28 de abr de 2017

GESTOS GROSSEIROS - WORLD’S HYPOCRISY (ÁLBUM)


2017

Independente
Nacional

Nota: 9,5/10,0


Tracklist:

1. Intro
2. The Ambition 
3. Intellectual Death 
4. Crushing the Cross 
5. Hate Against 
6. Killing With the Religion 
7. The Only Solution 
8. The Antichrist 
9. In the Name of God


Banda:



Kleber - Guitarras, vocais
Eduardo Ossucco - Baixo
Andy Souza - Bateria, vocais


Contatos:

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Bandcamp:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Bem, existem bandas cuja personalidade musical é tão intensa que chega a transparecer em sua música algum tipo de sentimento. Algumas, em especial no meio do Metal extremo, são tão agressivas que chegam a doer os ouvidos dos mais incautos. Mas é preciso compreender que personalidade é algo que se tem, e que embora uma banda possa evoluir, é justamente ela quem mantem a banda nos trilhos, que permite existir sinergia entre fã e banda. E nisso, meus caros, poucos grupos nacionais possuem uma personalidade tão bruta e agressiva como o trio GESTOS GROSSEIROS. E o grupo mostra em “World’s Hypocrisy” que não está de brincadeiras em termos de música!

Mesmo após 6 anos depois do lançamento de “Satanchandising”, eles voltaram ainda mais agressivos e sem fazer concessões. Mas é justamente nisso que o grupo mostra seu valor: são veteranos com quase 20 anos de underground nas costas, logo, sabe o que querem de sua música. Mas mesmo assim, o Death Metal tradicional e insano do grupo, que mostra alguns toques de Grindcore aqui e ali (mas bem subjetivos) mostra amadurecimento, uma vez que o lado musical da banda está bem evoluído. E além disso, a técnica deles não é simplória em momento algum.

O fator que mais salta os olhos é a produção sonora. 

“World’s Hypocrisy” teve o instrumental gravado no Estúdio Masterpiece, sob a custódia de Pedro Esteves, e os vocais foram gravados no UpTracks Studio pelo produtor Thomas Meyer (guitarrista da banda HELLARISE), que também fez a mixagem. E eles soube dar a banda um equilíbrio ótimo entre a clareza que nos leva a entender todos os detalhes das canções da banda, mas ao mesmo tempo, preservou a podreira sonora que o grupo carrega consigo. E sem mencionar que a gravação soa esmerada, com uma envoltória moderna que caiu como uma luva no trabalho do trio. E para a masterização, a banda entregou a responsabilidade para o estúdio Absolute Master, de São Paulo, o que deu um brilho a mais ao som da banda (como já se percebe em trabalhos anteriores feitos por eles). 

A capa, uma ilustração soturna e trabalhada em tons escuros, é de Tiago Medeiros. Óbvio que isso valoriza ainda mais o disco, pois transparece o conteúdo azedo de suas letras de forte mensagem contra a alienação. E que encarte bem feito!

Podemos dizer que “World’s Hypocrisy” é o melhor trabalho dos ogros do Metal extremo de Guarulhos. Tudo nele foi concebido de forma que a banda soe brutal e agressiva (como são suas raízes musicais), mas ao mesmo tempo, de forma bem arranjada, coesa e dinâmica, para que o ouvinte não se canse do disco.

Se bem que cansar desse disco é bem difícil!

Em oito faixas de puro amassa-crânio, citamos por mera referência a opressiva “The Ambition” (cheia de brutalidade, mostrando andamentos que oscilam de velocidade, onde o trabalho de baixo e bateria se destaca bastante), a extremada “Intellectual Death” e seu jeito Death Metal/Grindcore de ser (reparem como o contraste dos tons vocais é ótimo), a curta e crua “Hate Against” e suas passagens de guitarras bem feitas, e a técnica e brutal “Killing With the Religion”. Mas a longa e bem trabalhada “The Antichrist”, que justamente mostra todas as possibilidades: técnica, opressiva, com muitas mudanças de tempo, mas ela nos envolve desde a primeira ouvida. E o trabalho do trio como um todo é ótimo. Até mesmo alguns toques melodiosos surgem no solo de guitarra, e isso mostra uma banda sem medo de ousar, se dar um passo adiante, e de causar um choque de ordem nos fãs e no próprio gênero.

Verdade seja dita: o GESTOS GROSSEIROS pode não tem criado uma nova vertente em termos de Metal, mas com “World’s Hypocrisy”, mostram que são dignos de figurar entre os grandes nomes do Metal extremo nacional, sem sombra de dúvidas!

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