5 de jun de 2017

GOD DETHRONED - The World Ablaze (Álbum)


2017
Importado

Nota: 9,7/10,0


Tracklist:

1. A Call to Arms (introdução)
2. Annihilation Crusade
3. The World Ablaze
4. On the Wrong Side of the Wire
5. Close to Victory
6. Konigsberg
7. Escape Across the Ice (The White Army)
8. Breathing Through Blood
9. Messina Ridge
10. The 11th Hour


Banda:


Henri "TSK" Sattler - Vocais, guitarras
Mike Ferguson - Guitarras
Jeroen Pomper - Baixo
Michiel Van Der Plicht - Bateria


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Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Existem bandas que levam uma vida bem dura dentro do underground, mas cujos trabalhos são tão bons que pensamos nos motivos deles estarem confinados a públicos pequenos. E nisso, muitas bandas holandesas de Death Metal estão inclusas. A cena holandesa em nada deve às da Suécia e Flórida, pois as bandas das terras dos moinhos de vento são capazes de gerar discos diferenciados e de grande valor. E um dos nomes mais injustiçados é o do quarteto GOD DETHRONED, que vem em um crescendo de criatividade de muitos anos. E após um breve hiato entre 2012 e 2014, volta à carga com “The World Ablaze”, seu novo álbum.

E verdade seja dita: o quarteto mostra que ainda tem (e muito) espaço no cenário do estilo. Aliás, o cenário PRECISA deles!

A estética musical da banda apresentada em “The World Ablaze” é basicamente a mesma de seus últimos álbuns: um Death Metal tradicional brutal e agressivo nos moldes da escola dos anos 90, apenas adornado com melodias subjetivas bem sacadas (reparem bem nos solos de guitarra) e nuances mais elegantes em vários pontos, fora o uso de tempos diferenciados, evitando ficarem presos a um único tipo de ritmo o tempo todo. Mas como sempre, nas mãos de quem sabe fazer e tem o estilo no coração, o disco é um murro nos tímpanos de tão bom, e vem em ótima hora!

“The World Ablaze” teve a mixagem do mestre Dan Swanö e a masterização de Sander van der Heide no Wisseloord Studios, na Holanda. Tudo para garantir que as canções soem brutais e opressivas, mas com uma qualidade sonora clara e que nos permite compreender o que o quarteto está tocando. E sem perder aquele toque essencial de crueza que o Death Metal exige.

Na capa, a banda mais uma vez faz referência à Primeira Guerra Mundial, com uma foto em preto, branco e cinza da fase das trincheiras. Óbvio que para a temática que o grupo explora desde “Passiondale (Passchendaele)”, a capa é excelente.

Vocais guturais em alto nível e com boa dicção, guitarras despejando pesados riffs doentios e solos melodiosos, baixo e bateria mostrando peso e técnica em um desempenho para lá de excelente, o quarteto vem para detonar ouvidos e pescoços, mas com um bom gosto e refinamento excelentes.

Tempos que se alternam sob uma saraivada de riffs abusivamente pesados são os elementos da técnica “Annihilation Crusade” (reparem bem tanto nas vocalizações como nos solos de guitarra). Um inferno de peso brutal surge de “The World Ablaze”, uma música com uma pegada empolgante e um jeito requintado (mas com partes mais tradicionais em termos de Death Metal, especialmente quando os vocais começam a bafejar como se não existisse amanhã). Um leve toque de modernidade surge na opressiva “On the Wrong Side of the Wire” (onde baixo e bateria mostram uma técnica ótima e peso abusivo). Velocidade e podreira surgem logo de cara em “Close to Victory”, fora riffs ótimos surgem e cada minuto. “Konigsberg” é uma instrumental curta com guitarras limpas, introduzindo o massacre mais cadenciado e azedo de “Escape Across the Ice (The White Army)”, outra em que o trabalho de baixo e bateria criam uma base rítmica sólida e pesada. De início mais climático e soturno é “Breathing Through Blood”, mas logo surge a boa e velha agressividade do grupo, disposta a não deixa pescoços inteiros (que que vocais ótimos mais uma vez). Sedutora e cativante é “Messina Ridge” e sua levada em tempo mediana e agressiva como um tanque de guerra, mostrando uma coleção de riffs abusivamente distorcidos e solos de primeira. E os mais de seis minutos de “The 11th Hour” chegam para destruir o que restar ainda de resistência, com momentos mais cadenciados e brutais, outros com guitarras limpas soturnas, mas mantendo aquele clima denso e opressivo que só o grupo sabe criar.

“The World Ablaze” é um disco ótimo, que vem para devolver ao mundo uma banda que é essencial. E o GOD DETHRONED mostra que o lugar deles é deles, e de mais ninguém.


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