6 de dez de 2016

SABATON - The Last Stand (Álbum + DVD)


2016
Nacional

Tracklist:

Disco 1 (CD):

1. Sparta
2. Last Dying Breath
3. Blood of Bannockburn
4. Diary of an Unknown Soldier
5. The Lost Battalion
6. Rorke's Drift
7. The Last Stand
8. Hill 3234
9. Shiroyama
10. Winged Hussars
11. The Last Battle
12. All Guns Blazing (JUDAS PRIEST cover)
13. Camouflage (Stan Ridgway cover)

Disco 2 (DVD – Live In Nantes, France 2016)

1. The March to War  
2. Ghost Division  
3. Far from the Fame  
4. Uprising  
5. Midway  
6. Gott Mit Uns  
7. Resist and Bite  
8. Wolfpack  
9. Dominium Maris Baltici  
10. Carolus Rex  
11. Swedish Pagans  
12. Soldier of 3 Armies  
13. Attero Dominatus  
14. The Art of War  
15. Wind of Change  
16. To Hell and Back  
17. Night Witches  
18. Primo Victoria  
19. Metal Crüe


Banda:


Joakim Brodén - Vocais
Pär Sundström - Baixo
Thobbe Englund - Guitarras
Chris Rörland - Guitarras
Hannes Van Dahl - Bateria 


Contatos:

Facebook (Oficial)
Facebook (Sabaton Brasil)


Nota:

Originalidade: 10
Composição: 10
Produção: 10

10/10


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Atualmente, dentro do cenário mundial, algumas bandas andam se tornando fortes candidatos a serem nomes do time de cima, ou seja, do mainstream do Metal. Isso baseado em trabalhos ótimos e com capacidade de atrair novos fãs, aumentando suas próprias legiões e arregimentando mais e mais fanáticos. Um deles, sem sombra de dúvidas, é o dos Senhores da Guerra, os pagãos suecos do SABATON, cujo novo disco, “The Last Stand”, acaba de sair no Brasil graças à dobradinha entre a Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasil.

O estilo do quinteto não é segredo para mais ninguém: o mais puro e simples Power Metal de raiz, com grande influência de nomes como JUDAS PRIEST, IRON MAIDEN e ACCEPT, e tendo alguns toques do Glam Metal em suas passagens mais acessíveis. Óbvio que isso não é algo novo, mas o SABATON prima por ter personalidade, logo, nas mãos do grupo, o estilo ganha nova vida e brilho intensos, fora uma energia ímpar. E em “The Last Stand”, continuamos tendo momentos grandiosos, corais épicos, mas ao mesmo tempo, a banda se mostra musicalmente mais acessível, mais limpa, mas sem perder a mão do próprio estilo. Isso nunca.

A produção de “The Last Stand” é mais uma vez de Peter Tägtgren (guitarrista, vocalist e líder do HYPOCRISY e do PAIN), que fez toda a engenharia sonora e a mixagem, deixando a masterização nas mãos de Jonas Kjellgren. O resultado é uma sonoridade forte e pesada, mas limpa e cristalina, talvez a mais limpa que o grupo já teve, com cada instrumento em seu devido lugar, usando timbres muito bem sacados. E isso, meus caros, resulta em uma torrente de energia de bom gosto e muito, muito peso.

A arte gráfica é um espetáculo à parte, em um trabalho excelente de Péter Sallai e Chris Rörland (que trabalhou com o layout). Fora a capa e diagramação ficarem ótimas, ainda temos no encarte, como de costume, explicações de onde cada letra foi inspirada. 

Vocais usando tons graves, guitarras com riffs simples e pesados, solos de guitarra que não soam exagerados, baixo e bateria soam precisos e formando uma base rítmica sólida, o SABATON apostou em seu estilo, sem ousar demais, apenas soando um pouco mais limpo e acessível, mas sem destoar do que já fez antes. Mas sempre é bom, com arranjos bem feitos, corais de primeira, e soa agressivo e melodioso ao mesmo tempo.

