15 de out de 2016

HEREGE - Terra Morta (Álbum)


2016
Nacional

Nota: 8,5/10,0

Músicas:

1. Policia Corrupta
2. Terno e Gravata
3. Dinheiro
4. Basta de Preconceito
5. Cegueira
6. Terra Morta
7. Mentes da Alienação
8. Instinto Corrupto
9. Inferno Nuclear
10. Bandidos no Plenário
11. Em Nome do Progresso
12. Ilusão  
13. Aqui Jaz
14. Inferno Nuclear (Live)
15. Inocentes (Live)
16. Mentes da Alienação (Live)
17. Repressão (Live)  
18. Terra Morta (Live)


Banda:


Davi Ambrósio (Homem Bomba) - Baixo, vocais
Everton Silva (Peste) - Guitarra, vocais
Juliano Freitas (Herege Maldito) - Bateria

Contatos:



Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


A mistura de Death Metal com Grindcore sempre deu muito certo. Existem bandas que ficam com os pés mais fincados no Grindcore, outros do lado mais Death Metal, e outros em vários pontos na região entre ambos. Cada banda segue os preceitos sonoros que desejar, sem limites. E uma banda ótima do gênero, aqui no Brasil, é o trio HEREGE, de Iúna (ES), que se encontra na luta desde 2015, e chega com um disco muito bom, “Terra Morta”.

O enfoque da banda é mais para o lado Death Metal Old School, ou seja, possui a crueza e força do Death Metal, mas com o despojo e crueza do Grindcore. E é bem legal sentir que bandas assim ainda existem, e estão por aí vomitando suas críticas sociais nos ouvidos alheios. A velocidade, embora esteja presente em muitos momentos, não chega a ser extrema. Não é o enfoque da banda, pois este fica no peso, na simplicidade técnica e em músicas curtas, mas impactantes.

Gravado nos estúdios Nova Forma, e com mixagem e masterização de Lucas (do LucStudio), a qualidade sonora é crua, suja e bruta. Mas se esperava algo limpo e bem definido, acho que não entendeu a proposta sonora deles: aqui, é Old School, sem muitas firulas, e a sujeira faz parte do que a banda buscou para si. Pode ser que em futuros discos eles usem algo um pouco mais limpo, mas em “Terra Morta”, essa crueza toda nos lembra do clima de shows ao vivo, o que provavelmente foi a intenção deles.

A arte gráfica de Cleubber Toskko (capa) e Conrado Maroni (encarte) não é complexa. É bem simples, direta e “in your face”, algo que transmite perfeitamente o que eles querem transmitir com suas músicas.

O HEREGE tem seu lugar garantido com aqueles que preferem algo mais sujo e de raiz, e é um deleite nesse sentido. Mas lembrem-se, caros leitores: não é porque os arranjos da banda são simples que eles deixam de ter seu brilhantismo.

Melhores momentos: a ganchuda e azeda “Policia Corrupta” com seus riffs fortes e vocais guturais sujos (entremeados por gritos urrados), a cadenciada e bruta “Terno e Gravata” (que possui aquele feeling anos 90 tão precioso), a totalmente “velha guarda” “Cegueira”, a curta e empolgante “Terra Morta” (cheia de boas mudanças de ritmo), o trator Death/Grindcore “Inferno Nuclear”, a raivosa e doentia “Em Nome do Progresso”. Fora as 13 faixas do CD, ainda temos mais cinco que são bônus, gravadas no Splattercore Festival 8, onde a qualidade é bem tosca, mas audível.

No mais, o HEREGE é uma ótima banda, tem muito a oferecer e render ainda. Enquanto o próximo não chega, vamos de “Terra Morta” até os ouvidos explodirem.

Em tempo: a banda agora é um quarteto, com a entrada do guitarrista Lucas Barbosa.

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