21 de jul de 2017

SUFFOCATION - ...Of the Dark Light (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 10,0/10,0

Tracklist:

1. Clarity Through Deprivation
2. The Warmth Within the Dark
3. Your Last Breaths
4. Return to the Abyss
5. The Violation
6. Of the Dark Light
7. Some Things Should Be Left Alone
8. Caught Between Two Worlds
9. Epitaph of the Credulous


Banda:


Frank Mullen - Vocais
Terrance Hobbs - Guitarras
Charlie Errigo - Guitarras
Derek Boyer - Baixo
Eric Morotti - Bateria


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


O tempo passa.

Ele é fundamental como teste para se observar como uma banda se comportará ao envelhecer. Alguns nunca mudam, outros perdem contatos com suas raízes, mas existem aqueles que mantêm sua identidade a todo custo, mas sabendo evoluir bem. E o SUFFOCATION, lendário quinteto de Long Island, Nova York (EUA) é desses que foram se apurando conforme o tempo foi passando. Basta uma ouvida em “...Of the Dark Light”, mais recente disco da banda, que a parceria entre a Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasil lançou por aqui, e entenderão o que digo.

É de saltar os olhos como o Brutal/Technical Death Metal do quinteto está cada vez mais opressivo e destruidor, mas ao mesmo tempo, refinado, bem feito e elegante. Óbvio que o estilo que a banda começou nos anos 90 em “Effigy of the Forgotten” de 1991 e “Breeding the Spawn” de 1993 só foi ficando mais apurado e consensual, sendo que a banda continua a mesma linha de “Pinnacle of Bedlam”, ou seja, esporro sonoro de qualidade, muita técnica dissonante, e tudo muito bem tocado, mas em favor da canção como um todo. Está soando coeso, pesado e firme, mas com a personalidade do quinteto.

A qualidade sonora do disco é perfeita. O trabalho de Joe Cincotta na gravação e produção, mais Zeuss na mixagem e na masterização deu fruto. A sonoridade da banda, assim como em “Pinnacle of Bedlam” (onde Jon e Zeuss também trabalharam) está translúcida de tão clara, mas isso nas mãos desse quinteto só serviu para que a porradaria incessante e técnica deles ficasse ainda mais intensa. Nenhum detalhe musical do disco é perdido (e olha que não são poucos).

Além disso, a arte gráfica de Colin Marks para a capa é linda, mostrando o tema lírico do disco: a transcendência do espírito da matéria, apenas com um enfoque mais bruto, direcionado ao Death Metal.

Extremo e de muito bom gosto, “...Of the Dark Light” chega para exterminar qualquer boato sobre a banda, e mostrar que o quinteto ainda é dono de um dos maiores arsenais de brutalidade técnica do mundo. Os vocais de Frank Mullen estão ótimos nesse timbre gutural tão característico (mas que é bem claro, a ponto de se perceber a boa dicção dele); as guitarras do veterano Terrance Hobbs e do novato Charlie Errigo estão disparando riffs excelentes e solos absurdamente insanos, mas com arranjos jazzísticos e muita dissonância; e a base rítmica do já calejado Derek Boyer (baixo) e do calouro Eric Morotti é algo de absurdo em termos de técnica e peso, cheia de mudanças inesperadas de ritmo, blast beats abusivamente velozes, gerando um granito em termos de solidez. O SUFFOCATION é único, sempre imitado, nunca superado.

Apesar de tanta técnica, a assimilação de “...Of the Dark Light” não é difícil. É ouvir e gamar de vez, especialmente por conta de composições como a muralha de riffs graníticos de “Clarity Through Deprivation” (Terrance e Charlie estão em excelente forma, com riffs muito técnicos e solos doentios), a massa sonora veloz e empolgante de “The Warmth Within the Dark” (como Frank está cantando em alto nível sobre o instrumental opressivo do quinteto), o inferno de peso, técnica e andamento variado de “Your Last Breaths” (como Derek e Eric estão formando uma base rítmica coesa e bem trabalhada, capaz de deixar os ouvidos doendo pelos blast beats variados), a saraivada de riffs brutais de “The Violation” e de “Of the Dark Light” (nessa, a cabeça chega a balançar espontaneamente devido ao estágio de hipnose que essas guitarras incitam, sem citar que as mudanças de ritmo são excelentes), o massacre sonoro imposto em “Some Things Should Be Left Alone” e “Caught Between Two Worlds” (ambas com os vocais roubando a cena de vez). Óbvio que a ótima “Epitaph of the Credulous”, do disco “Breeding the Spawn”, merece citação, já que conforme o próprio Terrance deixa claro em entrevista, a banda estava basicamente se desfazendo na época, e ouvi-la nessa roupagem mais nova e com a formação tão justa é algo que não tem preço.

Dessa forma, após tantos boatos que cercaram a banda, Frank cantou no disco e o SUFFOCATION cometeu um de seus melhores discos, se não for o melhor. E se preparem, que eles estão vindo arrasar ouvidos no Brasil em setembro. Mas até lá, vamos ouvindo “...Of the Dark Light”!


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