3 de jun de 2017

CHAOS SYNOPSIS - Gods of Chaos (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 9,5/10,0


Tracklist:

1. Raising Hell 
2. Storm of Chaos 
3. Black God
4. Serpent in Flames
5. Opposer of Gods
6. The Beast That Sieges Heaven
7. Sixteen Scourges
8. Badlands Terror
9. Gods of Chaos
10. Cocaine


Banda:


Jairo Vaz - Vocais, baixo
Luiz Ferrari - Guitarras
Diego Sanctus - Guitarras
Friggi MadBeats - Bateria

Convidados:

Uappa Terror - Vocais em “Black God”
Wojtek - Vocais em “Black God”


Contatos:

Twitter: 
Bandcamp: 


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Existem bandas que fogem das temáticas comuns a seus estilos, e isso é bom. Sim, muito bom, pois em geral, são aquelas que possuem algo inteligente para contribuir com a já demolida inteligência no cenário. E nisso, existem bandas que são mestras nessa arte, sendo um deles o quarteto de Death/Thrash Metal CHAOS SYNOPSIS, de São José dos Campos (SP). Após os temas críticos às religiões abraâmicas em “Kult of Dementia” de 2009, o uso de temas ligados aos ilustres “serial killers” em “The Art of Killing” de 2013, e dos conquistadores e tiranos da antiguidade em “Seasons of Red” de 2017, eles retomam os temas interessantes em “Gods of Chaos”, seu recém-lançado quarto álbum, mas não é apenas a temática lírica que estão as delícias do álbum.

O quarteto soube explorar suas possibilidades musicais muito bem e soube dar ares novos à sua música. Óbvio que a pegada cheia de energia do Thrash Metal e a brutalidade opressiva do Death Metal, características singulares da banda, estão presentes. Mas as linhas melódicas e harmonias do grupo estão mais evidentes que antes, dando um toque de refinamento à opressão musical causada pelos vocais causticantes, bases agressivas e solos bem feitos (onde as melodias aparecem com mais clareza), e pela base rítmica bem trabalhada e com arranjos pesados. 

Sim, o CHAOS SYNOPSIS soube se renovar, e “Gods of Chaos” é um disco excelente!

Produzido e mixado pelo baterista Friggi MadBeats, mais a masterização de Neto Grous do Absolute Master (uma referência em termos de masterização em nosso país), a sonoridade de “Gods of Chaos” é fluida e clara como precisa ser, mas obviamente pesada e azeda para que as características estilísticas do grupo não sejam perdidas. Está um pouco mais seco e cru que nos discos anteriores, mas isso vem dos timbres escolhidos para os instrumentos. 

Em termos de arte, a capa é de Rafael Tavares, e o layout de Jairo Vaz (baixista/vocalista do grupo). Desta vez, a capa é um pouco mais direta que o que eles apresentaram antes, bem como todo o encarte foi feito para ser algo mais sombrio e simples, usando apenas preto e branco. Mas justamente a temática pede algo do gênero, e ficou ótimo dessa maneira.

O lado musical da banda evoluiu bastante em termos de arranjos, mas ao mesmo tempo, um toque um pouco mais reto em alguns pontos ajuda que as músicas soem mais sólidas, bem como mantém o nível de composição alto. Mas como uma banda veterana desse quilate, não se poderia esperar menos.

O disco já abre escancarando com “Raising Hell” e sua pegada cheia de energia e agressividade, mesmos elementos da bordoada nos ouvidos chamada “Storm of Chaos” (cheia de lindas guitarras em solos melodicamente construídos). Em “Black God”, mesmo com toda agressividade, temos uma pegada ganchuda mais voltada ao Thrash Metal, com um trabalho bem feito das guitarras (e participações especiais de Uappa Terror dp TERRORDOME e Wojtek do PUTRID EVIL nos vocais). O ritmo fica mais cadenciado e soturno em “Serpent in Flames”, com um trabalho ótimo de baixo e bateria (que sustentam o ritmo abrasivo com boa técnica), fora duetos de guitarras. Novamente o lado Thrasher do quarteto é evidenciado em “Opposer of Gods” e suas passagens ganchudas, assim como em “The Beast That Sieges Heaven”, ambas com os vocais preenchendo todos os espaços com timbres azedos muito bons. Já em “Sixteen Scourges”, a porradaria é franca e aberta, deixando a brutalidade do Death Metal mais clara (embora existam partes mais melodiosas no refrão). E com um jeitão de Death Metal anos 90, surge a massacrante “Badlands Terror”, onde a esporreira come solta até a metade, e depois fica mais mórbida e azeda, entremeada por solos de guitarras fenomenais. A opressão Death Metal segue evidente em “Gods of Chaos”, com um andamento cadenciado e muito pesado, novamente referenciando o Death Metal da década de 90 (em especial o inglês), em uma aula de baixo e bateria de como se fazer um ritmo lento e bem trabalhado, mas sem perder o peso. E fechando o disco, uma versão mais agressiva para “Cocaine”, dos Fastthrashers do ANDRALLS, que ganhou aquele jeitão Death Metal azedo, mas sem deixar de lado sua energia Thrasher.

O CHAOS SYNOPSIS se firma como uma das potências do Metal extremo brasileiro com “Gods of Chaos”, que realmente mostra como a banda vive um ótimo momento de sua carreira.

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