26 de jun de 2016

SOTO - DIVAK (Álbum)


2016
Nacional

Nota: 8,5/10,0


Músicas:

1. DIVAK
2. Weight of the World
3. FreakShow
4. Paranoia
5. Unblame
6. Cyber Masquerade
7. In My Darkest Hour
8. Forgotten
9. SuckerPunch
10. Time
11. Misfired
12. The Fall from Grace
13. Awakened


Banda:

Jeff Scott Soto - Vocais
Jorge Salan - Guitarras
BJ - Guitarras, teclados
David Z - Baixo
Edu Cominato - Bateria


Contatos:



Existem artistas que parecem picados pelo bicho-carpinteiro, como dizem os mais velhos.

A referência vale para aqueles sujeitos extremamente "workaholic", os viciados em trabalho, e alguns chegam a ser extremos. Mas se de um lado, o músico produz muito, em alguns casos, a qualidade de cada trabalho é em alto nível, onde tudo soa de primeira.

É justamente o caso do vocalista Jeff Scott Soto, conhecido por suas passagens marcantes por YNGWIE MALMSTEEN'S RISING FORCE, AXEL RUDY PELL, TALYSMAN, PANTHER, M.A.R.S., além de empreitadas solo ótimas. Mas sempre se pode esperar o inesperado dele, já que o gosto pessoal de Jeff é bem eclético em termos musicais. E no SOTO, não é diferente, que o diga "Divak", novo disco da banda.

Em termos de música, "Divak" soa como uma continuação de "Inside the Vertigo", de 2015, ou seja, ainda é aquele Metal tradicional moderno, cheio de peso e intensidade. Mas está bem mais eclético em termos de influência, sem contar que o lado técnico também está mais evidente. Sim, já que há certo swing, um groove musical diferente que permeia cada uma das músicas, mas sem deixar que o estilo já delineado pelo disco anterior se perca. E um ponto a ser ressaltado: o quinteto é extremamente talentoso.

Na produção, o próprio Jeff se alia a Edu Cominato (baterista do grupo, brasileiro que chegou a tocar no TEMPESTT) para criar uma sonoridade sólida, pesada e bem gordurosa. Mas ao mesmo tempo, o resultado em termos de clareza é de primeira, logo, fica claro que muito da modernidade sentida é vinda dos timbres modernos e ferozes dos instrumentos.

Em termos de arte, ela ficou muito boa, com um toque que mistura o clássico e o moderno. Ou seja, é um trabalho muito bem feito de Gustavo Sazes (que anda se tornando cada vez mais solicitado por artistas do exterior).

Ótimos refrões, arranjos muito bem feitos, guitarras com bases ricas e solos de primeira, baixo e bateria formando uma base rítmica sólida e bem variada, tudo isso de primeira para que JSS possa mostrar outra faceta belíssima de sua voz única. Ou seja: os vocais não são a único ponto forte de "Divak".

Melhores momentos:

"Weight of the World" - Moderna, cheia de energia, com uma pegada moderna e riffs de primeira linha. E ouçam como o refrão é ótimo, bem como o baixo mostra momentos brilhantes.

"FreakShow" - Sinuosa, ganchuda e empolgante, é rica em arranjos de primeira e com uma bateria de primeira. E novamente o refrão é algo de primeira, isso sem falar nesse groove que nos envolve de cara, sem cartão de visitas.

"Paranoia" - Outra cheia de um perfeito swing, um jeitão bem intenso e guitarras com riffs azedos e intervenções precisas. E como sempre, o refrão mostra aquela capacidade de nos conquistas nas primeiras audições.

"In My Darkest Hour" - Uma linda balada, feita com violões e teclados, fora a bateria estar muito bem. Introspectiva e melodiosa, ela passa longe de ser uma baba, pois é de uma beleza incomum.

"Forgotten" - Outra pauladaça de primeira, que começa como uma balada, ganha peso e possui um refrão excelente, melodioso e que preserva os traços mais introspectivos do início. Mas como é bom ouvir quão bom é o trabalho dessa dupla de guitarras.

