15 de ago de 2016

RAGE - The Devil Strikes Again (CD Duplo)


2016

Nacional

Nota: 9,5/10,0

Músicas:

CD 1:

1. The Devil Strikes Again
2. My Way
3. Back on Track
4. The Final Curtain
5. War
6. Ocean Full of Tears
7. Deaf, Dumb and Blind
8. Spirits of the Night
9. Times of Darkness
10. The Dark Side of the Sun


CD 2 (Bônus):

1. Bring Me Down
2. Requiem
3. Into the Fire
4. Slave to the Grind
5. Bravado
6. Open Fire


Banda:

Peter "Peavy" Wagner - Baixo, vocais
Vassilios "Lucky" Maniatopoulos - Bateria, backing vocals
Marcos Rodríguez - Guitarras, backing vocals


Contatos:



Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Certos nomes da cena internacional, por mais que tenha pouco alcance em nossas terras, são lendários. Alguns são pioneiros dentro de seus estilos, mesmo quando pouco se dão conta. E o melhor de tudo: são bandas que nunca abrem mão da qualidade, que sempre botam as cartas na mesa e seguem sua própria mentalidade, fugindo de tendências, mas sempre se mantendo atuais e vigorosas. 

E podemos citar como exemplo de tal afirmativa o experiente e lendário trio germânico RAGE, que chega com seu mais novo álbum, "The Devil Strikes Again", seu vigésimo segundo disco de estúdio. E que saiu na versão nacional, em mais um presente da dobradinha formada pela Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasil.

O grupo é conhecido como sendo um dos pioneiros do Speed/Power/Heavy Metal alemão dos anos 80. Ou seja, sua música é um híbrido de agressividade com refinamento, tudo isso moldado por melodias criativas e boa técnica instrumental. E em "The Devil Strikes Again", a banda retomou o seu lado um pouco mais agressivo, como era no início dos anos 90, mas sem perder sua qualidade costumeira. E isso é fruto da vontade de ferro do veterano Peter "Peavy" Wagner, unida à adrenalina e sangue novos do grego "Lucky" (bateria) e do venezuelano Marcos Rodríguez (guitarras). 

E se preparem, pois "The Devil Strikes Again" tem uma energia agressiva que parecia ausente há algum tempo, ao mesmo tempo em que é um disco recheado por grandes momentos!

O próprio Marcos fez a produção e engenharia sonora do disco, tendo na mixagem as mãos de Christoph "Brat" Tkocz e Dan Swanö (este último ainda fez a masterização do disco). O resultado é uma sonoridade moderna e bem cuidada, mas sem deixar o trabalho soando sem peso e energia. Aliás, o que mais se espera do trio é energia, e ela está presente, e muito!

A arte de Karim König para a capa é algo bem chocante. Mas estamos falando de uma banda que nunca foi muito de ficar parada no tempo ou buscando chamar a atenção com apresentações visuais muito bonitinhas. 

Musicalmente, o RAGE mostra-se revigorado, e talvez "The Devil Strikes Again" seja o melhor trabalho do grupo em anos, equilibrando a qualidade das canções, fazendo arranjos de primeira, caprichando nos refrões, e com passagens ótimas.

Destacar uma ou outra faixa é covardia, pois o disco é excelente de ponta a ponta. Mas para auxiliar os mais preguiçosos, indicamos algumas:

"The Devil Strikes Again" - O disco já começa com uma pegada mais agressiva, recheada de riffs que beiram o Thrash Metal. A música tem momentos mais técnicos e passagens e um refrão altamente grudento. Reparem bem como o jeito de Marcos nas guitarras casou bem com a banda, com bases agressivas, solos melodiosos e bem encaixados

"My Way" - A primeira música que a banda liberou para a audição por meio de um vídeo promocional oficial. É interessante ver o uso de partes de guitarras limpas, com bases bem feitas. E, além disso, o refrão gruda nos ouvidos e não sai mais. E isso sem mencionar que "Peavy" está em grande forma, tanto no baixo como nos vocais (esse timbre rouco dele é inimitável). E que letra!

"Back on Track" - Apesar da velocidade e peso das guitarras, é uma faixa mais melodiosa, com um refrão bem acessível, e que nos ganha logo na primeira audição. E como o trabalho de "Lucky" na bateria é insano (belas conduções nos bumbos duplos e boas mudanças de ritmo).

"War" - Alternando momentos mais sinistros e introspectivos, e outros mais velozes e brutos, a banda mostra uma canção variada, e novamente, o refrão é muito bom. E a base rítmica mais uma vez rouba a cena.

"Deaf, Dumb and Blind" - Mais uma vez, a banda esbarra nos limites do Thrash Metal graças a agressividade dos riffs de guitarra. Mas justamente esse mix entre melodia, velocidade e agressividade que os tornam únicos.

"Spirits of the Night" - Aqui, certa dose do bom e velho ACCEPT dá as caras, graças ao andamento um pouco mais comportado, e ao peso pegajoso dos arranjos. Reparem bem como as guitarras mostram aquele jeito que só a escola germânica possui, além de um refrão muito bom.

"Times of Darkness" - Nesta canção, mesmo com seu peso melodioso, vemos aquela pegada Hard'n'Heavy tão peculiar das bandas mais antigas, e sem perderem o gás e o peso avassalador. 

Nisso, acaba a versão normal. Mas ainda temos 3 faixas ótimas da banda no CD 2, que são "Bring Me Down" (com sua mistura entre melodias envolventes e momentos limpos com a pegada agressiva da banda), a grudenta "Requiem" (cheia de momentos em que os arranjos de guitarras grudam nos ouvidos), e a quase baladona "Into the Fire". E se preparem para os covers que se seguem, pois as versões do RAGE são ótimas: "Slave to the Grind" (do SKID ROW, que está ótima, especialmente nos vocais), o Soft Rock ameno e envolvente de "Bravado" (do RUSH, onde as guitarras e o baixo se sobressaem bastante), e a pancada Hard'n'Heavy em "Open Fire" (do Y&T, que aqui ganhou um peso absurdo, sem deixar de lado sua pegada mais pegajosa, mostrando como o trabalho de baixo e bateria do grupo tem uma variedade musical de primeira).

Não tem jeito: quem é pioneiro, sempre terá algo a mostrar aos mais jovens. "The Devil Strikes Again" que o diga!

O RAGE não pode se aposentar tão cedo...




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