7 de fev de 2017

MALKUTH - Extreme Bizarre Seduction (relançamento)


2017
Nacional

Nota: 9,5/10,0

Tracklist:

1. The Cry of Adelain (Embrace the Lesbian Goddess)
2. Deep Melancholy State: A Poetic Suicide in the Name of Loucyfer
3. My Crucial Story About the Jesus Sinner
4. Devil Bride, Our Erotic Dark Desires
5. Extreme Bizarre Seduction
6. Gilles de Rais, Lord of Rais
7. Lapidis Funebris
8. ...And Ancient Witches Consume Psychotropic Teas
9. The Demon’s Mark in my Skin
10. Deep Melancholy State: A Poetic Suicide in the Name of Loucyfer (Live in Natal/RN 2002)
11. Devil Bride, Our Erotic Dark Desires (Live in Natal/RN 2002)
12. Feast of the Grand Whore (Rotting Christ Cover) (Live in Natal/RN 2002)


Banda:


Sir Ashtaroth – Vocais, guitarras
Holocausto – Baixo (Extreme Bizarre Seduction)
Daniela Nightfall – Vocais femininos, teclados
Cyber Necro Daemon – Teclados
Nightfall – Bateria 
Flammellian Azoth - Baixo (live in Natal)


Contatos:

Sangue Frio Produções (Assessoria de Imprensa)

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Para aqueles que não sabem, o Black Metal brasileiro tem muitas contribuições históricas, mas poucos sabem que o auge do gênero por aqui se dá entre o final dos anos 90 e a primeira metade da primeira década do século XXI. Nestes anos, as bandas do estilo ou começaram a lançar discos que se tornariam clássicos de nosso cenário, ou então lançavam as bases para fazê-lo nos anos vindouros. E um dos veteranos da época era o grupo pernambucano MALKUTH, que já tendo uma boa dose de experiência no underground, lançou em 2001 “Extreme Bizarre Seduction”, seu segundo álbum. E hoje, temos em mãos a edição remasterizada e com faixas bônus desse disco clássico do cenário Black Metal brasileiro.

16 anos depois de seu lançamento original, “Extreme Bizarre Seduction” continua tão atual e sedutor como em sua época. O grupo tem uma abordagem mais sutil, melodiosa e climática de fazer sua música, com a presença de teclados sinistros e vocais femininos, alguns vocais limpos agonizantes, tudo com aquele enfoque denso que nos lembra de trabalhos de grupos do Black Metal grego como ROTTING CHRIST. Mas não se enganem, pois a banda sabe usar momentos mais velozes e agressivos. Isso mostra como o pensamento do grupo era não convencional naquele tempo, como continua sendo até os dias de hoje.

Ou seja, o MALKUTH é uma banda de primeira grandeza, com talento e criatividade de sobra.

A gravação crua e sombria daqueles tempos continua a mesma, com a diferença que o CD recebeu uma nova masterização feita por Hugo Veikon, permitindo que a aura sombria e densa do grupo possa ser mais sensível. A crueza original não atrapalha a sonoridade do grupo, mas agrega o charme da época, aquele feeling orgânico e soturno que seduziu muitos. E a nova arte, bem mais bonita que a original, é de Wagner Demonart, fazendo paralelo com o conteúdo musical/lírico do disco.

A palavra que melhor define o trabalho da banda em “Extreme Bizarre Seduction” é ousadia. Sim, pois o grupo não se furtava de fazer aquilo que queria e como queria, sem ligar para modelos de como se fazer Black Metal ou mesmo padrões estéticos. E digamos de passagem: a beleza soturna desse disco é tão grande que uma simples ouvida não lhe faz justiça. Quanto mais ouvir e entender, mais vai absorver de sua música.

Mas é justamente esta riqueza musical que faz canções como “Deep Melancholy State: A Poetic Suicide in the Name of Loucyfer” (sinuosa e cheia de belíssimas partes de teclados e vocais rasgados climáticos), “My Crucial Story About the Jesus Sinner” (um trabalho ótimo de baixo e bateria, dando diversidade de andamentos ao grupo, mas sem perder peso), “Devil Bride, Our Erotic Dark Desires” (sedutora, bela e introspectiva, onde o uso de vocais femininos contrastando com os vocais rasgados e outros mais atmosféricos dão uma magia especial à melancolia soturna dos teclados), “Extreme Bizarre Seduction” (que riffs excelentes, criativos e pesados, foram alguns solos bem eficientes), “Gilles de Rais, Lord of Rais” (grandiosa, cheia de arranjos sinistros, teclados que preenchem os espaços, guitarras de primeira linha, e tudo uma beleza soturna e que nos envolve), “Lapidis Funebris” (mais agressiva e rápida, em uma forma um pouco mais tradicional em termos de Black Metal), e “The Demon’s Mark in my Skin” que mostram o quanto o MALKUTH é importante, um dos pilares do Black Metal nacional em suas origens. E como se já não fosse demais, temos três faixas ao vivo gravadas em um show da banda em Natal (RN), em 2002: “Deep Melancholy State: A Poetic Suicide in the Name of Loucyfer” e “Devil Bride, Our Erotic Dark Desires”, e apesar da crueza do som ao vivo, se percebe o quanto eles são fiéis ao que fazem em estúdio. E para encerrar, desse mesmo show, temos uma versão infernal para “Feast of the Grand Whore” do ROTTING CHRIST, oriunda da clássica Demo Tape “Satanas Tedeum”, e que os pernambucanos souberam dar uma essência toda deles, bastando perceber a força das guitarras do grupo nessa canção mais sinuosa e preenchida com uma aura soturna densa.

“Extreme Bizarre Seduction” é um item obrigatório na coleção de qualquer fã de Metal extremo que se preze. E deve ser valorizado como tal.


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