10 de dez de 2016

IN NO SENSE – Despertar (Álbum)


2016
Independente
Nacional


Tracklist:

1. Despertar
2. Cárcere
3. Cão
4. Memórias Póstumas
5. Ao Seu Alcance
6. Haciendo Tu Proprio Camino
7. P. E. A- Perpétua Escuridão Advinda
8. Precipício
9. Véu do Acusar
10. Santimônio
11. Imunidade


Banda:


Jeferson Veríssimo - Vocais
Matheus Ferreira - Guitarras
Lucas Arruda - Guitarras
Adilson Silva - Baixo
Vicente Ferreira - Bateria


Contatos:



Nota:

Originalidade: 9
Composição: 10
Produção: 8

9/10


O Brasil anda sofrendo um processo de atualização, sinal de que o velho radicalismo empoeirado dos anos 80 e 90 está cedendo, acabado, ou então, se apequenando e se tornando cada vez mais inofensivo. Isso se percebe no número de bandas de estilos mais jovens que andam surgindo no país, e no atual sucesso do Metalcore por aqui. Amem ou odeiem, o estilo veio para ficar. E é ótimo ver que a cena de Fortaleza (CE) anda antenada com isso e gerou uma banda tão boa como o IN NO SENSE, que chega com seu primeiro álbum, “Despertar”.

Sim, o quinteto se dedica ao Metalcore e canta em português, tornando seu trabalho mais simples de ser compreendido pelos fãs do país. Mas ao mesmo tempo, eles destilam uma técnica instrumental mais palatável, e evitam timbres muito baixos sem necessidade, o que permite à música do quinteto ter maior alcance, maior acessibilidade e lhes abre portas. É técnico, pesado, bruto, mas melodioso e bem feito.

Lucas Arruda e Vicente Ferreira fizeram a produção do disco, que foi gravado em Fortaleza, mas com mixagem e masterização de Adair Daufenbachem em Los Angeles, logo, a qualidade sonora de “Despertar” é de primeira, com uma sonoridade fluida, pesada, agressiva e clara. E sim, ela funciona perfeitamente para o grupo.

No que é reservado à parte gráfica, o trabalho de Jean Michel da DesignNations Artwork ficou excelente, com uma diagramação inteligente e bem feita.

A banda soube trabalhar em suas composições, mantendo cada momento de “Despertar” interessante e sempre envolvente, graças aos arranjos bem feitos e sem exageros técnicos desnecessários. Eles procuram seguir uma linha mais clássica no Metalcore, sem a técnica exagerada que muitos usam atualmente.

As 11 faixas de “Despertar” são muito boas, mas as que podem servir como guias nas primeiras audições são a bruta e trabalhada “Despertar” (que apresenta um bom trabalho técnico da banda como um todo, apenas com as guitarras e vocais se sobressaindo um pouco mais), o coice de mula de “Cárcere” e suas mudanças rítmicas (o que mostra a técnica e força de baixo e bateria, que mostram uma ótima técnica aqui), o Groove moderno e feroz de “Cão”, os momentos mais melodiosos e introspectivos que se faze presentes em “Ao Seu Alcance”, a técnica abrasiva e ganchuda de “P. E. A- Perpétua Escuridão Advinda”, o toque mais “Gothenburg Death Metal” apresentado em “Precipício” (com alguns ótimos vocais limpos), e a brutalidade cheia de variações de tempo de “Santimônio”. Mas não esqueçam: o disco inteiro é muito bom.

Uma beleza revelação do Brasil, verdade seja dita!

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia

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