23 de fev de 2017

HATEFULMURDER - Red Eyes (Álbum)


2017
Secret Service Records
Nacional

Nota: 10,0/10,0


Tracklist:

1. Silence Will Fall  
2. Red Eyes  
3. Tear Down  
4. Riot  
5. The Meaning of Evil  
6. Time (Enough) at Last  
7. My Battle  
8. You’re Being Watched  
9. Creature of Sorrow


Banda:


Angelica Bastos - Vocais
Renan Ribeiro - Guitarras, backing vocals
Felipe Modesto - Baixo
Thomás Martin - Bateria


Contatos:



Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Uma das forças mais atuantes no meio musical é a evolução. 

Raramente um músico consegue se abstrair dessa questão, uma vez que o aperfeiçoamento que surge pela prática, a evolução tecnológica e mesmo a necessidade de se renovar são forças extremamente intensas em todos os estilos musicais. É necessário sempre estar aberto à evolução. Mas ao mesmo tempo, é necessário saber como incorporar a evolução à personalidade musical já delineada anteriormente. E isso, o quarteto HATEFULMURDER, do Rio de Janeiro, sabe fazer muito bem. Se em “No Peace” a banda já deixava claro que comodismo não era sua praia, agora em “Red Eyes”, fica ainda mais claro como o grupo faz algo precioso.

O Thrash/Death Metal de antes está mais evoluído e encorpado, com a agressividade musical do grupo um pouco mais lapidada com as influências musicais que foram se aglutinando à sua música. Individualmente, cada um dos integrantes está muito bem: Thomás está mostrando-se um baterista peso-pesado, mas cada vez mais técnico, incorporando sutilmente passagens de fora do Metal em seu estilo. Felipe mostra a força técnica das quatro cordas, com muitos arranjos pessoais interessantes. As guitarras de Renan, antes restritas estilisticamente ao Death/Thrash Metal, ganharam maior diversidade, mais peso, e a técnica subiu em termos qualitativos. E os vocais de Angélica estão excelentes, se encaixando perfeitamente na proposta do grupo, com um trabalho gutural bem pessoal. Isso tudo se funde e cria uma música diferente, híbrida, cheia de vida, com toques modernos à lá “Gothenburg Death Metal School”, mas sem desfigurar a energia brutal e empolgante de antes. 

Trocando em miúdos: o HATEFULMURDER evoluiu muito, e quem ganha com isso são os fãs.

“Red Eyes” tem produção de João Milliet, e foi gravado nos estúdios Casa do Mato e Kolera, tendo Celo Oliveira, Felipe Eregion e Rafael Sentoma acompanhando todo o processo. O resultado é que a agressividade exposta na gravação de “No Peace” ficou mais contida e encorpada, permitindo que os timbres sonoros da banda sejam compreensíveis. Mas isso não significa que a banda não soe bruta, mas que soube balancear melhor a agressividade natural de sua música com uma qualidade sonora mais clara e compreensível. 

E a arte da capa de Orge Kalodimas, mais layout e design de Felipe Eregion, trabalhadas em fundo branco, deram um toque de classe, embora as fotos da banda deixem exposta que a motivação ainda é ser pesado e agressivo. 

A presença de Mayara “Undead” Puertas em “Time (Enough) at Last” tempera ainda mais “Red Eyes”, e realmente: o quarteto está com sangue nos olhos!

Os arranjos estão mais burilados, o nível técnico aumentou, mas sem tornar a música deles maçante. E a dinâmica das canções, bem como entre os instrumentos e vocais, está de primeira. É absurdo, algo que receberia palmas fora do Brasil.

Em “Silence Will Fall”, temos uma canção cujo andamento varia bastante, cheia de arranjos musicais bem feitos, em especial dos vocais guturais agressivos (que se encaixam perfeitamente na base instrumental forte e pesada). Quando “Red Eyes” começa, já se percebe uma canção sinuosa, mais uma vez com mudanças de ritmo ótimas, inclusive com passagens oriundas da música regional brasileira, adaptadas ao trabalho do grupo (o que permite perceber como baixo e bateria estão esbanjando técnica e refinamento no disco), fora vocais limpos aparecendo e se adaptando às partes mais simples. Embora permeada de modernidade e alguns vocais limpos, “Tear Down” relembra um pouco o estilo da banda delineado em “No Peace”, mostrando riffs raivosos e bem encaixados, enquanto “Riot” é esporrenta de doer os ouvidos, mas também mostrando a face mais tradicional da banda (mais uma vez, graças às guitarras e seus riffs ganchudos), mas trazendo momentos próximos ao Metalcore (especialmente no refrão) e o baixo mostra toques jazzísticos. E o baixo mostra momentos à lá IRON MAIDEN, passagens modernas e um show pessoal da bateria é o que aguardam nossos ouvidos na preciosa “The Meaning of Evil”. Uma vez mais, o lado Thrash/Death mais raiz da banda se evidencia em “Time (Enough) at Last”, com os vocais de Angélica e Mayara fazendo bonito, belo solo de guitarra, e uma aula da base rítmica, sendo um dos melhores momentos do CD. Passagens cheias de Groove moderno se mesclam na agressividade moderna de “My Battle”, faixa do vídeo de divulgação. O ritmo fica mais cadenciado e azedo, levemente temperado de Groove moderno em “You’re Being Watched”, permitindo ao grupo mostrar uma faceta diferenciada de sua música, e mesmo assim, o nível técnico de baixo e bateria não cai. E fechando, temos “Creature of Sorrow”, cheia de riffs variados e linhas melodiosas à lá “Gothenburg Death Metal”, além de um solo muito bem feito e com boas melodias.

Crescer interiormente é isso, e o HATEFULMURDER se mostrou mais que pronto para grandes conquistas em “Red Eyes”.

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