16 de fev de 2017

VORGOK – Carnificina Thrasher dos ouvidos não acostumados.


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia

Mesmo ainda tão jovem, o quarteto Thrasher VORGOK ainda angariando fãs e boas críticas da imprensa especializada com seu primeiro disco, “Assorted Evils”.

Aproveitando o bom momento, lá fomos nós bater um papo com Edu Lopez, vocalista/guitarrista do grupo, e saber sobre passado, presente e futuro do grupo.

BD: Oi Edu. Agradeço demais pela entrevista, e vamos nós: quem conhece a fundo sua estória do Metal carioca, sabe que nomes como NECROMANCER e EXPLICIT HATE fazem parte de sua carreira. E mesmo com o relançamento de “A View of Every Side” em 2012 (que trás o álbum “A View from the Other Side” e a Demo do EXPLICIT HATE), e de “Forbidden Art” (do NECROMANCER) em 2014, você preferiu fazer algo novo. Qual o motivo? Não seria mais fácil continuar com uma das bandas acima, que já possuem nome estabelecido no cenário?

Edu Lopes: Além das bandas citadas teve também o ANSCHLUSS, que foi a primeira banda de Metal de que fiz parte. Ocorre que, embora eu tenha assistido e feito parte do surgimento da cena Thrash Metal no RJ, a minha “carreira” foi muito, muito errática à época. Coisa que pode acontecer com qualquer moleque. Tive uma passagem relâmpago pelo EXPLICIT HATE antes mesmo do lançamento do único álbum da banda. Em 2013 houve uma tentativa de retomada da banda. Porém, essa sempre foi a banda do Rodrigo e do Gustavo Santoro e toda iniciativa e direção musical sempre dependeram deles. Quem quer que seja que complete a formação será sempre apenas um “tripulante”. Por uma série de razões, a banda fez um único show com o Nervochaos e Headhunter D.C. e parou novamente. Quanto ao NECROMANCER, que são também amigos lá dos anos 80, recebi o convite para integrar a banda para promovermos o álbum que estava para ser lançado (exclusivamente com material dos anos 80 e início de 90 que nunca havia sido propriamente lançado). Mais uma vez, me vi na condição de “tripulante”, e as diferenças de objetivo começaram a aparecer quando a banda decidiu iniciar as composições para um álbum seguinte. Como “tripulante”, minhas composições não estavam sendo aproveitadas porque havia na banda um desejo de seguir uma linha, digamos, mais moderna de metal. Isso nunca me interessou, e é fácil perceber isso: as músicas “Kill Them Dead”, “Deception in Disguise” e “Antagonistic Hostility” foram compostas para o NECROMANCER e acabaram entrando no disco do VORGOK, todas numa pegada muito Old School, que é o meu interesse. Para não ter dúvidas disso, veja que a música “Hell’s Portrait” foi originalmente composta para o ANSCHLUSS, lá por volta de 87, quando eu tinha 15 anos! Com exceção de um riff aqui, um arranjo lá, das letras e do título (porra, não dá pra gravar, hoje, a letra feita por um moleque de 15 anos! hahahahaha) a música é a mesma. Fico muito feliz de ter gravado essa música, e a considero uma das mais elaboradas do CD. Por tudo isso, continuar com uma das bandas que você mencionou não era sequer uma opção, e senti que, desta vez, precisava de uma banda em que pudesse expressar o tipo de Thrash Metal de que sou fã, com espaço para as minhas composições e visão artística. Dessa necessidade surgiu a idéia de formar o VORGOK. De outro lado, eu tinha uma “banda” de covers com o João Wilson (baixo) só pra diversão. Aquele negócio de ir pro estúdio com os amigos pra tocar músicas que todo mundo conhece sem compromisso nenhum, tomar umas cervejas e tal. O baterista dessa “banda” se mudou pra Curitiba e aí convidei o João pra montar uma banda autoral de Thrash e ele, que é o maior pilhado e adora esse estilo de Thrash porradão, topou na hora. Assim começou o VORGOK. Atualmente, a banda conta também com Bruno Tavares (guitarra; DEMOLISHMENT, FÓRCEPS) e, na bateria, com nosso irmão Jean Falcão (ABSOLEM, DARK TOWER) como session drummer, que está dando essa moral pra gente mesmo não sendo um membro efetivo.