"Time" - Mais uma vez, o peso se alia à melodia e a um Groove intenso e provocante, com um andamento um pouco mais cadenciado, o que privilegia o desempenho de baixo e bateria. Mas logo as guitarras dão mais peso, já que a canção ganha uma dose de velocidade e adrenalina.
  
"The Fall from Grace" - Peso e energia brotam dessa faixa ganchuda e cheia de arranjos modernos e pesados.

"Awakened" - Essa já busca ter mais peso e agressividade, mas sem deixa de lado as melodias, algo precioso para Sir JSS. Mas é muito interessante poder ouvir mais uma vez as incursões bem feitas de teclados e o trabalho caprichado de baixo e bateria.

Ah, vão reclamar que não falei do trabalho de Jeff nos vocais em "Divak". Mas respondo com uma pergunta: se faz necessário, com esse que é um dos grandes vocalistas do Metal da atualidade?

Não, chegaria a ser repetitivo ficar citando a interpretação, dicção, forma de postar a voz ou mesmo como ele canta. 

Um grande disco, sem sombra de dúvidas!


Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia




DEATH ANGEL - THE EVIL DIVIDE (Álbum)


2016
Nacional

Nota: 10,0/10,0


Músicas:

1. The Moth
2. Cause for Alarm
3. Lost
4. Father of Lies
5. Hell to Pay
6. It Can't Be This
7. Hatred United/United Hate
8. Breakaway
9. The Electric Cell
10. Let the Pieces Fall


Banda:

Mark Osegueda - Vocais
Rob Cavestany - Guitarras
Ted Aguilar - Guitarras
Damien Sisson - Baixo
Will Carroll - Bateria

Convidados:

Jason Suecof - Solo de guitarra em "Cause for Alarm"
Andreas Kisser - Solo de guitarra em "Hatred United/United Hate"      


Contatos:

Facebook (Oficial)
Facebook (Brasil)


Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


O DEATH ANGEL é, sem sombra de dúvidas, um dos nomes mais conhecidos no Thrash Metal mundial.

Apesar do surgimento arrasador no underground com "The Ultra-Violence", do sucesso como emergente com "Frolic Through the Park" e "Act III", infelizmente parou em 1991, devido à falta de maior sucesso comercial e a um acidente que deixou o ex-batera Andy Galeon mais de um ano parado. Mas após o retorno em 2001, a banda está se mantendo na ativa, sempre sob a tutela de Mark e Rob. E após o excelente "The Dream Calls for Blood", de 2013, lá vem o quinteto com outra pedrada de altíssimo nível, "The Evil Divide", que a dobradinha Shinigami Records/Nuclear Blast Records colocou no mercado nacional.

O ponto mais interessante é: como o quinteto de San Francisco consegue evoluir e manter sua identidade. Sim, "The Evil Divide" carrega todos os elementos mais fortes do Thrash Metal azedo e trabalhado que o quinteto sempre fez, mas apenas com uma sonoridade mais modernizada. É veloz, agressivo, tecnicamente muito bem feito, com melodias preciosas, a crueza que temos em "The Ultra-Violence" e "Frolic Through the Park", apenas com uma gravação limpa.

É bom preparem o pescoço!

A produção é de Jason Suecof (que já havia feito a produção de "The Dream Calls for Blood") em conjunto com Rob Cavestany (guitarrista da banda), e a masterização é de Ted Jensen. Sim, a sonoridade do disco é de alto nível, limpa e moderna, mas sem querer mudar a orientação musical do Thrash furioso do quinteto. E em termo de peso e agressividade, ficou ótima, verdade seja dita.

A arte é um trabalho de Bob Tyrrell (capa) e Mike Pracale (layout), que é bem simples e soturna, privilegiando apenas tons de branco, preto e cinza, e de certa forma, a apresentação ficou soturna. E verdade seja dita: essa arte deixou muitos com os pés atrás em relação ao que o disco poderia conter em termos musicais, mas encaixou bem.

