30 de mar de 2015

Eyes of Gaia – The Power of Existence (CD)

Independente
Nota 10,0/10,0

Por Marcos "Big Daddy" Garcia



O Metal sempre foi um estilo bem diversificado. Temos de bandas que usam sonoridades mais agressivas e extremas, outras fazem algo mais soturno e introspectivo, e outras que usam de muita melodia e técnica, e outras que são indecifráveis aos mais leigos. E essa diversidade é ótima para todos os fãs, já que não necessitamos escolher entre subdivisões. Tudo é Metal, no final das contas. E fazendo um trabalho ótimo no lado mais melodioso temos o excelente quinteto paulista EYES OF GAIA, de Itatiba (SP), que chega com seu primeiro álbum, o excelente “The Power of Existence”.

A banda toca o que poderíamos rotular como Heavy/Power Metal moderno, ou seja, tem técnica apurada em cada instrumento sem ser algo exagerado, uma pegada pesada e melodiosa, com ótimos refrões ganchudos, e a música do grupo soa cheia de personalidade. Existem alguns momentos mais extremos, como ouvimos em “Hidden from the Light”. Excelentes vocais, que sabem usar bem amplo espectro de tons quando a canção assim exige, um trabalho primoroso de guitarras (seja nos riffs ou nos solos, as seis cordas são em um nível absurdo de criatividade e peso), baixo e bateria pesados sempre, mas com bastante mudanças rítmicas que se encaixam perfeitamente no trabalho do grupo como um todo. E o mais importante: a banda soa coesa durante todo o disco, mas ao mesmo tempo, temos uma música pesada, de qualidade e envolvente. Se alguém se queixar, o defeito está no ouvido do queixoso, não na música.

A produção é de alto nível, clara ao ponto que cada acorde mínimo e detalhe estar exposto. Mas não se iludam: o peso do disco é enorme. Mas quando os irmãos Edu Falaschi (sim, ele mesmo, o vocalista do ALMAH) e Tito (do ZALTANA) colocam as mãos na produção, o resultado sempre é ótimo. E o trabalho gráfico como um todo é ótimo, com uma mensagem subjetiva ótima, em um trabalho concebido pelo batera Betto Cardoso e executado por G.S. 

Eyes of Gaia
A riqueza musical do quinteto transcende simples palavras. O nível de arranjos bem feitos, de composição, tudo é em níveis bem elevados, mas sempre soando espontâneo. Cada detalhe está onde tem que estar, não poderia ser retirado e nada mais pod ser acrescentado. As músicas são excelentes, simples assim. E ponha ainda as participações especiais de teclados tocados por Edu Falaschi e pelo guitarrista Bruno Tourino, mais Vitor Rodrigues dando uma canja nos vocais em “Until the Days Go Blind”. É demais para o coração...

Abrindo com a intro “Nightmare’s Beginning”, que precede “Heart Never Lies”, uma canção pesada e com boa diversidade de andamentos, mais vocais perfeitos e ótimo refrão. Uma bateria nervosa dá a partida na azeda “Until the Days Go Blind”, outra música focada no peso, com bela diversidade de vocais (o contraste entre vocais rasgados e normais é perfeito), mais o baixo aparecendo bastante. Em “Hidden from the Light”, onde o andamento é em tempo médio, temos uma faixa instigante, ganchuda e mais agressiva, mais um refrão e backing vocals perfeitos, fora solos de guitarras muito bem postados. Ganchuda, perfeita e grandiosa é “Rage of the Storm”, uma faixa levemente mais acessível, mas ainda assim esbanjando peso, e a presença de teclados e acordes limpos de guitarra dão um toque diferenciado à canção. Uma típica semi-balada elegante é o que temos em “Wake Up Call”, vibrante e com duetos perfeitos das seis cordas, fora vocalizações privilegiadas. O ataque volta em “Darker Wings”, onde melodia e peso modernos se aliam para criar uma faixa bem dinâmica, com destaque para baixo e bateria, que aparecem bastante e são o diferencial. “Full Power” nem necessita de muito mais que o título para falar por si, pois é exatamente isso: a toda potência, envolvente com vocais perfeitos. E tome peso e agressividade em “Running Out the Time”, com um refrão ótimo. Em “Stand Up Again”, existem referências musicais que remetem a IRON MAIDEN e HELLOWEEN bem evidentes (ou seja, peso e energia, mas com requinte e melodias), com um clima moderno e alguns minimalismos musicais preciosos.

“The Power of Existence” já nasceu grande, se torna um dos grandes discos do ano, e mostra que o EYES OF GAIA não é uma promessa, mas concretamente um dos nomes mais promissores do Metal nacional em 2015.




Músicas:

01. Nightmare’s Beginning
02. Heart Never Lies
03. Until the Days Go Blind
04. Hidden from the Light
05. Rage of the Storm
06. Wake Up Call
07. Darker Wings
08. Full Power
09. Running Out the Time
10. Stand Up Again


Banda:

Mário Kohn – Vocais 
Bruno Tourino – Guitarras 
Paulo Virtuoso – Guitarras 
Rodolfo Liberato – Baixo 
Betto Cardoso – Bateria 


Contatos:

Lanciare (Assessoria de Imprensa)



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