BD: Sei que a pergunta deve estar enchendo sua paciência de tantas vezes que já respondeu (risos), mas como teve a idéia para o nome VORGOK, e o que ele significa?

EL: O nome “VORGOK” surgiu da necessidade de uma palavra que fosse curta, soasse forte e traduzisse a seguinte ideia: a coleção de todos os males passados, presentes e futuros praticados e a serem praticados pela humanidade. Tendo em vista a inexistência de uma palavra que designasse esse coletivo, fui fazendo experiências, tipo juntando sílabas desconexas, até chegar em “VORGOK”. Esse significado apresenta a temática lírica da banda.

Vorgok (da esquerda para direita): Edu Lopes, João Wilson, Bruno Tavares, Jean Falcão.

BD: Essa é simples: como o VORGOK possui uma identidade baseada no Thrash Metal e suas letras são bem feitas, quais seriam os temas abordados? Há uma linha de raciocínio única por trás delas? Ou cada uma é tratada separadamente, para depois serem juntadas em um mesmo contexto?

EL: Em “Assorted Evils”, os temas abordados foram intolerância religiosa (“Kill Them Dead”), manipulação (“Deception in Disguise”), opressão (“Antagonistic Hostility”), extermínio das espécies (“Last Nail in our Coffin”), direitos dos povos do terceiro mundo à alimentação (“Hunger”), à educação (“Headless Children”), ao refúgio (“Mass Funeral at Sea”), escravidão no século XXI (“Man Wolf to Man”) e o ressurgimento de doutrinas nacionalistas xenofóbicas como o nazismo (“Hell’s Portrait”). A maior parte das letras teve por base pesquisas de relatórios de organismos da ONU como FAO, ACNUR, UNICEF e artigos doutrinários veiculados em variadas publicações. Não tenho a ilusão infanto-juvenil de que uma banda underground de Thrash Metal seja capaz de aplacar diretamente males históricos de tamanha envergadura, mas acredito que é possível dar uma colaboração quanto à conscientização das pessoas para sua existência e, assim, por via indireta, fomentar a tomada de atitudes que, elas sim, possam se opor paulatinamente à tais atrocidades com ações práticas tomadas no dia a dia.


BD: Edu, o VORGOK tem um jeito Old School de ser, óbvio, então, a pergunta é: quais seriam as maiores influências musicais do grupo? E as suas, individualmente falando?

EL: Eu citaria SLAYER antigo (isto é evidente e inevitável: em breve farei 45 anos e conheço o SLAYER desde antes do lançamento do “Hell Awaits”. O troço está entranhado em mim! rsrsrsrsrs), DARK ANGEL, SACRIFICE, DORSAL ATLÂNTICA, SEPULTURA e KREATOR antigos, algum EXODUS e algum Death Metal Old School no estilo da Flórida. Nossa preocupação com que algumas pessoas nos vejam como clones é zero: perceba que quanto às bandas que citei, algumas estão inativas e outras mudaram consideravelmente sua sonoridade. Pessoalmente - e me considero um grande “garimpeiro” de bandas underground - fico muito satisfeito quando encontro uma banda cujas referências consigo relacionar a essa abordagem mais tradicional, brutal e crua do Thrash que as grandes bandas antigas ainda em atividade deixaram para trás. Para mim, o importante mesmo é conseguir me conectar com o som de uma banda, vindo essa mítica “originalidade pura” em segundo plano. Individualmente falando, citaria Kerry King, Jeff Hanneman, Mille Petrozza e, por causa do domínio no uso criativo da alavanca, Gary Holt. Mas meu objetivo nunca foi ser um fritador virtuoso. Meus solos não esbanjam técnica, e estão lá somente quando acho que é possível agregar alguma coisa à composição. Acredito cegamente em que “o ódio está no riff” e compor é o que mais gosto de fazer e o mais importante para uma banda. Essa certeza s tornou inabalável pra mim depois que assisti a uma entrevista do Gary Holt, que, além de tecnicamente sensacional, é um “riffmaker” de mão cheia, em que ele disse “Fuck the solos, man. I’ve got a lot of riffs” rsrsrsrsrsrs.


BD: Mas mesmo com essa carga Old School, o som do VORGOK em momento algum soa datado. Quando ouvi as primeiras faixas, a agressividade, peso e brutalidade saltaram os olhos. Poderia nos explicar essa concepção sonora diferente, mas que mantem a convicção Old School?

