30 de jul de 2015

Hammercult – Built For War

2015 – SPV/Steamhammer Records – Importado 

Nota 10,0/10,0

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Nos últimos anos, o Thrash Metal voltou com tudo, e está em evidência uma vez mais. O grande problema com isso é o número enorme de bandas que acabam pegando carona nessa prevalência, e tiram a chance de muitos. Só que, mesmo assim, alguns nomes sublimes surgem de onde menos esperamos, e tendem a ser tornarem os novos pontas-de-lança do estilo. E um desses, que ameaça o reino do Big Four e do Trio Alemão é, sem sombra de dúvidas, o excelente quinteto HAMMERCULT, de Israel, que chega com seu terceiro álbum, "Built For War".

Antes de tudo, o que diferencia o quinteto da grande maioria é justamente seu enfoque agressivo, ríspido, e até mesmo moderno (basta reparar nos tons de voz usados, na técnica das guitarras, e de baixo e bateria, que fogem bastante do convencional do estilo), mas tendo boas estruturas melodiosas que moldam cada uma das canções da banda. Os vocais de Yakir, antes mais rasgados à lá IMPALED NAZARENE, agora ganharam mais diversidade de timbres; as guitarras do veterano Guy e do novato Yuval são muito bem entrosadas, criando riffs que aliam agressividade e melodia, além de solos inspirados (e a técnica de ambos lembra um pouco a de bandas mais refinadas como KING DIAMOND e MERCYFUL FATE em alguns momentos), e a cozinha rítmica de Elad Manor (baixo) e Maayan Henik (bateria) esbanja peso, técnica e força, dando à música do grupo uma base extremamente bem feita e diversificada. O resultado da fusão de cada um desses elementos é algo opressivo, forte, pesado, moderno, cheio de energia, e principalmente, original. Se você já é fã da banda desde "Anthems of the Damned" e "Steelcrusher", vai viciar em "Built For War".

A qualidade sonora de "Built For War" é excelente, dando peso, energia e agressividade ao trabalho da banda, mas sem destruir a clareza ou obliterar as melodias. Mas ao ver o nome de Tue Madsen (que já trabalhou com HOLY MOSES, THE HAUNTED, MOONSPELL, HEAVEN SHALL BURN, DARK TRANQUILITY, entre outros) na mixagem e masterização já é garantia de um trabalho ótimo, de qualidade bem acima da média. 

Hammercult
A arte de feita por Péter Sallai é ótima, icônica, uma declaração do quinteto: sem políticos, sem bancos, sem fronteiras, sem nações, sem cultos, apenas o HAMMERCULT!

O grupo soube em "Built For War" dar aquele passo adiante de seu trabalho, sem abrir mão de sua identidade musical. A melhoria nos arranjos, as melodias mais evidentes, e o acúmulo de influências vindas do Hardcore e o lado mais despretensioso rockeiro do MOTORHEAD se aglutinaram muito bem, sem deixar a banda descaracterizada em relação ao que já fez antes. Ainda é o mesmo Thrash Metal rasgado de antes, apenas mais evoluído.

From Parts Unknown - Introdução que abre o disco, e aclimata o ouvinte.

Rise of the Hammer - Uma canção não tão veloz como é costume do gênero, mas ainda assim, agressiva e intensa, com bela amostra da força das guitarras do grupo.

I Live for This Shit - Nesta, a força da cozinha rítmica se torna mais evidente, com uma velocidade maior e que torna a faixa mais bruta e com impacto, um costume da banda. Mas reparem nos riffs insanos.

Spoils of War - As melodias são mais evidentes, belo trabalho dos vocais, usando o timbre rasgado costumeiro de Yakir com vocais limpos.

Ready to Roll - Um dos pontos mais altos do CD. A canção tem velocidade reduzida, um refrão extremamente empolgante, com um jeitão MOTORHEAD em muitos pontos, com uma força incomum das guitarras e vocais, mas não deixem de reparar no que Elad e Maayan estão fazendo na base rítmica.

