10 de fev de 2016

DOOMSDAY CEREMONY - Black Heart (álbum)


2016
Nacional

Nota: 10,0/10,0

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia

Destaques: "Vultures of War", "I Am", "Voice of the Darkness", "Slaves of Sin", "Black Heart", "Valley of Shadows", "Fury".


No Brasil, poucas vezes temos a oportunidade de ver o quanto alguns estados são fortes no que tange às bandas. E uma cena ótima, mas pouco citada, é a do Paraná. Como essas terras já deram bandas ótimas ao Brasil, e não seria exagero citar que nomes promissores do Metal extremo são daquelas terras. Mas me atrevo a citar o DOOMSDAY CEREMONY, um veterano do Black Metal da região, como um dos três melhores grupos de lá, e um dos melhores do Brasil. Basta ouvirem "Black Heart" e terão esta mesma certeza.

Fazendo um Black Metal pesado, intenso e mórbido, com alguns toques vindos do Death Metal, mais o uso constante e bem feito de melodias herdadas do Metal tradicional dá uma diferenciada ao som do quinteto. Mas não se preocupem: todos os elementos que fazem um fã de Black Metal gostar de um disco estão em "Black Heart", e sempre mantendo um nível de qualidade bem alto.

Maiko Thomé Araújo é o produtor do disco. O equilíbrio entre o peso que a banda necessita mais timbres instrumentais agressivos e bem pensados, além de uma dose generosa de clareza deu a eles o que eles precisavam para fazer de "Black Heart" um dos melhores discos do gênero de 2016. Além disso, o trabalho gráfico de capa e layout estão ótimos, bem feitos e se enquadrando ao que o grupo mostra musicalmente. 

O talento do DOOMSDAY CEREMONY vem do fato da música da banda fluir do coração, com coragem de desafiar barreiras e modelos estilísticos pregados como verdades absolutas. Aqui, além de arranjos que não pertencem ao Metal extremo, solos de guitarra melodiosos em profusão, tudo muito bem feito, inspirado e espontâneo. E por isso, tão bom. E, além disso, temos a participação especial de Fernando Nahtaivel (do INSANE DEVOTION) nos teclados na introdução à "Slaves of Sin" e de Sucoth Benoth (o lendário vocalista do AMEN CORNER) nos backing vocals em "Vultures of War e "Slaves of Sin", que valorizam ainda mais o trabalho do quinteto.

Melhores momentos:

Vultures of War - O encontro de agressividade e melodias aqui é excelente, com belos arranjos de guitarras (e que duetos e solos fenomenais!), sob um andamento que não é nem veloz demais ou lento demais, embora existam mudanças rítmicas aqui e ali.

I Am - Uma faixa intensa, vibrante e que nos envolve completamente. Boas mudanças de andamento, baixo e bateria fazendo um trabalho de alto nível, e sem contar os vocais e backing vocals que estão perfeitos. É um dos vídeos de divulgação do CD.

Voice of the Darkness - Um dos melhores momentos do CD. Uma faixa inspirada, com belos arranjos em cada instrumento, vocalizações preciosas usando vários timbres, e mesmo mudanças de momentos incríveis. E reparem como as melodias são excelentes, fugindo do padrão mórbido enjoativo de tanto que alguns usam por aí.

Intro - É climática, intensa e pavorosa, tanto que chega a dar arrepios nos mais incautos.

Slaves of Sin - E novamente, a banda mostra-se inspirada. O casamento entre o lado mais soturno de sua música com melodias técnicas dá muito certo. É uma música rica em arranjos, mas com boas doses de agressividade. Outra que tem vídeo de divulgação.

Intro - Outra introdução, sendo mais sinfônica em alguns pontos, mas deixando um forte sentimento de que algo em por aí.
 
Black Heart - Se não soubesse que é um disco de Metal extremo, o início faz qualquer um acreditar que temos uma banda de Heavy Metal tradicional. Mas o andamento é um pouco mais lento que antes, mais climático, com alguns toques de teclados se encaixando bem no meio dessa técnica apurada e mudanças rítmicas. Baixo e bateria roubam a cena, sem subestimar as guitarras e os vocais. E que possui um lyric video para ela disponível.

Valley of Shadows - Uma faixa onde você é embalado de uma forma que não percebe. A sutileza nos arranjos e melodias é algo nada complexo, mas funciona muito bem. Em certos momentos, as guitarras nos aparentam toques dos mestres do horror, o velho MERCYFUL FATE.

Fury - Fechando o disco com um alto nível, esta aqui é cheia de contraste, entre momentos mais agressivos e outros mais sinistros. Óbvio que o lado mais melodioso aparece mais uma vez, adornado por vocais agressivos muito bem encaixados, mesmo nos momentos mais amenos. E os solos possuem uma dose de melodias que realmente parece vir não só do Metal tradicional, além dos vocais estarem extremamente versáteis.

Sim, não dá para escolher uma faixa superior a outra. O trabalho possui um nível alto como um todo.

O DOOMSDAY CEREMONY caprichou, e podemos assegurar que "Black Heart" é um disco que abrirá muitas portas. E mais uma vez, repito o que digo: o Brasil é pequeno para uma banda assim...








Músicas:

1. Vultures of War  
2. I Am  
3. Voice of the Darkness  
4. Intro  
5. Slaves of Sin  
6. Intro  
7. Black Heart  
8. Valley of Shadows  
9. Fury


Banda:

Moloch - Vocais
Ciriato - Guitarras, teclados
Rieche - Guitarras
Shaitan - Baixo
Wolff - Bateria


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