EL: Concordo com a sua afirmação, mas essa é uma pergunta muito difícil de responder. Poderia respondê-la com o chavão de que, em que pesem as influências, procuramos dar nossa identidade às músicas, mas não sei se seria uma resposta completa. Acredito que o trabalho do nosso produtor, Celo Oliveira, esteja diretamente associado a esse resultado. Ele é um profissional altamente competente, jovem, porém muito experiente, com a cabeça muito aberta e antenado. Creio que o trabalho desenvolvido na timbragem e na mixagem, sobretudo pelo espaço que encontramos para o baixo aparecer, sejam elementos importantes para o material não soar datado, tudo proporcionando um equilíbrio entre o antigo e o moderno, isto é, uma sonoridade claramente compreensível e equilibrada, mas que não fosse límpida como os padrões atuais, que muitas vezes te fazem sentir falta do elemento humano.


BD: É hora de falar do CD em si. Como disse acima, a gravação soa moderna, bem feita e bem cuidada, dando ênfase ao peso e à agressividade das músicas. Logo, como foi trabalhar com o Celo Oliveira (produtor do CD)? Teve muito quebra-pau (risos)?

EL: Trabalhar com o Celo foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para a banda. Além das qualidades que citei, ele compreendeu rapidamente a proposta do som e manteve-se fiel a ela, não veio com “invencionices” pra fazer algo “modernoso”. Simplesmente usou seu talento e conhecimento para que, dentro da nossa proposta, o melhor resultado fosse alcançado. Por tudo isso, o processo todo de produção foi muito suave e ficamos todos extremamente satisfeitos e felizes com o resultado final.

Capa de “Assorted Evils.

BD: A capa trás uma arte estilizada dos Budas de Bamiyan, destruídos pelo Taliban em 2001. Como foi que esta idéia veio à mente? Ela parece ter uma ligação com a letra de “Kill Them Dead”, que trata da dualidade fanatismo/intolerância, bem comum em nossos dias. No fundo, como você vê essa questão? Sério: os atos de intolerância estão cada dia piores, e não somente vindo de fundamentalistas muçulmanos, mas de outras religiões também. Parece que o mundo enlouqueceu de vez!

EL: A letra de “Kill Them Dead”, de fato, trata da dualidade fanatismo/intolerância, e teve por base um famoso artigo do grande Norberto Bobbio chamado “As Razões da Tolerância”. Achei que a destruição dos Budas de Bamiyan seria uma boa representação desse tema. Por tal razão, a arte da contracapa é praticamente idêntica à arte da capa, porém o Buda não aparece nela, pois, afinal, havia sido destruído. (existiam dois Budas e ambos foram destruídos, mas utilizamos a imagem apenas do maior). No lyric video dessa música foi feita uma animação da destruição. Foi difícil escrever sobre um tema tão complexo em apenas uma letra, como é difícil abordá-lo nesse curto espaço. Primeiro, é preciso distinguir entre a intolerância que decorre do desejo de monopólio da verdade, algo que não é exclusivo do fanatismo religioso, podendo aparecer até no meio acadêmico, muitas vezes apenas aparentemente neutro e puramente científico, e a intolerância com relação ao diferente, por exemplo, minorias e grupos sociais mais frágeis, como homossexuais. A letra cuida do primeiro significado de intolerância a que me referi e tão somente dentro do campo religioso. A intolerância religiosa tem crescido não apenas no Oriente Médio, mas em todo o planeta. Isso é alarmante, pois marca um(a) claro(a) retrocesso/estagnação civilizatório(a) já que a primeira aspiração aos chamados “direitos de liberdade” foi justamente a liberdade de crença religiosa, que motivou a Revolução Anglicana, se não estou enganado, lá pelo século XVII, antes mesmo da Revolução Francesa. Minha visão sobre o tema está bem exposta na letra da música, mas, aqui, repetiria o trecho em que escrevi que “o Estado Secular é o antídoto para o fanatismo”. Mesmo com todas as falhas que o Estado moderno e sua concepção apresentam, isso é o melhor que temos. E convém esclarecer que “Estado Secular” não é apenas aquele separado da religião, numa acepção estritamente omissiva, mas aquele que tem também o dever de assegurar a todos igualmente a liberdade de suas próprias crenças religiosas, numa acepção comissiva, isto é, que adote uma política pública de regulamentação por lei do gozo igualitário dessa liberdade individual e pratique atos concretos contra qualquer um que a afronte. Não é difícil ver que estamos a zilhões de anos-luz dessa realidade... Desculpe pela longa resposta, pois não quero soar professoral.


