12 de jan de 2017

PATRIA – Magna Adversia (Álbum)


2017
Importado

Tracklist:

1. Infidels  
2. Axis  
3. Heartless  
4. A Two-Way Path  
5. Communion  
6. Now I Bleed  
7. Arsonist  
8. The Oath  
9. Porcelain Idols  
10. Magna Adversia


Banda:



Triumphsword - Vocais
Mantus - Guitarras, baixo, bateria
Asgeir Mickelson – Bateria 


Contatos:


Nota:

Originalidade: 9
Composição: 10
Produção: 10

10/10

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


O Black Metal brasileiro, diferentemente do que ocorre fora do Brasil, anda muito bem em termos de bandas. E podemos dizer que o Black Metal “made in Brazil” não deve absolutamente nada ao que é feito fora. Muito pelo contrário: as bandas daqui tendem a fazer algo mais honesto com elas mesmas e com seus fãs. 

Honestidade e integridade no estilo poderiam convergir para um dos maiores nomes do gênero em nosso país: PATRIA. Ativo e sempre lançando ótimos discos, a banda de Carlos Barbosa (RS) está de volta mais uma vez, e detonando mais um disco perfeito, que é “Magna Adversia”, a ser lançado em breve pela Soulseller Records.

Em termos de personalidade, o grupo continua o mesmo: cru, ríspido e agressivo, mas sempre mantendo aquela aura obscura e gélida da SWOBM. O que podemos dizer que o grupo está diferente aqui é que a crueza e agressividade de antes estão adornadas por melodias soturnas um pouco mais evidentes que antes. Ou seja, o PATRIA está mais encorpado e com um toque de elegância, bem como mais diversificado tecnicamente, mas sempre guiados pela mesma personalidade de sempre. 

O dueto produziu o disco, tendo Øystein G. Brun (guitarrista do BORKNAGAR) mais uma vez com eles, agora como co-produtor, sem mencionar que ele fez a mixagem e masterização de “Magna Adversia” no estúdio Crosound, em Garnes, na Noruega. O resultado é uma sonoridade crua e bem agressiva, o que é quase um padrão do grupo, mas com um toque de clareza fundamental para se entender o que eles estão fazendo. Ou seja, acertaram a mão mais uma vez, criando a sonoridade perfeita para eles.

A arte gráfica não chega a ser complexa, mesmo porque destoaria de todo o conceito musical/lírico da banda. A capa é maravilhosa, enquanto o encarte é trabalhado com fundo preto onde gravuras em tons de cinza se destacam sem atrapalhar a leitura das letras. Mas quem conhece os trabalhos de Marcelo Vasco (da PR2Design) sabe do que ele é capaz.

Os vocais de Triumphsword estão ótimos, sabendo trabalhar os timbres rasgados muito bem, com boa dicção e impostação perfeita; Mantus é um dos nomes mais fortes nas guitarras em termos de Black Metal mundial, uma vez que seus riffs são precisos e sempre imbuídos de uma aura de elegante escuridão (fora grudarem nos ouvidos), assim como o baixo tocado por ele soa pesado e fundamental para dar peso à base rítmica. E em “Magna Adversia”, pela primeira vez temos um baterista real, pois Asgeir Mickelson (do ABYSSIC, GOD OF ATHEISTS, SCARIOT, SPIRAL ARCHITECT, e THORNBOUND) tocou em quase todas as faixas, menos em “Magna Adversia”. Mas ao mesmo tempo, Fabiano Penna (do REBAELLIUN) fez a intro de “Now I Bleed” e as orquestrações de “Magna Adversia”, onde Øystein G. Brun programou a bateria e efeitos, e Ristow (guitarrista que toca com a banda ao vivo) fez algumas linhas de guitarra.

O disco é um deleite do começo ao fim, sem pontos fracos. Mas impossível de não citar o clima denso e azedo criado pelas guitarras em “Infidels” (rápida, mas com algumas mudanças de ritmo ótimas), a força agressiva e brutal de “Axis” (como Mantus despeja riffs de primeira sem fazer esforços, pois as guitarras se destacam mais uma vez, sem mencionar algumas passagens mais técnicas e melodias soturnas), a complexidade soturna dos tempos mais lentos de “Heartless” (Triumphsword está animal nos vocais, declamando com timbres excelentes de voz, mesmo nos momentos mais soturnos), as vozalizações diferenciadas em “A Two-Way Path” (os riffs estão amargando até a alma, e ao mesmo tempo, existe uma diversidade de timbres de voz surpreendente), a climática “Communion” (o início é bem lento e mórbido, com acordes limpos de guitarras e baixo, mas logo a faixa surge, mostrando uma levada cadenciada e extremamente climática, onde baixo e bateria mostram sua boa técnica e peso abusivo), a explosiva e veloz “Now I Bleed” (essa mais voltada ao que o PATRIA faz desde o começo de sua carreira, com aquela levada com a vibração da SWOBM, mas com alguns toques mais atuais), a mais clássica em termos de Black Metal “Arsonist” (mais uma com a pegada da SWOBM, cuja letra nos faz viajar o tempo de volta aos anos dourados do Black Metal na Noruega e todas as suas polêmicas), o açoite Black Metal chamado “The Oath” (contrastando momentos mais rápidos com outros mais melodiosos, a faixa mostra uma complexidade mais rebuscada, bem como um acabamento mais burilado e bem feito), a tradicionalidade Black Metal de “Porcelain Idols”, e a experimental e obscura “Magna Adversia”, com seus efeitos e aura soturnos, que dão aquele toque clássico final que todo disco de Black Metal que se preze tem. Ou seja, como todas as faixas foram comentadas, é motivo mais que suficiente para afirmar que destacar algo é impossível.

No mais, o PATRIA se firma mais uma vez como um dos grandes nomes do Black Metal mundial, sendo que o Brasil não tem mais espaço para uma banda desse porte.

Top 10 certo!

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