31 de mar de 2017

IMMOLATION - Atonement (álbum)


2017
Nacional

Nota: 10,0/10,0


Tracklist:

1. The Distorting Light
2. When the Jackals Come
3. Fostering the Divide
4. Rise the Heretics
5. Thrown to the Fire
6. Destructive Currents
7. Lower
8. Atonement
9. Above All
10. The Power of Gods
11. Epiphany


Banda:


Ross Dolan - Baixo, vocais
Robert Vigna - Guitarras
Alex Bouks - Guitarras
Steve Shalaty - Bateria


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Assessoria:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Desde que o Death Metal saiu dos porões do underground e conquistou legiões de fãs no início dos anos 90, muito nomes se tornaram prevalentes e influenciaram as novas gerações que viriam depois, chegando quase a sair dos limites do underground. Mas como é o caso dos gêneros do Metal, nem sempre ser uma banda excelente significa que você terá sucesso. Muitos viveram e ainda vivem restritos a poucos conhecedores. E mesmo sendo excelente, este é o caso do lendário quarteto IMMOLATION, de Yonkers (Nova York), com mais de 30 anos de muita podreira e criatividade nas costas, e que chega com seu novo disco, “Atonement”, que chega também ao Brasil via Shinigami Records/Nuclear Blast Brasil.

Em “Atonement”, não peçam ao quarteto para operar mudanças ou abrir mão do próprio estilo em prol de elementos mais modernos. O IMMOLATION é uma banda de Death Metal tradicional com sua identidade própria bem definida há anos, graças ao trabalho incessante dos veteranos Ross Dolan e Robert Vigna, agora aliados à força jovem de Alex Bouks (que está estreando na banda) e Steve Shalaty (que já se encontra no grupo há um tempo). Óbvio que a banda soa atual e bruta, graças a capacidade deles de se adaptarem, mas sempre mantendo suas características diferenciadas.

Como ocorre desde “Failures of the Gods”, “Atonement” foi produzido pelas mãos hábeis e experientes de Paul Orofino, tendo Zack Ohren na mixagem e masterização. O resultado: uma qualidade sonora explosiva e bem feita, que permite compreender sem esforços e com clareza o que o grupo está fazendo, mas beneficiando os tons instrumentais azedos de cada composição. 

Além disso, o artista Pär Olofsson fez uma arte maravilhosa para a capa, com alguns adicionais feitos por Zbigniew Bielak. E a arte gráfica exata o que o quarteto faz musical e liricamente.

Harmonias dissonantes nas guitarras (uma marca registrada do IMMOLATION), complexidade rítmica e uma agressividade raramente vista é o que o quarteto promove do início ao fim do disco, sabendo usar de tempos rápidos e lentos quando necessário, e uma elaboração musical nos arranjos muito boa. São estas as características de “Atonement” que sempre tem aquele alinhavo tradicional ao qual estamos acostumados quando lidamos com o quarteto.

Temos 11 canções do mais alto nível, o que torna quase impossível destacar uma ou outra canção. O disco é muito homogêneo.

“The Distorting Light” é uma canção brutal e opressiva, cheia de momentos em que velocidade e cadência estão em um contraste perfeito, apresentando guitarras dissonantes, e um trabalho fantástico de baixo e bateria, assim como a raivosa “When the Jackals Come”. Ainda mais azeda é “Fostering the Divide”, cujos tempos lentos deixam tudo ainda mais soturno e pesado, onde as guitarras reinam supremas com riffs muito impactantes. Em “Rise the Heretics”, temos uma canção mais simples, com vocais urrados de primeira, enquanto em “Thrown to the Fire” tem um jeito mais amargo e lento de ser, sendo extremamente envolvente ao ponto de fazer a cabeça agitar sozinha. Em “Destructive Currents”, o grupo mostra nessa velocidade mais contida de seu arsenal de riffs maciços e pesados, bem como baixo e bateria criam uma base consistente e muito pesada. Após o início lento e melodiosamente limpo, “Lower” é capaz de ensurdecer qualquer fã devido ao impacto sonoro que ela possui, ostentando mais uma vez um trabalho perfeito de baixo e bateria. Mais massacre em velocidade mais tradicional em termos de Death Metal é imposto em “Atonement”, com algumas passagens lentas em que os riffs mostram uma dissonância evidente e inserts para lá de ótimos. Novamente o sabor amargo como o fel surge em “Above All”, cheia de arranjos mais cadenciados e ótima presença dos vocais, assim como se ouve na destruidora de tímpanos “The Power of Gods” (outra com andamento não tão veloz, e com baixo e bateria mostrando uma técnica ótima). O disco fecha com a opressão imposta por “Epiphany” e sua agressividade lenta e densa, mais uma vez com destaque para o trabalho das guitarras.

Não tem jeito: “Atonement” já pode ser considerado um dos discos do ano, talvez o melhor disco de Death Metal de 2017. Se duvidarem, exponham seus ouvidos ao massacre, já que a versão nacional está ao alcance de todos.


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