BD: Voltando a falar de música: como tem sido a recepção de “Assorted Evils” pelos fãs, imprensa, ou seja, o feedback? Está melhor, pior ou era aquilo que já esperavam?

EL: De fato, estamos recebendo um grande retorno num tempo muito curto, algo que até nos surpreendeu, em que pese trabalharmos duro para divulgar nossa música. Não apenas aqui no Brasil, mas já recebemos resenhas positivas, convites para entrevistas e inserções em programações de rádios na França, Austrália, Lituânia, EUA, Holanda e em alguns países da América do Sul. Por fim, embora a surpresa, nos sentimos confortáveis com a boa repercussão, pois trabalhamos sempre com planejamento e, exatamente por isso, estamos preparados para crescer e ganhar cada vez mais visibilidade, creio.


BD: Vocês estão escalados para o No Class Festival, onde tocarão com várias bandas nacionais, mais o ANGELCORPSE. E aí, como estão os preparativos e a vontade de tocar nesse show?  Particularmente, já vejo como algo matador, histórico em termos de RJ.

EL: Os preparativos vão a todo vapor e a vontade de participar desse evento é absurdamente gigantesca. Não é todo dia que se tem a oportunidade de subir no mesmo palco que FORCEPS, D.I.E, CAUTERIZATION, WOSLOM, REBAELLIUN, LACERATED AND CARBONIZED e ANGELCORPSE. Outra motivação é que, tendo em vista que o festival está sendo produzido em parceria pela No Class Agency e pela Cronos Entertainment, isso significa que será um evento de excelente estrutura tanto para as bandas como para o público. Retomando a pergunta anterior, nossa participação partiu de um convite da No Class Agency, o que, para nós, já é por si só um puta elogio e um estímulo para trabalhar cada vez mais forte. Também acredito que será um evento histórico, de que os headbangers do RJ falarão durante anos e anos e anos.



BD: E outros shows, mais alguns em vista?

EL: Quem cuida do nosso booking é a Over Metal Agency, do Phil Lima, parceiro que conta com nossa total confiança. Temos recebido algumas propostas e acredito que antes do No Class Festival outras datas já serão anunciadas, inclusive fora da cidade do Rio de Janeiro. Todos sabemos que as condições para tocar ao vivo no underground, por uma série razões, são muito duras. Tudo tem que ser muito bem planejado para que a experiência seja sempre proveitosa para a banda e para o público. Para trabalhar assim, você tem que aceitar que terá poucas datas, mas disso não abrimos mão. Por enquanto, a única data confirmada é o No Class Festival.


BD: Edu, você, assim como eu e alguns outros, somos daquela geração que conheceu o início do cenário underground carioca, os shows no Caverna II e Circo Voador, e bem como aquele sentimento da época, bem como algumas coisas ruins, como o radicalismo. O que acha que poderíamos resgatar de bom do passado, e quais as lições dele e do presente para termos um futuro melhor no cenário?

EL: Essa pergunta retoma o tema da intolerância. É visível que há atores da cena underground que se portam como se fossem os donos da verdade sobre “o que é ser metal”, o que pode e o que não pode. Mais uma vez, vejo isso com tristeza. Como disse antes, não que lá fora não exista intolerância (e dentro do underground, pense nos exemplos do white power e do NSBM), mas veja que os grandes eventos, realizados em nível profissional, são multifacetados, misturando bandas e públicos de variadas vertentes. Isso é um bom exemplo que deveríamos adotar sempre. Outro exemplo ruim do passado é a mentalidade de que “underground tem que ser tosco”. Mil vezes não. Ser um ator (banda, produtor, mídia, etc.) da cena underground não é desculpa para amadorismo. O lado positivo é que, mesmo assim, há inúmeras bandas excelentes nos mais variados estilos de Metal e que levam sua arte à sério e que, junto com esses poucas casas, produtores e público, conseguem manter a cena viva e pujante. Acredito que uma nova época começa a se desenhar na cena carioca, com muitos dos envolvidos adotando uma visão empreendedora e não se deixando seduzir cegamente pela paixão que temos pelo Metal, o que pode levar, por falta de racionalidade e excesso de emoção, à tomada de decisões equivocadas sobre os rumos a seguir. Acredito firmemente que estão sendo plantadas sementes para um futuro muito melhor. O próprio No Class Festival - Brutal Edition é uma prova disso.