A fórmula do DEATH ANGEL não tem segredos: Vocais furiosos e bem colocados (mas sabendo usar bem dos timbres mais limpos quando necessário, e isso comprova que a atual fase de Mark é esplendorosa), um dueto de guitarras sensacional tanto nos riffs como nos solos (Rob e Ted estão muito bem entrosados, sem contar que a criatividade é enorme), e a cozinha de Damien e Will é pesada e apresenta uma ótima técnica, sem deixar de ter peso. E isso resulta em uma música furiosa, bem arranjada, com belas mudanças de ritmo, e muito peso e bom gosto.

E podem colocar ainda como pontos a serem ressaltados as participações especiais de Jason (o produtor do disco) no solo de guitarra em "Cause for Alarm", e de Andreas Kisser no solo em "Hatred United/United Hate".

No fundo, "The Evil Divide" é um dos melhores discos da banda em todos os pontos.

Melhores momentos do disco, apenas para referência, pois ele é excelente.

"The Moth" - É uma música dinâmica, violenta e com belas intervenções dos vocais limpos em meio aos esganiçados. E as mudanças de ritmo são de primeira, privilegiando bastante o trabalho de baixo e bateria. E isso com um belo Groove permeando a canção.

"Cause for Alarm" - Um Thrashão moderno em muitos aspectos, mas sempre mantendo a personalidade forte do quinteto, inclusive com muitos momentos mais Crossover aqui e ali, devido à simplicidade. Mas como as guitarras são ótimas, bastando reparar na força dos riffs e solos de primeira.

"Lost" - A agressividade cede espaço à introspecção, mostrando como o quinteto é versátil e criativo. Os vocais estão de primeira, mostrando uma interpretação de primeira, algo difícil de ser ouvido no Thrash Metal. E alguns momentos bem técnicos e mais limpos das guitarras são excelentes.

"Father of Lies" - Sabe aquele jeito de se fazer Thrash Metal com os andamentos mais cadenciados, mas com aquele peso absurdo e aquela pegada ganchuda? Pois é, é o que temos aqui, onde baixo e bateria se destacam mais uma vez, fora o trabalho mais técnico das guitarras.

"Hell to Pay" - E então, a velocidade torna a dar as cartas, e esta canção chega a esbarrar bastante na forma de se fazer Thrash Metal à lá anos 80. Como o trabalho das guitarras está de alto nível.

"It Can't Be This" - Um belo dedilhado do baixo dá início a uma música mais arrastada e muito pesada, mas voraz e azeda. A complexidade dos vocais é surpreendente em certos momentos.

"Hatred United/United Hate"- Mais uma vez, a banda lança mão de um andamento que transita entre o lento e o veloz, criando riffs memoráveis, fora os vocais estarem de primeira.

"Breakaway" - Uma introdução bem trabalhada e cheia de Groove, e então, uma faixa mais veloz surge, deixando o fã preso na cadeira devido ao impacto e peso dessa canção. Podemos dizer que mais uma vez é uma música em que o quinteto resgata suas raízes, com belos backing vocals e belas conduções feitas pela bateria (especialmente nos dois bumbos).

"The Electric Cell" - Mais uma vez o baixo mostra seu valor, criando dedilhados ótimos para a evolução das guitarras em seu início, antes de um ataque feroz de guitarras muito bem trabalhadas, que nos leva a agitar a cabeça freneticamente. Mas é bom repararem que existem momentos em que a banda transcende o Thrash Metal, esbarrando com muita força no Thrash Metal moderno (devido ao Groove intenso) e no Metal tradicional (reparem na técnica usada nos solos de guitarra, especialmente nos duetos).

"Let the Pieces Fall" - Outra em que a técnica é bem apurada, e vemos como o grupo consegue atualizar sua forma de fazer música sem perder suas raízes. O trabalho de baixo e bateria é de primeira, sem mencionar que os vocais mudam de timbre de forma majestosa.

Se a sua versão é a importada, termina por aqui. Mas a Shinigami Records nos concede um presente: uma faixa bônus.

