4 de jun de 2017

GUILHERME COSTA - The King’s Last Speech (EP)


2017
Nacional

Nota: 8,6/10,0


Tracklist:

1. Come On and Play
2. The Beginning of a Journey
3. The King’s Last Speech


Banda:


Guilherme Costa - Guitarras
Celo Oliveira - Baixo, guitarra base em “The King’s Last Speech”


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Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Sempre digo em resenhas de discos de guitarristas onde o enfoque é um trabalho instrumental que este já nasce sob um estigma: de ser quase exclusivamente para aqueles que tocam algum instrumento ou têm noções de teoria musical. Óbvio que nem todos os guitarristas caem nesse erro, e quando a música é voltada a um público mais amplo, fica difícil de não gostar. E um músico com essa visão é o guitarrista GUILHERME COSTA, pois basta uma ouvida no EP “The King’s Last Speech” e entenderão o que estou dizendo.

Influenciado por nomes como Joe Satriano, Tonny Iommi, Glenn Tipton, Kiko Loureiro, Paulo Schroeber e outros, é evidente que o foco de Guilherme é criar canções onde a guitarra consiga expressar seus sentimentos, mas serem uma exibição de técnica chata que apenas instrumentistas poderiam compreender. Nada disso, o que se ouve nas três canções deste EP é um trabalho bem coerente e de amplo espectro musical, que visa alcançar a todos. A técnica de Guilherme surge como uma consequência das músicas em si, não como motivação, e por isso, “The King’s Last Speech” soa tão bem aos ouvidos.

Tendo a produção de Gus Monsanto, mixagem e masterização de Celo Oliveira, com tudo gravado no Estúdio Dalva 1, em Petrópolis (região serrana do RJ), a sonoridade do EP é clara e simples, com boa dose de peso. Mas não se enganem, pois esta simplicidade sonora permite que as músicas fluam de forma envolvente e compreensível aos nossos ouvidos, mas obviamente, com boa dose de peso.

E a ilustração da capa, muito simples e funcional, é de Ana Gabriela Morais, e encaixou no contexto musical do EP.

“The King’s Last Speech” poderia ser comparado aos trabalhos mais seminais e de início de carreira de Joe Satriani, aqueles onde tudo soava mais simples e conexo. E justamente por isso é tão bom, sem muitos malabarismos ou “shreds” enjoativos. Mas tenham certeza: Guilherme é uma fera das seis cordas, sem sombra de dúvidas.

“Come On and Play” tem uma bela pegada pesada, com baixo e bateria formando uma base rítmica sólida para o trabalho das guitarras, com arranjos bem feitos e alguns arranjos voltados ao Hard Rock dos anos 80 (e vejam como a técnica dele nas seis cordas é sóbria). Sentimental e bela, “The Beginning of a Journey” nos embala pelo forte sentimento que emana dela, e logo estamos imitando as guitarras com sons de nossas bocas, pois é muito grudenta e de bom gosto. Algo de da erudição da música clássica surge na sinfônica “The King’s Last Speech”, onde alguns “shreds” surgem, mas sem que estes sejam a motivação da canção.

Desta forma, Guilherme mostra um trabalho versátil e de primeira linha. Ouçam “The King’s Last Speech” e se deleitem!



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