3 de nov de 2015

STONE COLD DEAD - Lava Flows (CD): Experimentalismo e peso Made in Greece

2015
Volcanic Music
Importado

Nota: 9,0/10,0

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Ser inovador dentro da cena Metal pelo mundo inteiro, muitas vezes, é visto como um pecado mortal. A motivação disso é a necessidade das pessoas de se apegarem eternamente à idéias e forma de pensamento que são transitórias. O homem evolui, a ciência evolui, a tecnologia evolui, e logo, por que cargas d'água a música, e mais especificamente o Metal, não pode evoluir?

Sinto muito, mas saudosismos e ideologias sem nexo não possuem mais lugar no mundo atual. É preciso saber evoluir e permitir que bandas e músicos se expressem da forma que melhor lhes convier. E é ótimo ouvir uma banda que desafia nossas concepções como o trio grego STONE COLD DEAD, que nos brinda com seu primeiro é ótimo disco, "Lava Flows".

A sonoridade da banda é moderna, azeda, gordurosa e cativante, misturando influências do Groove Metal com uma acentuada influência do Rock experimental. Guitarras azedas e bem graves, baixo tocado com arco, bateria pulsando com energia e boa técnica, vocais em timbres agressivos e cheios de "feeling", e tudo isso gera uma música bem diferenciada, mas abrasiva e intensa, que nos envolve completamente. Mas ao ver o nome de George Bokos, ex-guitarrista do ROTTING CHRIST e do NIGHTFALL, não é de estranhar o lado mais experimental e inovador do grupo.

O próprio George cuidou da produção (e não é de estranhar, já que trabalhos do MELECHESH e o disco solo de George Kollias foram produzidos por ele), enquanto a mixagem e a masterização foram feitas por Vasilis Gouvatsos, tudo feito no Grindhouse Studio, em Atenas. Óbvio que a sonoridade de "Lava Flows" veio bem pesada e opressiva, mas ao mesmo tempo, com uma qualidade inquestionável, aliando bons timbres e clareza instrumental (é possível compreender cada instrumento separadamente). E a arte de Costin Chioreanu (que já fez trabalhos para bandas como ARCH ENEMY, PARADISE LOST, AT THE GATES, entre outros) é muito bonita, deixando uma idéia bem subjetiva da música que se encontra no disco.

Stone Cold Dead

Arranjos bem pensados, uso de baixo acústico, estruturas harmônica experimentais, e outros pontos dão ao trabalho da banda um endosso ótimo, e graças à uma dinâmica ótima em cada canção, "Lava Flows" não cansa nossos ouvidos, e é sempre agradável. E o mais interessante é que as 9 canções são divididas em 3 grupos, chamados "Stone" (que expressa o lado mais experimental do grupo), "Cold" (onde agressividade e experimentação se equilibram bem) e "Dead" (mais agressivo e técnico, embora com ótimas melodias), com um baterista específico em cada parte.

E além George, temos Charis Pazaroulas (ex- membro da Ostrobothnian Chamber Orchestra) no baixo, e para as gravações, 3 feras na bateria: Yannis Stavropoulos (reconhecido como um grande baterista na Grécia) faz as partes em "Stone", Dimitrios Dorian (Vorskaath) toca bateria em "Cold" (e é bem conhecido por vários trabalhos, incluindo o ZAMIEL), e o monstro George Kollias (do NILE) toca na terceira parte, "Dead".

O disco inteiro é bom, cada uma das nove faixas possui identidade própria e muito a oferecer, mas verdade seja dita: é preciso ouvir várias vezes, pois não é algo simples de assimilar.

I. STONE:

Climbing the Cave - Tem um início quase que tribal, hipnótico, até virar uma apocalipse de guitarras com timbres fortes, andamento bem diversificado e os tempos são medianos. Mas podemos perceber ao mesmo tempo o lado mais focado no Groove devido aos riffs.

Cyclone Speaking - Ainda transpirando o mais intenso e melodioso Groove que possam pensar, vemos arranjos bem mais experimentais, especialmente porque a cozinha rítmica está fantástica, em especial o baixo.

Lava Flows - Uma das melhores faixas do disco. Introduzida por percussões quase tribais, logo ganha um andamento conduzido em tempo mediano, com belíssimos arranjos de baixo e bateria, mas sem deixar de lado riffs essenciais. A qualidade técnica da banda se supera em vários momentos da canção.


II. COLD:

Death Drive - Outra faixa com riffs de guitarras empolgantes, diversificada em termos técnicos, e mesmo com o Groove essencial, tem um lado um pouco mais agressivo, mas com melodias e escopo mais modernos.

The Black Snake - Mais agressividade explícita, com um jeitão experimental intenso e um festival de variações de ritmo e belo trabalho de guitarras e vocais.

Hubrism - O lado mais experimental da banda se exibe um pouco mais nesta canção, adornada por um trabalho ótimo dos vocais sobre guitarras opressivas. Mas tome cuidado, porque não é uma canção simples. É a canção do primeiro Single e lyric video de divulgação do disco.


III. DEAD:

Deconstructing the Architect - Esboçando um lado um pouquinho mais melódico nas guitarras (especialmente em solos muito bem encaixados), é outro dos melhores momentos do disco. E a bateria mostra uma técnica excelente, usando de belos bumbos duplos velozes em alguns momentos.

Umbilical Cord - Mais peso e modernidade agrupados, trazendo aquele ranço gorduroso do Groove Metal, mas ao mesmo tempo, a técnica da banda como um todo é fantástica. Basta observar o quanto riffs, vocais e base rítmica mostram de diversidade instrumental.

And the Tree Becomes a Sphere - Podemos dizer que é a melhor faixa da terceira parte. Evitando a complexidade instrumental (sem abrir mão do lado experimental de sua proposta), o grupo se sai bem. E há um feeling mais introspectivo, intenso e opressivo que permeia a canção. E mais uma vez, esses vocais mais intensos e roucos estão em ótima forma.

Digamos que o STONE COLD DEAD mostra um lado diferente da cena Metal da Grécia ao qual não estamos acostumados. Tão pouco "Lava Flows" é um disco de assimilação muito simples, mas é justamente o desafio de compreendê-lo que o torna tão especial.

Excelente revelação!



Músicas:

I. STONE:

1. Climbing the Cave
2. Cyclone Speaking
3. Lava Flows

II. COLD:

4. Death Drive
5. The Black Snake
6. Hubrism

III. DEAD:

7. Deconstructing the Architect
8. Umbilical Cord
9. And the Tree Becomes a Sphere


Banda:

George Bokos - Guitarras, vocais
Charis Pazaroulas - Contrabaixo, baixo
Yannis Stavropoulos - Bateria em "STONE"
Dimitrios Dorian (Vorskaath) - Bateria em "COLD"
George Kollias - Bateria em "DEAD"


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