"Wasteland" - Aqui, vemos um cover do THE MISSION, banda de Gothic Rock. E a versão do quinteto ficou ótima, com uma maior quantidade de guitarras, e com mais peso, embora Mark tenha optado por vozes mais limpas, mas que encaixaram muito bem (e mostram o quanto ele é versátil nos vocais).

Se repararem, não destaquei faixa alguma. O disco todo é de primeira, não dá para dizer que a banda não caprichou. E merece aplausos por isso.

E nessas horas em que me pergunto: não seria melhor deixar de lado o Big Four e prestar mais atenção nas bandas fora dele?

O Thrash Metal agradece.

Ouçam sem moderação alguma, pois o DEATH ANGEL nos brinda com mais um álbum de primeira!








25 de jun de 2016

BLACKNING - ALIENATION (Álbum)


2016
Nacional

Nota: 10,0/10,0

Música:

1. Street Justice
2. Thru the Eyes
3. Mechanical Minds
4. Dark Days
5. Weapons of Intolerance
6. Dyed in Blood
7. Devil's Child
8. The Rotten Institution
9. Two-Faced Liar
10. Corporation


Banda:

Cleber Orsioli - Vocais, guitarras
Francisco Stanich - Baixo, backing vocals
Elvis Santos - Bateria, backing vocals

Contatos:



Em geral, o segundo disco de uma banda representa sua afirmação. Sim, pois se o primeiro é a apresentação, as pessoas querem ver se a banda não é apenas "fogo de palha" de um disco só. Adicionem a isso a questão da banda ter em sua formação músicos experientes, oriundos de bandas bem conhecidas no cenário.

Sentiram a pressão que a banda deve suportar quando compõe e grava seu segundo disco?

Pois é, mas tem gente que parece mesmo ser motivada pelas dificuldades, como o trio paulista BLACKNING, que após a ótima estréia em "Order of Chaos", de 2014, retorna espumando sua fúria Thrasher com "AlieNation", seu novo trabalho, que acaba de sair do forno.

O que temos em "AlieNation" é a continuação do estilo que a banda já mostrava em "Order of Chaos": Thrash Metal agressivo e bem feito, com boas melodias, mudanças de ritmo de alto nível, e mesmos toques mais extremos aqui e ali. A grande diferença do anterior é que toda estrutura harmônica e melódica da banda está mais coesa, mais sólida, e isso faz com que as canções do trio fluam de maneira mais espontânea. Sim, o BLACKNING subiu mais um degrau em termos de qualidade.

A produção e mixagem são de Fabiano Penna (guitarrista do REBAELLIUN), enquanto a masterização é de Neto Grous do estúdio Absolute Master. E o resultado é uma sonoridade seca, agressiva e ríspida, próximo aos timbres que a banda reproduz ao vivo, e que permite que o ouvinte perceba não só o trabalho instrumental da banda sem dificuldades. Mas nem por isso ela deixa de ser pesada e de impacto.

Em termos de arte, a apresentação de "AlieNation" é de primeira. Um Digipack de três páginas permitiu que Marcus Zerma, da Black Blague Design, fizesse um trabalho de primeira, que remete à arte de "Order of Chaos", mas dessa vez, mais densa e com um significado bem claro: a manipulação.

Musicalmente, o BLACKNING amadureceu, pois o Thrash Metal da banda está bem mais coeso e mostrando uma interessante influência de Crossover e mesmo HC em alguns pontos (como se pode perceber nos riffs de "Street Justice"), mas a banda está com arranjos musicais mais esmerados, e tudo está com uma estética bem cuidada, sem que a banda perca sua agressividade natural. E juntem a isso as participações especiais de Fabiano Penna nos backing vocals (que ainda programou os samples do disco), além dos vocais adicionais de André Alves (guitarrista/vocalista do STATUES ON FIRE) em "Corporation" e Lohy Silveira (baixista/vocalista do REBAELLIUN) em "Devil's Child".

O resultado disso é o que se vê nas 10 faixas de "AlieNation".

"Street Justice" - o disco abre com uma pancadaria rápida e veloz, forte e com boas mudanças de ritmo. O impacto é bruto, e onde vemos um ótimo trabalho de Elvis na bateria, especialmente nos bumbos e conduções.

