8 de jul de 2017

DRAGONFORCE - Reaching Into Infinity (CD + DVD)


2017
Nacional

Nota: 10,0/10,0

Tracklist:

Disco 1 (CD - Reaching Into Infinity):

1. Reaching Into Infinity
2. Ashes of the Dawn
3. Judgement Day
4. Astral Empire
5. Curse of Darkness
6. Silence
7. Midnight Madness
8. War!
9. Land of Shattered Dreams
10. The Edge of the World
11. Our Final Stand
12. Hatred and Revenge
13. Evil Dead

Disco 2 (DVD):

1. Holding On
2. Heroes of Our Time
3. Operation Ground and Pound
4. Holding On (múltiplos pontos de vista)
5. Heroes of Our Time (múltiplos pontos de vista)
6. Operation Ground and Pound (múltiplos pontos de vista)


Banda:



Marc Hudson - Vocais
Herman Li - Guitarras, backing vocals
Sam Totman - Guitarras, backing vocals
Vadim Pruzhanov - Teclados, backing vocals
Frédéric Leclercq - Baixo, backing vocals, guitarras, chorais
Gee Anzalone - Bateria, backing vocals

Convidados:

André Alvinzi - Teclados adicionais, programação adicional
Francesco Ferrini - Orquestrações
Francesco Paoli - Orquestrações
Jon Phipps - Orquestrações
Clive Nolan - Backing vocals
Emily Alice Ovenden - Backing vocals
Ronny Milianowicz - Corais
Dagge Hagelin - Corais


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Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Uma coisa que deveria se aprender desde cedo no cenário Metal é a questão do respeito ao trabalho alheio. Seja de revistas, sites, imprensa, produtores, e mesmo bandas, as pessoas deveriam nutrir respeito pelo que cada um faz. No tocante a bandas, é ainda pior: quantas e quantas não são as vezes em que uma banda que gostamos não é ofendida por ter características diferenciadas?

Talvez isso seja ranço de pessoas que gostariam que a música como um todo permanecesse estática, sem se renovar, pois o novo irrita demais aqueles que ficaram presos no tempo.

Mas ainda bem que existem bandas que fecham os ouvidos e continuam seu trabalho, apesar das muitas críticas que sofrem (a maioria delas sem sentido, baseadas em preconceitos pessoais de muitos). E fico pensando com meus botões aqui o quanto o DRAGONFORCE suporta cada vez que lança um disco novo. Mas a verdade seja dita: acertaram no alvo mais uma vez com “Reaching Into Infinity”, seu mais novo disco, que a Shinigami Records acaba de lançar no mercado nacional, na versão CD + DVD.

O estilo do sexteto não mudou praticamente nada em relação a “Maximum Overload”, de 2014: ainda o bom e velho Extreme Power Metal veloz e afinado de sempre. Os exageros técnicos são parte da personalidade musical deles, logo, não temos pelo que nos queixar. Os “shreds” das guitarras, os andamentos velozes (agora com muitos momentos mais comportados aqui e ali), vocais com timbres variados e afiados, base rítmica sólida e com momentos extremos. E que se diga de passagem: como o estilo da banda nos diverte, a parte mais importante de qualquer trabalho musical que se preze.

E, além disso, “Reaching Into Infinity” é um disco altamente divertido, com canções excelentes.

Jens Bogren, já conhecido produtor de Metal, trabalhou tanto na produção como na mixagem de “Reaching Into Infinity” (mixou 11 faixas do disco, de “Reaching Into Infinity” até “Our Final Stand”, sendo que “Hatred and Revenge” e “Evil Dead” foram mixadas por Johan Örnborg), e a masterização ficou nas mãos de Tony Lindgren. Desta forma, a sonoridade do disco é clara e poderosa, valorizando muito as frequências mais altas, médias e baixas, e por isso, o som que ouvimos está mais coeso e denso, mais cheio, digamos assim. Mas o nível de detalhes que são ouvidos é bem grande.

A arte, por sua vez, é das melhores. Ainda seguindo um pouco o estilo de “Maximum Overload” em termos de traços, a CadiesArt     (que criou a capa, o encarte e o design) fez um trabalho perfeito, e que no Digipack usado ficou lindo.

Quem se ame ou odeie o trabalho do sexteto, verdade seja dita: o DRAGONFORCE não precisa provar seu valor a quem quer que seja. Ótimos arranjos, boa dinâmica entre todos os instrumentos, orquestrações muito bem feitas, vocais de primeira, base rítmica sólida e perfeita (a entrada de Gee Anzalone deu uma energia nova e maior diversidade técnica na bateria, sem desmerecer seu antecessor), os duetos insanos e “shreds” exagerados das guitarras... E agora, com tudo muito audível (Jens Bogren is a genious!), podemos dizer que o sexto chegou ao ápice, pois não há uma canção fraca ou que destoe das outras.

Por mera referência ao leitor, uma lista para as primeiras audições:

“Ashes of the Dawn” - Uma música em que o andamento está em uma velocidade mais branda do que o grupo está acostumado, mas existem aqueles em que disparam. Belíssimo refrão, lindos vocais e backing vocals, orquestrações fenomenais e guitarras perfeitas em riffs, solos (não dá para não falar deles) e duetos envenenados. Uma típica música de abertura do sexteto.