BD: Sei que é consciente politicamente falando, então, gostaria que desse uma análise profunda do que estamos vivendo atualmente no Brasil: crise econômica, impeachment, estados e municípios falindo, Lava-Jato... Tudo isso da forma que uma pessoa com conhecimento mais profundo pode fazer.

EL: Agradeço pelo elogio, mas devo dizer que não sou um sábio, um oráculo ou qualquer coisa dessas. Sou apenas curioso e leio muito. Agora, é tanta merda acontecendo ao mesmo tempo no Brasil que é até maldade pedir uma análise profunda em uma única pergunta rsrsrsrsrsrs. Porém, perceba que todos os temas que você mencionou têm uma origem comum: a corrupção endêmica, sistemática e histórica. Ao invés de uma análise, vou dizer o seguinte: tem muita gente que se acha politizada, inclusive entre as bandas de Metal, mas, na verdade, é meramente partidarizada. Gente que tem “bandido de estimação” e adota raciocínios binários tipo esquerda X direita, socialismo X capitalismo e por aí vai. Esses pares de categorias - que foram importados - NUNCA serviram pra explicar satisfatoriamente as relações sócio-político-econômicas no Brasil. Quem acredita nisso deveria procurar por ovos de chocolate no quintal na Páscoa e colocar a meia na janela no Natal. O que existe é uma elite dividida em facções - cada uma delas tem integrantes divididos entre “virtuosos” partidos políticos e não menos “virtuosos” agentes econômicos - que lutam sem nenhum escrúpulo pelo poder para enriquecer às custas da riqueza produzida pela população. O fenômeno é complexo, pois a formação dessas facções é como as nuvens, mudando de forma a todo instante, e há agentes que são membros de mais de uma facção. Tem sido assim desde o Império e continua a ser assim nesta republiqueta de merda. Infelizmente, a verdade é que “o dinheiro faz o mundo girar”, mas na pior acepção possível. O poder econômico decide quem exerce o poder político e desse consórcio resulta quem será socialmente marginalizado e terá uma vida (?) desgraçada. A Constituição de 1988, a tal “Constituição cidadã”, que teria supostamente inaugurado uma “Nova República”, está exaurida e desmoralizada. A única solução é a indignação popular chegar ao ponto de tomar as ruas para exigir a convocação de uma Assembléia Constituinte, entre outras qualidades, cujos membros não possam ser detentores de mandatos eletivos nem integrantes dos 1o e 2o escalões da Administração Pública Federal, Estadual ou Municipal. É imprescindível que a sociedade civil, mesmo com toda a sua diversidade (olha o problema da intolerância aí novamente...), seja a protagonista desse processo. Para isso, porém, é preciso esquecer esse papo furado de coxinha X petralha: enquanto nos dividimos, ELES imperam. De certa maneira, essa situação é o tema da letra para a música “Antagonistic Hostility”.


BD: Mais uma: o VORGOK trabalha com a Roadie Metal Press na assessoria de imprensa. Quais suas impressões dessa parceria?

EL: Sim, nossa assessoria de imprensa está aos cuidados da Roadie Metal Press, do Gleison Jr. Essa parceria tem rendido muitos bons frutos, e certamente tem contribuído para a bom atenção que a banda tem recebido do público e da crítica especializada.


BD: Quero agradecer demais pela oportunidade, Edu, e o espaço é seu para sua mensagem final para nossos leitores.

EL: Gostaria de agradecer ao espaço para a entrevista e convidar os leitores para subscrever nosso canal no Youtube para receber notícias atualizadas da banda - não se preocupem porque não vamos encher o saco de ninguém com babaquices irrelevantes “pra estar em evidência”! Além disso, lá está disponível um videomenu em que é possível ouvir o álbum todo e acompanhar as letras em tempo real de execução. Também os convidados para nos seguir através do Instagram e do Facebook, onde é possível adquirir o CD físico e merchan. Por fim, nosso CD está disponível em todas as plataformas de streaming.  Fiquem ligados porque 2017 promete! Thrash on!

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Veja os vídeos para "Hunger" e "Kill Them Dead":



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