As referências históricas são claras, e mesmo “The Last Stand” sendo um disco de primeira, destacam-se a épica e grandiosa “Sparta” (que fala sobre a batalha de 300 espartanos comandados pelo rei espartano Leônidas contras milhares das hordas persas de Xerxes, e isso tudo com corais de primeira, refrão grudento e belíssimos arranjos de teclados), a acessível e grudenta “Last Dying Breath” (sobre a resistência dos sérvios, liderados pelo general Dragutin Gavrilović, para defender Belgado contra os exércitos dos alemães e austro-húngaros na Primeira Guerra Mundial, e isso adornado por um trabalho fantástico de baixo e bateria), a dinâmica e envolvente “Blood of Bannockburn” (sobre a batalha de Bannockburn, nove anos após a execução de William Wallace, cheia de nuances do velho órgão Hammond e vocais ótimos mais uma vez), a formidável “The Last Stand” (que conta a história da resistência da Guarda Suíça do Vaticano ao saque de Roma, feito pelas tropas rebeldes de Carlos V, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, onde resistiram bravamente nas escadas da Basílica de São Pedro enquanto Clement VII, o Papa, fugia, e esta estória é adornada por um andamento não muito rápido, riffs de guitarra de primeira e ótimo refrão e corais), e a maravilhosa, épica e grudenta “Shiroyama” (que mostra a batalha de Shiroyama, a última rebelião de Satsuma, onde samurais japoneses despojados tentavam lutar contra a modernização do Japão, que estava extinguindo a classe; e esta é um dos grandes momentos do CD, com uma levada um pouco mais acessível, grandiosa nos arranjos de teclado, refrão grudento como eles sabem fazer, e uma rifferama infernal das guitarras aliada a uma exibição de gala dos vocais). Só que a versão nacional tem dois bônus de primeira: uma versão arrasadora para “All Guns Blazing” do JUDAS PRIEST (reparem como eles usaram alguns momentos da voz de Rob Halford, e o peso que eles usam nas guitarras), e outro para “Camouflage”, de Stan Ridgway (que fez parte do WALL OF VOODOO), que ganhou um peso absurdo, devido ao uso de uma base rítmica pesada e sólida.

No disco 2, temos o show da banda em Nantes, França.

O menu interativo só nos permite ou ver o show inteiro, ou então, escolher as canções que deseja ver. A qualidade está de primeira em tudo, seja no áudio ou no vídeo, a sincronia entre músicas e imagens é fantástica, Ao mesmo tempo, temos muitos takes de câmera mostrando como o grupo é bem recebido pelos fãs. E a energia do SABATON ao vivo é algo fantástico, surreal, contagiante, bem como usam muito de seus aparatos de show (tanque de guerra onde a bateria está assentada, pedestais com armas e capacetes), mas tudo isso fica eclipsado pelo poder de fogo dos pagãos suecos.

E o setlist do show é um delírio, com momentos fantásticos em “Ghost Brigade”, “Midway”, a fogosa e contagiante “Resist and Bite”, “Wolfpack”, a épica e empolgante “Carolus Rex” (talvez uma de suas mais conhecidas, e que leva o público ao delírio, cantando com a banda o refrão), a sempre ótima “Swedish Pagans” (o público dá um show à parte nessa, batendo palmas, cantando, participando, em uma histeria do bem), as já clássicas “The Art of War” e “To Hell and Back” (entre elas, a banda ainda tira um sarrinho bem humorado com "Winds of Change", do SCORPIONS), e o grand finale com a dobradinha “Primo Victoria” e “Metal Crüe”. E isso sem que o SABATON canse, pois o quinteto está à vontade no palco, agitando o tempo todo, e Joakim se mostra um dos grandes frontmen do Metal atualmente.

O DVD vale bastante, pois o setlist tem muita coisa que não está em "Heros on Tour", logo, ele torna a aquisição de "The Last Stand" ainda mais obrigatória (como se o CD em si já não o fizesse).

Ninguém segura esses caras, e mais uma vez, emplacam um dos discos do ano!



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