29 de jan de 2017

INDISCIPLINE – Sanguinea (Álbum)


2017
Shinigami Records
Nacional

Nota: 9,0/10,0


Tracklist:

1. Fear in Your Eyes
2. Take It or Leave It
3. Nasty Roar
4. Burning Bridges
5. Degrees of Shade
6. Losing My Mind
7. Born Dead
8. Higher
9. Miss Daniel
10. Poison


Banda:


Alice – Vocais, baixo
Maria Fernanda Cals – Guitarras, backing vocals
Ale De La Vega – Bateria, backing vocals


Contatos:



Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Bandas de Rock’n’Roll mais cru no Brasil tem surgido aos montes nos últimos anos, denunciando o quanto a energia visceral e sujeira ainda encantam a muitos. E isso é bom, para que o que já foi feito em termos de Metal/Rock não seja perdido, mas é preciso que o músico se lembre de nunca deixar de ter aquilo que é mais importante: a personalidade.

Sim, personalidade, pois mesmo fazendo um estilo já conhecido, não se pode copiar o que já foi feito. É preciso ter identidade e sangue nos olhos, garra e vontade de se impor. Fazer “mais do mesmo” é perda de tempo. E identidade é o que o trio carioca INDISCIPLINE tem, e muito. E depois dos EP “In My Guts” (de estúdio) e “Live at Toca” (gravado ao vivo em estúdio), eis que elas chegam com seu primeiro álbum, “Sanguinea”.

Sim, temos um power trio feminino, mas é preciso dizer que o som delas, esse Rock’n’Roll sujo e cru, com evidentes influências de MOTORHEAD, AC/DC com toques de ALICE IN CHAINS e mesmo do “Man in Black” JOHNNY CASH é viciante. Sem exagerar na técnica, a banda faz uma música cheia de energia, forte e com doses bem definidas de peso e melodia. E assim, nasce um disco fundamental para o estilo no Brasil.

É ouvir e ficar viciado!

“Sangunea” nasceu cercado de muitos cuidados, pois a pré-produção foi feita por Gus Monsanto e Felipe Eregion, e posteriormente gravado no Casa do Mato sob a tutela de Felipe. Já a mixagem e a masterização são assinadas por Arkadiusz ‘Malta’ Malczewski (o mesmo que já trabalhou com DECAPITATED, BEHEMOTH, HATE e BLACK RIVER, entre outros), com essas partes feitas no Sound Division Studio, em Varsóvia (Polônia). Se está esperando algo limpo ou mesmo com aquele impacto das bandas que ‘Malta’ já trabalhou, se engana, pois o disco tem uma gravação suja e crua, como bandas do gênero precisam ter, extremamente orgânica e artesanal, mas com a devida clareza. Ou seja, ficou perfeito para o trio.

A capa do álbum é da artista Jas Helena, que pegou a idéia do que é a música do trio: algo artesanal, mas bem definido, lembrando as antigas imagens sensuais dos anos 40 e 50, onde a sexualidade era algo mais subjetivo e imaginativo.

Se vocês estavam esperando algo macio ou adocicado, é melhor pensarem duas vezes, pois “Sanguinea” é visceral, cru e bruto, mas bem acabado e com melodias de fácil assimilação e arranjos muito espontâneos e bem pensados. E essas Rock’n’Roll She Devils vieram para encher seus ouvidos com Rock’n’Roll, nem que seja na marra!

Melhores momentos do disco: a crua e azeda “Fear in Your Eyes” (com melodias de fácil assimilação e um trabalho de primeira de baixo e bateria, fora um refrão ganchudo excelente), as guitarras ferozes com riffs mais simples e bem pensados em “Take It or Leave It”, a mais cadenciada e azeda “Burning Bridges” (um trabalho muito bom dos vocais, mas as guitarras despejam riffs pesados e densos, e reparem nos solos sob os vocais), o peso mais denso e grooveado de “Degrees of Shade”, o peso cavalar aliado a lindas linhas melódicas introspectivas em “Born Dead” (incrível com a banda inteira é arrojada e sólida, permitindo ouvir com clareza cada contribuição delas, e novamente um refrão ótimo, com backing vocals fortes e bem encaixados), o típico Rock’n’Roll mais sujo e acessível em “Higher” (com melodias simples, refrão envolvente e solos cheios de wah-wah que dão aquele toque setentista absurdamente delicioso) e “Miss Daniel” (baixo e bateria de novo seguros, permitindo que vocais e backing vocals mostrem bastante sua capacidade), e a cheia de energia ‘motorheadiana’ “Poison”.

Verdade seja dita: o INDISCIPLINE é mais uma excelente revelação do underground carioca.


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