“Judgement Day” - Nessa aqui, a velocidade já aumenta e a música ganha intensidade e impacto. Mais uma vez, vocais de primeira, arranjos maravilhosos dos teclados, um refrão de fácil assimilação, mas como Vadim (teclados), Frédéric (baixo) e Gee  (bateria) estão bem em todos os momentos.

“Curse of Darkness” - Uma música bem mais focada em ser ganchuda e envolvente que em exageros. É uma das mais simples do disco, mas mesmo assim, fenomenal, já que prioriza o trabalho dos vocais, pois como Marc canta (sabendo mudar os timbres de sua voz conforme a necessidade)!

“Silence” - Belíssima balada, algo que a banda sempre tentou, mas nunca ficou 100% antes. Agora acertaram no alvo, com um belo trabalho em termos de arranjos, guitarras limpas bem feitas, e um crescendo ótimo durante o refrão.

“Midnight Madness” - Uma música no estilo mais tradicional do DRAGONFORCE, mesmo com alguns momentos onde a velocidade cai um pouco. Óbvio que a banda não encheu a música de arranjos exagerados, deixando-a mais enxuta e acessível, o que casou perfeitamente. Reparem como as guitarras de Herman e Sam estão maravilhosas, com arranjos mais simples nos riffs, duetos ótimos e solos finíssimos (neles sim ambos cospem fogo).

“War!” - Aqui, a banda está com uma pegada mais seca, agressiva e raivosa, mas com ótimas linhas melódicas. Belíssimo solo de teclados, refrão ganchudo e belíssimos corais mais agressivos que encaixaram muito bem. E justamente esse “outfit” mais agressivo faz com que os “shreds” das guitarras soem perfeitos.

“Land of Shattered Dreams” - Ainda com peso, velocidade e certa dose de agressividade, o sexteto criou uma música bem feita, com acabamento muito bem feito em termos de arranjos, e a base rítmica está dando um show de técnica e peso.

“The Edge of the World” - Uma música mais elegante, rica em diversidade de andamentos, com lindas melodias, mas com sua dose certa de agressividade. E existem momentos mais extremos, dignos de estarem no SINSAENUM (outra banda de Frédéric), que mostram o DNA extremo do grupo (sim, extremo, algo que comentarei mais abaixo). Teclados, guitarras e vocais fazendo a festa, com belíssimo trabalho em mais de 11 minutos de música.

“Our Final Stand” - Fechando o disco, uma música ótima, em que o passado e o presente da banda se encontram e mostram como “Reaching Into Infinity” está delineando o futuro do grupo, com um jeitão enxuto, acessível e muito bem feito, com vocais backing vocals e guitarras em alta performance, mesmo durante as mudanças de andamento.

Acabou?

Que nada, a versão nacional tem duas canções bônus:

“Hatred and Revenge” - Essa tem a marca registrada do grupo, mesmo com momentos com andamento mais comportado. É um Power Metal complexo, bem tocado e com um trabalho perfeito das guitarras, do baixo e da bateria, sempre em grande performance.

“Evil Dead” - Eu AVISEI que eles têm Metal extremo no DNA. Sim, aqui temos uma versão Extreme Power Metal para o velho hino do DEATH, com teclados e tudo. Fora Frédéric, para quem ainda não sabe, Sam e Herman tocaram juntos em uma banda de Black Metal, o DEMONIAC. E como os vocais encaixaram bem (uma vez que exploram timbres mais graves e mesmo agressivos), os “shreds” e duetos de guitarras nos solos são excelentes, baixo e bateria galopando à velocidade extrema, e teclados muito bem encaixados. “Ah, não pode!”, mas eles puderam, logo, podem chorar os mais radicais.

O DVD tem canções ao vivo, gravadas na apresentação da banda no Woodstock Festival, na Polônia, em 2016. Óbvio que vem aquela tentação de comparar o que se ouve em estúdio com o ao vivo. O sentimento é que o grupo ao vivo pode perder um pouco dos exageros do estúdio (se bem que eles reproduzem quase tudo, 90% do que fazem em estúdio), mas ganham uma energia colossal, absurda. E quem fica reparando muito em Sam e Herman, torcendo por erros ou discrepâncias, a decepção é aguda: eles REALMENTE tocam tudo que tocam em estúdio ao vivo!

“Holding On”, “Heroes of Our Time” e “Operation Ground and Pound” são disponibilizadas em duas versões: a normal, com a visão de uma única câmera por vez, e aquela em que quatro câmeras mostram a banda como um todo ao mesmo tem (a tela é dividida em quatro, com quatro pontos de vista simultâneos).


Não tem jeito: o DRAGONFORCE é uma banda fabulosa, merece aplausos, e “Reaching Into Infinity” não é apenas um dos grandes discos de 2017, mas também alça o sexteto cada vez mais ao grupo seleto dos grandes nomes do Metal.




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