11 de out de 2016

SCREAMS OF HATE – Neorganic (Álbum)


2016
Independente
Nacional

Nota: 9,0/10,0

Músicas:

1. Introrganic
2. Evil
3. Depression
4. Concept
5. Insane
6. Remorse
7. Neorganic
8. Follow
9. Spilling Hate
10. Your Soul Will Pay
11. Revenge (Bonus Track)


Banda:


Clayton Bartalo – Vocal, efeitos
Alexandre Bovo – Guitarras 
Vicente Moreno – Baixo, vocal
Marcelo Toselli – Bateria 


Contatos:



Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Algumas bandas vivem nos surpreendendo sempre, simplesmente porque elas não conseguem para quietas, estão em constante evolução sonora, buscando se renovar e diferenciar. E esse experimentalismo é capaz de criar algo que foge de uma descrição simples, de uma classificação. E assim é “Neorganic”, primeiro álbum da banda paulista SCREAMS OF HATE, um autêntico murro nos cornos, e um disco dos bons!

O grupo usa de tantos elementos musicais diferentes que é preferível classifica-los apenas como “Modern Extreme Metal”, pois vocês serão capazes de ouvir elementos diferentes, vindos do Thrash, do Death, de tendências mais modernas, do HC e seja lá mais o que buscarem procurar. E longe de soar desconexo, cada uma das músicas de “Neorganic” é agressiva, bruta, gotejando de uma fúria contra tudo e todos. 

É bom tomarem cuidado, pois o quarteto não está para brincadeiras!

Produzido por Henrique Baboom e pelo próprio quarteto, é incrível a massa sonora que o SOH consegue gerar em todo o disco, tendo uma qualidade de primeira. A gravação e a mixagem foram feitas no WSTF Studios (SP) e a masterização no Toque Final (também em SP), e o que em de agressiva e bruta, tem de limpa e bem cuidada.

A arte gráfica é de Marcus Zerma, da Black Plague, e ficou um trabalho ótimo, bem orgânico (sem trocadilhos infames, por favor). 

Intenso, bruto e agressivo, “Neorganic” é uma surra nos ouvidos dos mais incautos, mas adornado de uma qualidade musical inegável. E ainda tem o brilho das presenças especiais de Marcelo Carvalho (do VIELLA) em “Depression”, Júnior Rodrigues (do VIVA NOITE e ELECTRIC AGE) em “Remorse”, Bruno Luiz (STORMSONS e COMMAND6) em “Follow”, Alexandre de Ório (do QUARTETO KROMA, e ex-CLAUSTROFOBIA) em “Concept”, e a musa do Metal extremo nacional, Flávia Mornietari (do HELLARISE) em “Insane”. Não tem como dar errado!

Preparem o cérebro para a pancadaria, e o pescoço para o torcicolo!

“Evil” – Uma bordoada bem feita, com boas variações de ritmo, recheada de momentos mais cadenciados bem ganchudos. E reparem como baixo e bateria estão dando aquela diversidade e peso que a banda tanto necessita.

“Depression” – A velocidade diminui, mas não a agressividade. É bem variada, mas novamente, baixo e bateria estão muito bem, além dos vocais estarem excelente com essa expressão mais agressiva, com esses timbres gritados.

“Concept” – É outra em que a ênfase se dá sobre um andamento não tão veloz, mas cheia de momentos mais modernos, e alguns riffs de guitarra de primeira, cheia de expressão e momentos opressivos aos ouvidos.

“Insane” – Alternando momentos mais velozes e agressivos com outros mais cadenciados e azedos, é uma das mais empolgantes, e que vai causar muito moshpit e slamdancing. E é muito bom ouvir o dueto de vozes agressivas. Mas cuidado: existem algumas mudanças que são surpreendentes.

“Remorse” – Muita pancadaria e agressividade exposta em momentos cheios de técnica e ritmos quebrados aqui e ali. A banda surpreende bastante o ouvinte, especialmente pelos duetos de vocais guturais e mais limpos que existem.

“Follow” – Cheia de groove extremo e moderno, aquela pegada ganchuda, técnica e abrasiva. Óbvio que o quarteto soa bem como um todo, mas é impossível não falar do trabalho de primeira das guitarras (em especial dos solos).

No mais, a banda ainda coloca “Revenge” como faixa bônus, que é a versão em inglês de “Revanche”, faixa do primeiro EP da banda, “Corrupted”, de 2012, que tem uns arranjos diferentes.

No mais, “Norganic” é composto de letras que vão de temas sociais a outros mais pessoais de cada um dos membros do quarteto, e o nome do disco pode ser traduzido como “uma nova forma orgânica encarar a vida e seus desafios”, ou seja, algo positivo e que ajuda a construir uma mentalidade crítica, mas sadia, diante da realidade que nos cerca.

Ótimo trabalho.

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