11 de nov de 2015

VISCERAL SLAUGHTER - Hell on Earth (CD): Evolução e Brutalidade aliadas


Músicas
:


01. Intro
02. Nuclear Holocaust
03. Frenzy of Sadism
04. Abyss of Stupidity
05. Hell on Earth
06. Cadaver Business
07. The Great Extermination
08. Deathcrush
2015
Oneye Records
Lazy Bones Records
Goretomb Records
Violent Records
Karazu Killer
Distro Zombie

Nacional

Nota 9,0/10,0

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Em geral, o bom de se acompanhar a carreira de uma banda é a possibilidade de sempre poder ver como esta evolui com o passar do tempo. Sim, é interessante tanto para nós, da imprensa, quanto os fãs. E algumas são sublimes, melhorando mais e mais conforme o tempo passa. É o caso do quarteto VISCERAL SLAUGHTER, vindo de Macapá, no Amapá, que nos honra mais uma vez, agora com seu ótimo "Hell on Earth".

A banda continua destilando um Death Metal bruto e sem firulas, mas sólido, compacto e agressivo de doer os ouvidos mais incautos. Óbvio que a banda mantém sua personalidade intacta, mas se percebe que os arranjos deram uma esmerada. Os vocais  de Vitor estão bem melhores, ainda com timbres extremos interessantes; Fabrício se encontra bem melhor nos riffs doentios e pesados de sempre, mas cada vez mais sua técnica se desenvolve, com alguns licks muito bem sacados, e a cozinha de Romeu (baixo) e Alberto (bateria) continua pesada e bruta, mas a técnica deles melhorou muito em relação ao disco anterior, "Cædem". E a evolução individual de cada um deles fez com que a música da banda ganhasse mais energia e certo refinamento técnico, mas sem perder o peso e brutalidade.

Alberto e Fabrício mais uma vez produziram o trabalho. O resultado é uma sonoridade mais seca e limpa que antes, mais bem definida, mas sem deixar de soar bruto e intenso. Óbvio que ainda pode dar uma melhorada no futuro, mas é bom ver que o "know-how" eles desenvolvem por si mesmos. E a arte de Rafael Tavares para a capa ficou muito boa, já mostrando uma maior preocupação do quarteto com o lado elaborado. E ainda temos como participação especial Luiz Carlos Louzada, do VULCANO e do CHEMICAL DESASTER, nos vocais em "Frenzy of Sadism".

O VISCERAL SLAUGHTER é um nome que mostra como se pode evoluir musicalmente sem deixar de manter a personalidade. Não abriram mão da brutalidade e agressividade que lhes é tão característica, mas o lado de arranjos ganhou maior primor, maior cuidado. É ouvir e ver que eles estão com sangue nos olhos!

Temos sete ótimas músicas ("Intro", como o nome deixa claro, é uma introdução apenas), todas com duração média de 3 minutos e meio, ou seja, eles não querem se exibir tecnicamente em viagens musicais longas e insossas, mas deixar os mais incautos com os ouvidos dando sinal de ocupado por horas.

Nuclear Holocaust - O lado mais técnico da banda já nos assombra logo de início, o andamento é variado, e o grupo já vai mostrando uma diversidade de riffs de guitarra ótimos, ao mesmo tempo em que a bateria já mostra que Alberto pode ser considerado um mestre das baquetas e bumbos.

Frenzy of Sadism - As guitarras mostram mais uma vez um ótimo trabalho (onde Fabrício chega a arriscar um solo bem doentio), mas as variações de tempo são excelentes, indo de momentos velozes a outros mais opressivos. E como os vocais estão bem encaixados e caprichando na dicção (o que com esses tons não é algo muito fácil de ser feito). 

Abyss of Stupidity - Um início mais lento e abrasivo, mostrando um peso absurdo e intenso, mas bruto de tal forma que nos surpreende. Mas lembrando que a banda não se fixa em um único ritmo, logo, as mudanças de andamento são ótimas, e evidenciam que Romeu e Alberto formam uma cozinha rítmica e tanto. É de saltar os olhos!

Hell on Earth - É surpreendente como a banda sabe criar algo opressivo e pesado, mas com bom gosto. Óbvio que a agressividade aqui recebe uma moldura mais encorpada, devido aos arranjos mais elaborados. Mas o trabalho das guitarras é excelente mais uma vez.

Cadaver Business - Azeda de doer (o que ara Death Metal é um excelente sinal), alguns ritmos mais quebrados, ora mais veloz, ora um pouco mais lento, mas mantendo a qualidade e peso sempre. E que vocais! 

The Great Extermination - A desgraceira não tem limites com o quarteto. Mais um festival de ótimos riffs, assentados sob uma base rítmica intensa e vocais apresentando boas mudanças de timbres. E o ritmo novamente possui alguns momentos mais arrastados (embora com bumbos extremamente velozes) fantástico.

Deathcrush - Sim, é isso que o leitor está pensando: uma releitura mais brutal e opressiva do antigo hino do MAYHEM. E sim, a canção ganhou uma roupagem Death Metal excelente, o que mostra que o grupo sabe usar muito bem sua criatividade. E o baixo aparece bastante, como na original (mas sem usar tanta distorção), e é interessante ouvir vocais guturais no lugar do rasgado a que estamos acostumados.


Banda:

Victor Figueiredo - Vocais
Fabrício Góes - Guitarras, backing vocals
Romeu Monteiro - Baixo
Alberto Martínez - Bateria

O VISCERAL SLAUGHTER não é uma promessa, mas uma realidade, merece muito respeito, e acreditem: "Hell on Earth" merece o nome que tem, e vale a aquisição!

Aliás, um disco perfeito para se usar quando houverem aqueles churrasqueiros de fim de semana que enchem o saco, ou aqueles caras com mania de pôr lixo musical em altos volumes. É a hora do acerto de contas...



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