11 de nov de 2016

TAMUYA THRASH TRIBE (Espaço Acústica, RJ, 09/11/2016)



Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia.

Fotos: 


E em pleno calor do pré-verão carioca, com o clima elevado, o quarteto carioca TAMUYA THRASH TRIBE enfim fez o show de lançamento de seu primeiro álbum, “The Last of the Guaranis”. 

Mas para quem pensa que foi apenas mais um show, é preciso deixar claro que o evento ocorreu poucos dias depois do festival Hell in Rio, que deu um ânimo novo ao cenário underground carioca. E como tinha gente de banda e da imprensa presente no evento!

Sim, estavam lá membros do LACERATED AND CARBONIZED, AFFRONT, HATEFULMURDER, UNNATURE, FÓRCEPS, UNCAVED, MELYRA, além dos amigos do Over Metal e Portal do Inferno, e o DJ especializado em Metal Lucciano Purista. E tinha mais, mas a memória deste escritor já estava cansada pelo dia de trabalho. 


E outro fato interessante foi a presença de representantes indígenas (o centro da temática usada pelo TTT no disco), que estavam ali, fazendo uma exposição de arte, artesanato e fotografias, muitos estando a venda. Um trabalho social interessante, e que tende a crescer mais. E, além disso, uma idéia de primeira, e que torcemos que se repita com outras bandas, e com outras etnias. Ah, sim: o Ingresso Solidário, que arrecadou alimentos não perecíveis, é todo destinado à Aldeia Mata Verde Bonita, de Maricá (RJ), cujos índios pertencem à etnia Guarani Mbya (e cujo coral de crianças que participou do CD, em “Oreru Nhamandú Tupã Oreru”).


A casa estava lotada (sim, LOTADA, e para uma banda autoral!), um calor intenso, e próximo das 22 horas, o quarteto subiu ao palco, e logo de cara, já começaram o show com a arrasadora “The Voice of Nhanderu”, seguida de “Missions” (vinda do primeiro EP do grupo). E é uma banda e tanto ao vivo, cheia de energia e espontânea, embora o palco não fosse tão grande quanto eles merecessem, e o som não estivesse de todo bom.

Luciano Vassan (vocais/guitarras) se comunica muito bem e se mostra muito bem humorado e brincalhão, mas ao mesmo tempo, canta e toca muito bem; João “Chewy” Mugrabi (baixo, backing vocals) e Leonardo Emmanoel (guitarras, backing vocals) tem boa técnica nos seus instrumentos e se movimentam muito bem (Leonardo é um tufão de cabelos, pois não para um segundo). E Bruno Rabello é um monstro atrás da bateria, pois além de uma pegada pesada e técnica, ainda trouxe uma forte dose de latinidade à música da banda.

“The Last of the Guaranis” foi muito bem recebida pelo público, e logo veio um dos grandes momentos do show: a participação especial de Zahy Gaujajara (poetisa e ativista da cultura indígena, além de lutar pelos direitos humanos dos índios) em “Háhé'm”, sendo ovacionada por todo o público presente em uma recepção calorosa. E a participação de João “Casurina” Cavalcanti, e dos percussionistas Dudu Bierrenbach e Paula Perez em “The Conjuration (Martyr)”, “25”/“Violence and Blood” e “Senzala/Favela”. Aliás, em “Senzala/Favela”, um dos grandes momentos de do CD, eis que surge a conhecida figura de Marcelo D2, que sacudiu o público com seus vocais mais “rapeados”. E foram muito aplaudidos por isso!

ISSO MESMO, o público aplaudiu MUITO as participações de Zahy, Casurina, Dudu, Paula e D2 sem radicalismo algum!

Ou seja, uma grande parte do público do Metal está aprendendo a respeitar e apreciar trabalhos assim.

Finalizando: acredito que o Hell in Rio mostrou que existe público na cidade, e o show do TAMUYA THRASH TRIBE foi a afirmação que o underground carioca pode brilhar mais uma vez.

Sem divisionismos, sem mitos, sem regras, apenas unidade...

UNITED!

Em tempo: o Metal Samsara agradece de coração à Shows de Rock e a Marcel Web Design por nos conceder gentilmente a permissão pelo uso das fotos que estão nesta resenha. Mas existem outras, que podem ser vistas na página da Shows de Rock no Facebook.













Setlist: 

The Voice of Nhanderu
Missions
The Last of the Guaranis
Uti Possidetis
Last Ball of the Empire
Háhé'm 
Tamuya
The Conjuration (Martyr)
25/Violence and Blood
Senzala/Favela
Immortal King

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