21 de out de 2014

Resenhas: Korzus - Legion (CD)

Nota 10,0/10,0

Por Marcos "Big Daddy" Garcia


Bem, falar do KORZUS é sempre um prazer, pois é uma das bandas de nosso país que está há mais tempo na ativa (estão na luta desde 1983, ou seja, 31 anos de muita luta e suor), com diversos problemas bem sérios na carreira (quem por aí esqueceu do falecido baterista Zema Paes, que partiu deste mundo após registrar o primeiro álbum da banda, "Sonho Maníaco"? ou das inúmeras mudanças de formação, especialmente nos anos 90, uma época em que o Metal andava em baixa, e para piorar, onde havia uma crise econômica dos infernos no primeiro triênio da década no Brasil?), mas que sempre esteve em evidência com um trabalho forte e revigorado a cada disco. Sim, uma das habilidades desse quinteto insano formado na Vila Pompéia (em São Paulo) é se adaptar aos novos tempos, sem nunca abrir mão de sua convicção em fazer Thrash Metal. Basta ouvir cada um dos discos da banda, desde a coletânea "SP Metal II" de 1985 até os dias de hoje e perceber que eles foram aglutinando influências, se renovando, mas a identidade permanece a mesma. E em "Legion", seu recém lançado sexto álbum, eles novamente acertam no alvo.

O Thrash Metal característico do grupo está ali, com alguns toques mais modernos, que confere um escopo mais agressivo ao trabalho musical do quinteto, assim como melodias preciosas. E como a formação está bem estabilizada desde 2008, vemos o fruto desse fator aparecendo: os vocais de Marcelo Pompeu continuam rasgados em um timbre normal bem próximo ao Crossover, ao passo que a dupla Heros Trench e Antônio Araújo (que substituiu o lendário Sílvio Golfetti) se entendem muito bem nas guitarras, criando riffs ríspidos e solos agressivos (mas com melodia), a base do veterano Dick Siebert (baixo) e Rodrigo Oliveira (bateria, outro que está com o quinteto há muitos anos, desde 1997) é coesa, firme, mas com bom nível técnico. Isso tudo misturado cria uma música que prima pela energia que brota aos borbotões em cada uma das faixas de "Legion", mas ao mesmo tempo, o bom gosto é evidente.

Produzido por Marcelo Pompeu e Heros Trench, não é à toa que a sonoridade do disco está extremamente abrasiva, seca e bruta, mas com uma clareza sonora que deixa todos os instrumentos bem claros os nossos ouvidos, de forma que se ouve cada um separadamente, mas sem que soem desconectados. Se esses dois já produzem outros trabalhos de maneira perfeita, quanto mais o da banda principal deles, oras!

Korzus
A arte transparece a agressividade ríspida das canções, mostrando que o KORZUS não vive de seu passado (cheio de glórias), mas pensa em conquistar mais e mais.

E nessa conquista, quem ganha são os fãs, já que a experiência do quinteto mostra que "Legion" é, de longe, seu disco mais maduro. Os arranjos, a dinâmica instrumental, tudo foi trabalhado com esmero e com muita sabedoria de quem sabe o que está fazendo, ajudados pelos calos das experiências em sua longa jornada no underground.

No disco, temos treze faixas excelentes e muito bem acabadas, onde ora temos uma velocidade alta, ora momentos mais cadenciados, com destaque evidente para "Lifeline" (que começa com uma introdução instrumental pesada e azeda, antes de se tornar uma explosão de agressividade, com belo trabalho dos vocais e guitarras. Mas mesmo assim, existem passagens mais cadenciadas, e notem a técnica dos solos. Chegam a ser abusivos), a curta e bruta "Lamb" (a bateria está fantástica, especialmente pela técnica nos bumbos),  a cadenciada e extremamente azeda "Broken" (mesmo assim, os riffs de Heros e Antônio são algo de absurdo em termos de agressividade e técnica, dando ótimo suporte às vocalizações ferozes de Pompeu), o pesadelo chamado "Die Alone" (meus sais, Dick e Rodrigo estão brincando de tocar! A dinâmica entre baixo e bateria está perfeita), a destruidora de pescoços "Purgatory", a diversificada e feroz "Self Hate" (mais uma vez, as guitarras roubaram a cena, em uma música com boas variações de andamento), a golfada de brutalidade "Bleeding Pride" (música do lyric vídeo de divulgação, com toques de elementos mais modernos bem evidentes, mais uma vez com uma base rítmica perfeita, sabendo ter momentos extremamente velozes nos bumbos, e outros onde a velocidade é aquela bem chegada ao Crossover), e a longa e dinâmica "Legion" (com melodias nas guitarras bem evidentes, um andamento com velocidade mediana, que deixa a faixa bem palatável aos menos acostumados).

"Legion" é uma amostra perfeita do que uma grande banda pode fazer quando alia sua personalidade à evolução sem medo de errar e ousar, mas que ao mesmo tempo, não descaracteriza o grupo.

Parabéns ao KORZUS por mais um excelente álbum!



Tracklist:

01. Lifeline
02. Lamb
03. Six Seconds
04. Broken
05. Vampiro
06. Die Alone
07. Apparatus Belli
08. Time Has Come
09. Purgatory
10. Self Hate
11. Bleeding Pride
12. Devil’s Head
13. Legion


Banda:

Marcello Pompeu – Vocais
Heros Trench – Guitarras
Antônio Araújo – Guitarras
Dick Siebert – Baixo
Rodrigo Oliveira – Bateria


Contatos:

The Ultimate Music - Press (Assessoria de imprensa)
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