12 de ago de 2015

Ghost - Meliora (CD)

2015 - Loma Vista Records - Importado
Nota 10,0/10,0


Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


No momento atual do Metal no mundo inteiro, existe uma certa busca por um novo gigante, aquele que vai levar o gênero adiante, que vai manter a chama acesa quando os grandes nomes atuais pararem. