23 de out de 2016

CREPTUM - Of Lies, Curses and Blood (Álbum)


2016
Nacional


Contatos:



Banda:


Tanatos - Guitarras, vocais
Deimous Nefus - Guitarras
T. Aversvs - Baixo
Animus Atra - Bateria


Músicas:

1. On the Pale Horse
2. In the Arms of Death
3. Against the Lies
4. An Inevitable End
5. Burn the Cross
6. Memento Mori
7. The Unknown Darkness
8. Through the Flames and Shadows
9. New Aeon Misanthropy
10. The Black Sword


Nota:

Originalidade: 8
Composição: 10
Produção: 9

9/10


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


O Black Metal nacional sempre foi motivo de orgulho para os fãs do gênero. Desde os primórdios da SWOBM, o Brasil sempre esteve alinhado com o que ocorria no exterior com o estilo, absorveu suas características, e se tornou um verdadeiro criadouro de bandas excelentes. De todas as múltiplas formas de se fazer Black Metal, o Brasil tem representantes de destaque, e algumas vezes, eles transcendem o que é feito fora daqui, já que música parece ser um dos fortes de nosso povo. E um dos melhores grupos da turma é o quarteto paulista CREPTUM, que desde seu retorno às atividades em 2013, vem em um crescendo de qualidade, e chega ao ápice em seu primeiro disco, “Of Lies, Curses and Blood”, que acaba de sair pela Mutilation Records.

O quarteto, fundado em 2001, tem como forma de expressão aquele Black Metal mais atmosférico e climático praticado por bandas como EMPEROR, ROTTING CHRIST e SATYRICON dos primeiros álbuns, embora tenha uma forte identidade. Musicalmente, seria algo assim, se a personalidade deles não fizesse a banda ter uma diferença sensível, pois preferem fazer as linhas melodiosas sinistras nas guitarras. E assim, se diferenciam de uma avalanche de bandas que existe por aí.

“Of Lies, Curses and Blood” foi gravado no estúdio Ponto Zero, em Santo André (SP), tendo a produção de do guitarrista Deimous Nefus, enquanto a masterização é de Neto Grous, na Absolute Master (que tem se tornado a Meca nacional quando falamos em masterização sonora). O resultado dos esforços é algo híbrido, que tem aquela pegada e atmosfera da primeira metade dos anos 90, mas ao mesmo tempo, soa com qualidade sonora clara e atual. Ou seja, o CREPTUM reescreve no disco uma característica do gênero: não é preciso ter uma gravação extremamente tosca e crua para soar à lá SWOBM.

No caso da capa, ela é de Tanatos, guitarrista/vocalista do quarteto, e ficou muito interessante. Mesmo transpirando a aura sombria do Black Metal, usaram um fundo branco e uma arte em vermelho e negro. E isso feito com qualidade profissional, mais uma vez mostrando que se pode ser profissional sem perder a essência da coisa.

O CREPTUM colocou toda sua ousadia musical para fora em “Of Lies, Curses and Blood”, criando músicas com arranjos muito bem pensados, excelente dinâmica entre instrumentos e vocais, e tudo com um alinhavo melodioso extremamente denso e melancólico, mas sem que a agressividade do grupo seja perdida.

E mesmo sendo um disco bem homogêneo, destacam-se as seguintes canções:

“On the Pale Horse” – A agressividade ríspida do quarteto se alia a uma boa dose de agressividade, criando uma canção seca, mas com muitos momentos onde melodias soturnas surgem, criando momentos extremamente mórbidos. Destaque ao trabalho técnico de baixo e bateria.

“In the Arms of Death” – A formula é a mesma da canção anterior, mas as mudanças rítmicas estão mais evidenciadas, com muito bom gosto nos arranjos rasgados das guitarras, seja nos momentos mais agressivos ou nos mais soturnos.

“An Inevitable End” – Algumas das melodias que introduzem a canção se assemelham bastante às de bandas como ABIGOR (de seus primeiros trabalhos) e NINNGHIZHIDDA, com muito enfoque nas guitarras. Mas logo começam a se alternar com levadas mais rápidas e brutais, e momentos mais amenos e fúnebres, aonde chegamos a ouvir solos melodiosos, uma participação especial de Paolo Bruno (do DESDOMINUS e THY LIGHT). E sem falar que os vocais estão excelentes.

“Burn the Cross” – A típica faixa rápida, sem muitos arranjos ou variações rítmicas. É uma canção bem tradicional, em termos de Black Metal, se não fossem pelo trabalho de baixo e bateria, que mostram alguns detalhes bem diferenciados.

“The Unknown Darkness” – Nesta, peso e cadência se reúnem para criar uma música sombria, intensa e azeda de doer os ossos. A atmosfera é intensamente mórbida, e ainda é reforçada por momentos limpos das guitarras, que são o grande destaque.

“Through the Flames and Shadows” – Alternando entre velocidade mediana e rápida, o grupo vai destilando ótimos arranjos em termos de guitarras, mas o grande destaque é mesmo para os vocais, que se encaixam perfeitamente na base instrumental.

“The Black Sword”  Introduzido por um algo semelhante à um cântico hindu, para ganhar detalhes orientais de guitarras limpas, mas logo ganha energia e peso, com uma velocidade que varia bastante entre algo um pouco mais extremo e uma cadência empolgante. É incrível ouvir como eles trabalham bem os arranjos instrumentais em meio a essas mudanças de ritmo e os vocais se encaixam muito bem na canção.

No mais, “Of Lies, Curses and Blood” coloca o CREPTUM em um patamar alto dentro do cenário extremo nacional, e mostra que valeu a pena esperar por eles.

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