"Thru the Eyes" - Outra bicuda na cara, rápida e instigante, com alguns riffs memoráveis e muita agressividade nos vocais, mesmo sendo uma canção um pouco mais simples no tocante à técnica. É incrível perceber como a banda sabe fazer músicas com mais simplicidade, mas que nos seduzem nas primeiras audições.

"Mechanical Minds" - Uma canção mais cadenciada, azeda, e de muito peso. É justamente onde Francisco "Chicão" mostra a força das quatro cordas da banda, e com Elvis, formam uma cozinha rítmica de primeira. E que bela dinâmica de arranjos e ótimos backing vocals.

"Dark Days"- Outra com certa cadência, mas que possui momentos mais rápidos. E justamente nas mudanças de ritmo, se percebe como Cléber aparece bem com riffs de primeira (e um solo inspirado), e Francisco tem seus momentos de destaque. Uma das melhores do disco!

"Weapons of Intolerance" - Uma pegada também um pouco mais lenta nos andamentos no início, mas que logo ganha mais velocidade e com boas variações rítmicas. E como os solos estão caprichados, sem contar que as bases de guitarra estão fantásticas. Belo trabalho de Cleber mais uma vez, além de backing vocals muito bem colocados.

"Dyed in Blood" - Mais uma vez, um início sombrio, onde o som um pouco mais distorcido do baixo dita as regras e aparece muito bem, até que a velocidade aumenta, e o moshpit se torna inevitável. Belas passagens de dois bumbos, backing vocals muito bons e os vocais mostram seu valor.

"Devil's Child" - A partir daqui, temos uma quadra de músicas mais curtas (menos de três minutos de duração), e essa é um Thrash ganchudo e furioso, cheio de energia, com um andamento mediano que ganha velocidade em muitos momentos. E bateria exibe uma técnica de primeira, em especial nos bumbos, além dos backing vocals estarem ótimos, além da participação excelente dos vocais de Lohy.

"The Rotten Institution" - A aura mais voltada ao Crossover dá as caras, sem que a banda perca seu jeito Thrasher. A velocidade se alia à técnica para criar uma canção de primeira, recheada com um trabalho ótimo de baixo e bateria, mas com riffs insanos e certeiros. Outra das mais ganchudas do CD.

"Two-Faced Liar" - Outra explosão de energia, com clara influência de HC e Crossover, apresentando ótimos vocais e muita agressividade, mostrando que a bateria realmente está fantástica no disco como um todo.

"Corporation" - Rapaz, como a banda capricha nos riffs! A porradaria come soltar, e mesmo sendo uma faixa com técnica musica mais simples, mostra uma riqueza de arranjos interessantes, e a participação de André nos vocais deu aquele toque a mais de agressividade.

Se ainda sendo tão jovem, o BLACKNING é capaz de fazer um disco como "AlieNation", o futuro reservado a eles deve ser brilhante!

Um dos grandes discos de Thrash Metal do ano, sem sombra de dúvidas!


Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia



23 de jun de 2016

CARNIÇA: vídeos do show com a lenda Claudio David liberados!


O dia era 08/12/12, mais precisamente num sábado, onde os gaúchos do CARNIÇA realizavam em sua cidade natal - Novo Hamburgo – o lançamento de seu terceiro disco, o aclamado “Nations Of Few”. E para abrilhantar ainda mais está noite, o CARNIÇA trouxe diretamente de Minas Gerais a lenda do Metal nacional, o guitarrista do Overdose, Claudio David, que também tinha colaborado em “Nations Of Few” na faixa “Prayers Before the Death”, onde dividiu os solos com Parahim Neto.


Para um momento tão especial e tendo a presença de uma lenda viva em seu show o CARNIÇA tratou de fazer um registro histórico, pois além de tocar a faixa “Prayers Before the Death”, CARNIÇA + Claudio David proporcionaram uma verdadeira volta aos anos 80 tocando clássicos do grande Overdose.

