2 de jul de 2014

Resenha: Judas Priest - Redeemer of Souls (CD)

Nota 10,0/10,0

Por Marcos "Big Daddy" Garcia


E eis que um dos maiores nomes do Heavy Metal de todos os tempos retorna à carga. O JUDAS PRIEST, banda que ajudou o Heavy Metal a se modernizar por duas vezes, enfim, lança seu 17° disco de estúdio, o aguardado "Redeemer of Souls".

Antes de tudo, é preciso dizer que a banda levou seis anos entre "Nostradamus" e "Redeemer of Souls", e nesse tempo, surgiram boatos sobre o encerramento de atividades e a saída de K. K. Downing, uma das forças motrizes da banda, tanto em termos de composição como em técnica de guitarras. Mas a presença de Richie Faulkner na outra guitarra não é melhor ou pior do que muitos podem alegar. Apenas é diferente, mas sem afetar o estilo que celebrizou o quinto em quase 50 anos de carreira.

Sobre "Reedemer of Souls", fica claro que o grupo soube, mais uma vez se readaptar ao tempo atual sem perder a essência de seu trabalho, ou seja, é um disco onde todos os elementos que sempre se fizeram presentes em seus discos mais uma vez se mostram. Ou seja, podemos dizer que "Redeemer of Souls" é tudo o que a banda poderia ter rendido em discos como  "British Steel" e "Screaming For Vengeance", graças à presença de Scott Travis, um baterista mais técnico que seus antecessores. E como já citado, a presença do novato Richie dá um sabor diferenciado ao disco, um pouco mais melodioso, sendo que ele ajudou no processo de composição das músicas. Já Ian Hill continua firme nas quatro cordas, sem deixar espaços vazios, Glenn Tipton ainda é um dos mestres das seis cordas, e Rob Halford mostra que sabe usar sua voz em vários tons, inclusive usando mais de timbres graves e fortes, embora não se prive de usar seus agudos clássicos vez por outra. Não é à toa que o "Metal God" é um dos vocalistas mais influentes do Heavy Metal como um todo.

Mike Exeter foi o escolhido para produzir o disco, um produtor mais jovem, mas que tem em seu currículo discos como "Cruelty and the Beast" do CRADLE OF FILTH e "The Devil You Know" do HEAVEN AND HELL, e diga-se de passagem: ele soube o que fazer, pois a sonoridade do disco está bem pesada, fluida e limpa, permitindo que o quinteto mostre seu trabalho musical sem problema algum. A arte é quase uma referência aos já já reverenciados "Painkiller" e "Jugulator", mais uma vez com uma espécie de ser divino como tema central da capa.

Judas Priest
Em termos musicais, basta dizer que o JUDAS não teve idéias de revolucionar o que já fizeram nesses 40 anos entre "Rocka Rolla" e "Reedemer of Souls", mesmo porque são responsáveis por algumas atualizações do Metal quando as coisas pareciam nubladas. Em "Redeemer of Souls", são 13 faixas que poderiam estar em discos clássicos como "Sin After Sin", "Sad Wings of Destiny", "Stained Class", ou outros, ou seja, nada inovador. Mas no caso deles, isso seria necessário?

Do início ao fim, o disco é maravilhoso, e nos trás aquela sensação do quanto a banda poderia ter rendido mais em seu passado (novamente, é uma referência ao trabalho de Dave Holland, que realmente era um baterista muito limitado para uma banda como o JUDAS PRIEST).

Melhores dores de pescoço: a clássica "Dragonaut" (reparem como o dueto de Glenn e Richie se mostra afiado), a pesada e melodiosa "Redeemer of Souls" (primeiro Single do grupo, novamente com belos solos de guitarras, fora a forma maravilhosa de voz de Rob e ótimo refrão), a pancada "Halls of Valhalla" (alguns elementos mais melódicos usados nos anos 80, especialmente no "Screaming for Vengeance" e no "Defender of the Faith" aparecem bem claros, com uma melhoria técnica graças à cozinha muito bem entrosada de Ian e Scott), a avassaladora "March of the Damned" (que nos faz voltar um pouco ao trabalho deles nos anos 70), a vibrante "Down in Flames" (grandes vocalizações e riffs muito ganchudos, mas estamos falando de mestres no assunto, logo, não se surpreendam), as mais cadenciadas e pesadas "Hell & Back" e "Cold Blood" (onde a força melódica das guitarras fica mais evidente. Realmente Glenn e Richie formam uma dupla de guitarristas e tanto!), a um pouco rápida e instigante "Metalizer" (com alguns momentos mais pesados e intensos costumeiros do grupo), e a amena "Beginning of the End".

Forte candidato a melhor disco do ano, pois o JUDAS PRIEST soube trazer seu passado para o presente, sem perder a personalidade marcante, e o futuro é promissor.




Tracklist:

01. Dragonaut
02. Redeemer of Souls
03. Halls of Valhalla
04. Sword of Damocles
05. March of the Damned
06. Down in Flames
07. Hell & Back
08. Cold Blooded
09. Metalizer
10. Crossfire
11. Secrets of the Dead
12. Battle Cry 
13. Beginning of the End


Banda:

Rob Halford - Vocais
Glenn Tipton - Guitarras
Richie Faulkner - Guitarras
Ian Hill - Baixo
Scott Travis - Bateria


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