o que não se pode é ir contra as leis do país). No mínimo, esse tipo de atitude não parece expressão, mas oportunismo. Toda polêmica chama a atenção, especialmente de bandas que ou estão em decadência ou nunca chegaram a lugar algum. E falar que o Metal é de esquerda ou direita é uma falácia. Ele é um estilo rebelde, que na direita conservadora é mal visto, e na esquerda, vira defunto. E engajamento político, que deveria ser algo pessoal de cada um, acaba se tornando um discurso de ódio contra outros. Se não vale discurso de ódio contra uma idéia, não deveria existir discurso de ódio contra a oposição a esta idéia. Aliás, o mundo já anda tão cheio de ódio que o Metal deveria sim se levantar contra isso, pois nada justifica tal sentimento, seja você pró ou contra a causa que seja.

Aliás, falar que um gênero musical que cresceu graças ao suporte financeiro das grandes gravadoras no passado tem conotação de esquerda é algo que somente um néscio em termos de História do gênero pode afirmar...

Voltando ao aspecto meramente musical, 2016 também foi um ano de muitas surpresas em termos de bandas mais velhas que se mostraram produtivas. Ouvir os discos de bandas como “Cemetery Junction” do DEMON, “Tygers of Pan Tang” do TYGERS OF PAN TANG, e “Fear No Evil” do QUARTZ nos fazem refletir o quanto algumas bandas que nunca foram gigantescas ainda podem contribuir muito, justamente por não estarem tão pressionadas como as bandas de maior nome.

Metallica

2016 também viu o renascer do METALLICA com “Hardwired... To Self-Destruct”, que foi muito bem recebido por público (especialmente pelos mais fãs mais antigos da banda), o MEGADETH mostrando fôlego em “Dystopia”, o ANTHRAX fazendo o ótimo “For All Kings”. Se o SLAYER deixasse “Repentless” para este ano, poderia se dizer que 2016 seria ano do renascimento do Big 4, e menções honrosas para o TESTAMENT com “Brotherhood of the Snake” e outras tantas bandas que fizeram ótimos discos. Tudo bem que estes citados podem não estar em seu auge, mas os discos são muito melhores que tantos outros que vimos por aí.

Megadeth
Testament

Falando de Brasil, bandas consolidadas como ANGRA, SEPULTURA e KRISIUN andaram colhendo frutos dos discos que divulgaram nesta época. Ao mesmo tempo, o underground mostrou muita força com DARKTOWER, ANCESTTRAL, LACERATED AND CARBONIZED, PANZER, TAMUYA THRASH TRIBE e outros que lançaram discos novos em 2016, e deixam claro que o cenário nacional anda muito bem em termos musicais. Só falta ao público nacional perceber isso.

Lacerated and Carbonized

DarkTower

Tamuya Thrash Tribe


Ainda sobre o Brasil, nomes de novatos como MELANIE KLAIN, AFFRONT, CHRONICODE, UNNATURE e outros dentro do underground já mostram talento e muita força, bem como veteranos como o FÓRCEPS superam dificuldades para se manterem ativos. É algo bastante promissor.



Os shows andam melhorando, e o cenário do Rio de Janeiro, que sofreu tanto com o radicalismo e divisões internas infantis e sem nexo, anda dando sinais de recuperação graças ao festival HELL IN RIO, que em sua primeira versão teve bastante sucesso ao ponto de uma segunda versão já estar sendo alinhavada. O próprio underground já mostra recuperação, já que o show de lançamento do TAMUYA THRASH TRIBE, em uma quarta-feira distante de feriadões, lotou, assim como o show do ROTTING CHRIST teve bom público e o evento beneficente com EVIL INSIDE, INDISCIPLINE, UNNATURE e NERVOSA lotou.

Ou seja, uma das cenas clássicas do Metal e do Rock no Brasil começa a reagir. Espero de coração que o mesmo esteja ocorrendo em todo país.

E por falar no trio NERVOSA, talvez tenha sido a banda nacional que mais se destacou em 2016, como já estava fazendo no ano de 2015.

Nervosa

Além do lançamento do ótimo segundo disco (“Agony”, lançado pela Shinigami Records), do destaque em várias revistas em entrevistas (inclusive fora do país), o trio anda em uma sucessão de shows enorme. Nem mesmo a saída da baterista Pitchu fez com que a banda desistisse das datas. E assim, se tornam o nome mais destacado do Metal nacional fora do Brasil, inclusive sendo idolatradas na Europa (onde estarão no primeiro trimestre de 2017, em tour com o DESTRUCTION). 

Nervosa

No mais, 2017 se aproxima, e este autor gosta de acreditar que será um ano melhor não só para o Metal, já que uma nova versão do Rock in Rio se aproxima (e esperamos os nomes a serem confirmados), bandas consagradas lançarão seus discos neste ano que está chegando, algumas promessas terão a oportunidade de se firmarem...

2017 promete, então, vamos pensar positivo!

E eu aproveito para deixar meus votos de um Ano Novo cheio de alegrias e conquistas para todos, seja você fã de Metal ou outro estilo qualquer. 



Por Marcos “Big Daddy” Garcia.

27 de dez. de 2016

Discos de 2016, bandas que vão arrebentar em 2017!


Ano passado, esta sessão foi criada para indicar aos leitores as bandas que, apesar de ficarem de fora da lista do Top 20 do Metal Samsara, são aquelas com enorme potencial para crescer e conquistar legiões de fãs. Em geral, são bandas jovens, com poucos anos de vida, e que estão dando os primeiros passos em seus primeiros discos. Todas ótimas, e com muito potencial!

Aproveitem e conheçam seus trabalhos!

MELANIE KLAIN - Melanie Klain (Mococa - SP):







ÓDIO AO EXTREMO - Animal (Lavras - MG)

CROMATHIA - Another Day of Torment (Curitiba -PR):


VOICELESS - Time is Now (São Luis - MA):





LEGACY OF KAIN - Greta (Curitiba - PR):

VICIOUS - Doped by Hatred (Rio de Janeiro - RJ):



YEKUN - The Boar's Nest (São Paulo - SP):


DEATH CHAOS - Prologue in Death & Chaos (Curitiba - PR):

DEMOLITION - Manipulator for Tragedy (Governador Valadares - MG):


CANILIVE - Psychosomatic Schizophrenia (Rio de Janeiro - RJ):




INSANE DRIVER - Insane Driver (São Paulo - SP):

STONERIA - Stoneria (São Paulo - SP):

UNNATURE - Synthetic Nature (Rio de Janeiro - SP):




DARKSHIP - We Are Lost (Porto Alegre - RS):