E você confere tudo isso e muito mais nos vídeos a seguir:

Prayers Before the Death”: https://youtu.be/PVLCniThfLw

Medleys Overdose: https://youtu.be/Wv1h2DLSrJ0

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METALMORPHOSE: confira novas datas de show



Mesmo com a produção do novo álbum à todo vapor, o METALMORPHOSE faz algumas pausas no estúdio para estarem no seu lugar preferido: os palcos.

A banda está com dois shows agendados para os próximos dias e em negociação com novas datas.


O primeiro evento acontecerá dia 24 de junho, no Planet Music, ao lado de Pot Zombies e Mystical.

O próximo será no dia 9 de julho no Teatro Leonardo Alves, intitulado ‘Ultimatum na Maldição da Máquina em Fúria’, a banda promete um grande show e tratá mais informações em breve.


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Fonte: Metal Media

ANCESTTRAL: confira capa de ‘Web of Lies’




Recentemente tendo anunciado que o novo álbum sairá pela renomada Shinigami Records, o ANCESTTRAL libera agora a capa do material.

A arte foi confeccionada pelo guitarrista e designer Leonardo Brito, que comenta “A imagem representa bem o nome do álbum e o conceito do álbum. Por fim, achei que seria bem adequado usar a máscara não só pelo título como por trazer de volta o personagem usado em nosso primeiro álbum, ‘The Famous Unknown’“.

O lançamento de ‘Web Of Lies’ está previsto para as próximas semanas e foi produzido pelo ganhador do Grammy Latino, Paulo Anhaia.


Um single do material já divulgado. “What Will You Do” foi lançado em forma de lyric vídeo e pode ser conferido aqui:



Sites Relacionados:

Fonte: Metal Media

DENNER/SHERMANN - MASTERS OF EVIL (álbum)


2016
Nacional

Nota: 10,0/10,0


Músicas:

1. Angel's Blood
2. Son of Satan
3. The Wolf Feeds at Night
4. Pentagram and the Cross
5. Masters of Evil
6. Servants of Dagon
7. Escape from Hell
8. The Baroness


Banda:

Sean Peck - Vocais
Michael Denner - Guitarras
Hank Shermann - Guitarras
Marc Grabowski - Baixo
Snowy Shaw - Bateria

Contatos:



Quando uma banda possui integrantes e experientes, com trabalhos conhecidos pela comunidade Metal do mundo inteiro, não é de se estranhar o quanto as pessoas ficam à espera de seus trabalhos com muita ansiedade. Mas bandas como o DENNER/SHERMANN não possuem medo de desafios grandes, e mesmo após o frisson causado com "Satan's Tomb", eles retornam à carga com seu disco de estréia, o ótimo "Masters of Evil".

Para quem não sabe, na banda estão músicos que já estiveram em bandas bem conhecidas: Hank Shermann e Michael Denner dispensam maiores apresentações, já que foram os responsáveis pelas seis cordas do MERCYFUL FATE em sua fase mais clássica; o baterista Snowy Shaw é mais que conhecido por também ter integrado o MERCYFUL FATE (só que nos anos 90), KING DIAMOND, THERION, DIMMU BORGIR e outros; o vocalista é Sean Peck, conhecido por seus trabalhos no CAGE e DEATH DEALER; e o baixista Marc Grabowski já tocou com Hank no DEMONICA. Ou seja, só feras com uma bagagem imensa nos ombros.

Mas o que se pode esperar de "Masters of Evil"?

Bem, quem estava esperando algo na linha do MERCYFUL FATE como nos foi servido em "Satan's Tomb", é melhor não esperar tanto. Embora existam elementos que nos leve realmente a pensar no antigo grupo de Hank e Michael, a banda mostra um peso absurdo, mas um approach um pouco mais moderno e diversificado, sem perder aquela melodia e pegada Old School que lhes é peculiar. Ou seja, existem similaridades, mas o DENNER/SHERMANN mostra que tem personalidade própria e que vai para o futuro, sem estar vivendo à sombra do passado. E é isso que faz do CD algo grandioso, maravilhoso e uma experiência única.