Raise Some Hell - Outro ponto alto do CD. Aqui, uma faixa com aquele típico andamento em tempo médio, mais abrasiva e agressiva de doer os dentes. Mais uma vez, Guy Ben e Yuval usam de um arsenal de riffs excelentes, e Yakir usa muitos timbres de sua voz agressiva.

Blackened Blade - A velocidade volta a ser o foco, como solos ótimos. E podemos ver os elementos de "Steelcrusher" e "Anthems of the Damned" revisitados, mas sob o escopo atual do grupo.

Let It Roar - Riffs do mais puro Thrash'n'Roll dão início a outra canção rápida, mas cheia de momentos mais lentos, mostrando uma diversidade boa, sempre empolgante e apresentando backing vocals muito bem postados.

Ode to Ares (Interlude) - Uma curta e calma instrumental para nos deixar tomar fôlego.

Altar of Pain - Assim como "Let It Roar", possui variações de andamento excelentes, mas sempre, mas sendo mais agressiva e feroz, mais uma vez com riffs incríveis e bem feitos, com uma envoltória melodiosa incrível.

Blood and Fire - Mais uma vez, a força Thrash'n'Roll do grupo entra em cena, usando um andamento com velocidade nada exagerada, empolgante e com aquele jeitão mezzo Thrash, mezzo Punk/Hardcore mais uma vez, embora baixo e bateria mostrem um trabalho pesado e bem técnico.

Saturday Night Circle Pit Fight - Mais uma com forte ranço Hardcore/Thrash'n'Roll, mas sem deixar a melodia de fora (reparem nas intervenções das guitarras sob as linhas vocais), transpirando adrenalina e levando ao moshpit sem dó. Mesmo durante os solos, a banda massacra.

Road to Hell - Abrasiva, raivosa e um assassinato em massa em forma de música, com guitarras incríveis, vocais intensos e um massacre da base rítmica. 

E se você comprar a versão LP, uma surpresinha maravilhosa:

Evil Has No Boundaries - Sim, uma versão explosiva e destruidora de um dos maiores clássicos do SLAYER, com uma agressividade moderna. E mais uma vez, Yakir consegue usar uma boa diversidade de timbres vocais, bem como Guy Ben e Yuval mostram que podem respeitar o original, mas impondo o estilo de cada um solar e tocar riffs. E Elad e Maayan usam de suas próprias técnicas para abrilhantarem a música. E sim, sem desmerecer o clássico, deram uma renovada na canção. Uma homenagem a um dos maiores compositores e mais influentes guitarristas do Thrash e Death Metal, Jeff Hanneman. 

E a versão deluxe CD+DVD tem o show "Live in Tel Aviv 2014", que mostra a energia e fúria do HAMMERCULT ao vivo.

Se está cansado de esperar que o Big Four americano volte às boas, e que trio germânico pare de dar sinais de cansaço, já passou da hora de dar ouvidos ao que este quinteto tem a dizer e mostrar. Se você quer Thrash Metal de primeira linha, o HAMMERCULT é a banda perfeita para você!

Top 10 de 2015 com certeza! E lá vou eu morrer em uma grana nos importados (por que raios a SPV/Steamhammer não tem representação no Brasil???)!

ALL HAIL HAMMERCULT!




Músicas:

1. From Parts Unknown
2. Rise of the Hammer
3. I Live for This Shit 
4. Spoils of War 
5. Ready to Roll 
6. Raise Some Hell 
7. Blackened Blade 
8. Let It Roar 
9. Ode to Ares (Interlude) 
10. Altar of Pain
11. Blood and Fire 
12. Saturday Night Circle Pit Fight
13. Road to Hell
14. Evil Has No Boundaries (apenas na versão LP)


Banda:

Yakir Shochat – Vocals 
Guy Ben David – Guitars 
Yuval Kramer – Guitars 
Elad Manor – Bass 
Maayan Henik – Drums 


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