28 de mar de 2017

PRONG - X - No Absolutes (álbum)


2016
Nacional

Nota: 10,0/10,0


Tracklist:

1. Ultimate Authority
2. Sense of Ease
3. Without Words
4. Cut and Dry
5. No Absolutes
6. Do Nothing
7. Belief System
8. Soul Sickness
9. In Spite of Hindrances
10. Ice Runs Through My Veins
11. Worth Pursuing
12. With Dignity
13. Universal Law


Banda:


Tommy Victor - Vocais, guitarras
Jason Christopher - Baixo
Art Cruz - Bateria


Contatos:

Bandcamp: 
Assessoria: 

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Existem bandas que, conforme envelhecem, ganham o status de “cult”. Isso significa que, embora não sejam sucessos comerciais no mainstream, sempre lançam trabalhos ótimos e marcantes, e muitas delas ajudam a delinear as fronteiras de gêneros do Metal. E um desses é o lendário trio PRONG, de Nova York, que há anos se tornou um gigante dentro do underground. E agora, os fãs brasileiros ganham a possibilidade de ter “X – No Absolutes” (mais recente trabalho da banda) sem pagarem versões importadas, já que a Shinigami Records está lançando o disco por aqui.

Mas o que se pode esperar do disco?

Quem conhece Tommy Victor (guitarrista/vocalista e líder do grupo) sabe que ele não é dado a se repetir, mas sempre leva a mistura de Thrash Metal, Hardcore e Metal Industrial que caracteriza o PRONG a novos patamares. Mas aqui, a banda está um pouquinho mais comportada em termos de experimentalismos, focando mais no lado Thrash/HC de sua música, mas ainda mantendo toques melodiosos ótimos. Ou seja: é um disco bem agressivo (embora existam partes acessíveis aqui e ali, como se ouve em “No Absolutes”), mas ainda cheio de tempos quebrados, vocais melodiosos, riffs brutos, além de uma sessão rítmica sólida e bem trabalhada. E não se preocupem: “X – No Absolutes” continua tão diversificado como qualquer disco deles.

O disco foi produzido pelo próprio Tommy Victor em parceria com Chris Collier (que também fez a mixagem e masterização do disco). O resultado: uma sonoridade limpa que nos permite entender o que a banda está tocando sem problemas, mas mantendo um bom nível de peso e agressividade. O som mais agressivo vem dos tons instrumentais escolhidos (e que encaixaram perfeitamente na proposta musical do trio).

A arte é de Sebastian Rohde, com capa, contracapa e espelho em vermelho e preto, em uma arte bem simples, assim como o interior, o encarte, é preto com letras em branco. Algo bem “old school” e extremamente funcional.

O PRONG sempre se caracterizou por timbres gordurosos nas cordas e toques de groove em sua música híbrida, e eles estão aqui, dando suporte a este discão que é “X – No Absolutes”. Arranjos perfeitos, dinâmica ótima entre vocais e as partes instrumentais, tudo muito bem feito, mas soando bruto e espontâneo.

O décimo disco do grupo nos trás 13 músicas excelentes, sendo os destaques do disco:

A curta e Thrashcore “Ultimate Authority” (incrível como as linhas melódicas são ótimas, além de refrão grudento e riffs extremamente empolgantes), a grundenta e altamente Crossover “Sense of Ease” (outro abuso das guitarras, e mais uma vez, um refrão envolvente), a mais trampada e não tão veloz “Without Words” (reparem como as vocalizações são ótimas, e o refrão mais melodioso, algo costumeiro do grupo), a brutal e de andamento mutante “Cut and Dry” (ótimos arranjos, backing vocals de primeira e um trabalho fantástico de baixo e bateria), o peso-pesado mais melodioso e experimental de “No Absolutes” (sim, aqui a banda mostra um pouco seu lado mais voltado ao Metal Industrial por conta de efeitos eletrônicos pontuais), o peso introspectivo e quase melancólico de “Do Nothing” (o contraste entre os momentos lentos e os outros um pouco mais agressivos é excelente, sem contar que os vocais estão muito versáteis), a modernosa e intensa “Belief System” (com aquele groove pesado e azedo que influenciou a muitos), a sinuosa e cheia de mudanças de ritmos “Soul Sickness” (inclusive com partes muito melodiosas ótimas), a muralha de riffs compacta da rápida “In Spite of Hindrances”, a presença mixada de elementos de HC melodioso em “Ice Runs Through My Veins” (o trabalho do baixo é marcante e bem claro), a porradaria das guitarras em “Worth Pursuing” (que lembra a pegada Thrash Metal mais clássica que o grupo mostra, mas com elementos melodiosos típicos dos anos 90), e a mistura entre introspecção e peso melódico em “With Dignity”. E como de praxe, a versão nacional tem um bônus, “Universal Law”, que é outro típico Thrash Metal old school “Hardcorizado” do jeito que o PRONG sempre fez.

Um disco de primeira linha, e não é à toa que o trio influencia nomes como KORN, DEMON HUNTER e mesmo o NINE INCH NAILS. Aliás, se perceberem, o próprio SEPULTURA andou bebendo nessa instituição de modernidade, peso e bom gosto chamada PRONG.

“X – No Absolutes” vem para mostrar que eles ainda estão com sangue nos olhos, logo, pode comprar sem medo.

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