Preparem-se, pois os Mestres do Mal estão de volta!

Com mixagem de Arnold Lindberg (que também mixou o EP anterior) e masterização de Maor Appelbaum, a sonoridade de "Masters of Evil" é orgânica, lembrando bastante uma sonoridade mais analógica, mas sem abrir mão de uma qualidade sonora limpa e moderna.

Em termos de arte, mais uma vez, ela é de Thomas Holm, que além de ter feito a arte de "Satan's Tomb", é o mesmo que criou as artes dos clássicos do MERCYFUL FATE. E para ser bem sincero, é uma clara referência a do "Don't Break the Oath" (chegam-se a ver os contornos de tinta, ou.

Mesmo mais diversificado, o peso absurdo, as melodias envolventes e o trabalho com nuances modernas, o álbum é uma referência ao Metal tradicional dos anos 80, óbvio. Os duetos de guitarra são formidáveis, com bases lindas e solos de mestre (por favor, estamos falando de Hank Shermann e Michael Denner), uma base rítmica muito sólida e com boa técnica, e as vocalizações estão bem melhores, usando múltiplas vozes ao mesmo tempo. Mas lembro-os que Sean tem uma forte veia "halfordiana" de cantar, e é um mestre nas nos timbres agudos e graves, mas sabe muito bem mudar quando necessário, além de ser um intérprete de mão cheia.

Até a quantidade de músicas é algo bem oitentista: oito faixas, e cada uma delas é uma gema preciosa, algo de qualidade inquestionável.

Angel's Blood - Bem trabalhada e pesada, com ótimas mudanças rítmicas. Mas reparem como os riffs são criativos e bem encaixados, e que solos emocionantes.

Son of Satan - O andamento não é veloz, mas focado no trabalho das duas guitarras. Mas seria injusto não citar o ótimo refrão e as vocalizações preciosas, com gritos agudos.

The Wolf Feeds at Night - Nesta, o lado mais MERCYFUL FATE dá as caras. Riffs mais técnicos, muitos ritmos quebrados (onde a baixo e bateria dão uma aula de peso e técnica), e uma canção de muito peso e melodia. E em termos de vocais, existem momentos em que parece que o velho Ozzy dá as caras (se não for ele, caramba, Sean é um mestre!).

Pentagram and the Cross - Meus caros, que duetos fantásticos das guitarras. Aqui, temos uma canção mais melodiosa, preenchida com uma levada não tão veloz, o que mostra o quanto baixo e bateria são importantes na banda, ambos exibindo uma técnica preciosa.

Masters of Evil - O começo é mais lento e melodioso, priorizando bastante as melodias das guitarras. Mas logo a canção ganha mais adrenalina, e uma pegada mais agressiva, mas mantendo o foco nos solos de guitarra (me perdoem, mas Hank e Michael merecem ser reconhecidos como uma das melhores duplas de guitarras do Metal, sem exageros).

Servants of Dagon - Desta vez, quem se exibe bastante é Marc, mostrando uma excelente técnica nas quatro cordas. É justamente aqui que a banda mostra uma pegada mais moderna, mas sem deixar que o clima melodioso e orgânico seja perdido.

Escape from Hell - Nesta, é Snowy quem mostra um trabalho impressionante, guiando os ritmos com uma técnica apurada, com momentos em que suas conduções e bumbos são ótimos. Mas não citar os solos de guitarra chega a ser covardia.

The Baroness - Aqui, o lado mais sinistro e sombrio da banda fica exposto, com as guitarras ditando um andamento bruto e azedo (nos momentos limpos, mais uma vez Michael e Hank se mostram perfeitos), perfeito para uma mostra de quanto Sean pode ser versátil com suas vocalizações.

Óbvio que o saudosismo de muitos pode lhes nublar o julgamento. Mas acredito que algumas ouvidas em "Masters of Evil" pode lhes mostrar o quanto eles são capazes de ensinarem a muitos como se fazer Metal de qualidade.

Simplesmente maravilhoso, e um dos grandes discos do ano.


Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia