23 de mai de 2017

WHITE LINE FEVER – A AUTOBIOGRAFIA DE LEMMY


2016

Uma das coisas mais apaixonantes nas autobiografias é uma possibilidade singular: você poder ver o músico falando de si mesmo, sem necessidade de pesquisas biográficas ou citações. E, ao mesmo tempo, ter uma visão mais interior do mesmo, saber dos sentimentos, sejam alegrias ou angústias, vitórias e derrotas, enfim, a completitude da vida e obra de determinado músico.

E por isso, “White Line Fever – A Autobiografia de Lemmy” é tão apaixonante.

Antes de tudo, o bom humor e sarcasmo de Lemmy transbordam na narrativa. Óbvio que o lado cavalheiro e educado dele são evidenciados da mesma forma, mas quando Lemmy narra alguns momentos de sua vida, beira o cômico. É impossível não rir em muitos momentos, já que é quase como se pudéssemos ouvir o velho mais sacana do Rock’n’Roll falando de si mesmo.

As bandas, as aventuras e desventuras, tudo está em “White Line Fever”. Mas os momentos mais azedos ficam por conta da visão de Lemmy sobre a indústria musical (mais de uma vez, ele solta o verbo de forma direta contra as gravadoras), ou mesmo quando fala de um ou outro membro que passou ela banda, bem como o motivo da demissão de alguns (se percebe claramente a animosidade existente entre Brian Robertson e a banda, bem como os sentimentos reais de Lemmy e seus ex-comparsas, como Wurzel, Phill ou Eddie).

Mas é engraçado ver Lemmy, o cavalheiro e educado, sendo politicamente incorreto, como quando ele fala de seu relacionamento em relação às feministas mais radicais, ou como Mikkey Dee sofreu um bullying engraçado. Ou mesmo lá no passado, quando fala da questão de preconceitos raciais (que ele sofreu por namorar uma mulher afrodescendente), sua relação com as drogas, e mesmo sobre os tempos de HAWKWIND.

Janiss Garza fez um ótimo trabalho ao ajudar Lemmy a organizar o material todo. E ainda temos um prefácio de Lars Ulrich (do METALLICA) sobre como começou sua relação com Lemmy, e mesmo seu pronunciamento do memorial.

Ainda temos uma atualização, já que Lemmy cessa de nos falar de suas memórias em 2002. Óbvio que houve a preocupação em atualizar tudo até o dia de sua morte, e mesmo algum tempo depois.

O trabalho da EV7 é louvável, ficou ótimo. Mas como ocorre muitas vezes (mesmo em editoras grandes), a tradução mostra alguns problemas. Mas como esta que temos em mãos é a primeira edição, a segunda já deverá ter corrigido todos eles.

No mais, a atitude da EV7 Press é louvável, merece aplausos, e todos precisam ler. Muito dos mitos de quem foi Lemmy são esclarecidos.


Agradecimentos especiais a Eduardo Vaz Couto, que não só nos possibilitou esta resenha, mas ao mesmo tempo, nos brindou com uma bela dedicatória.

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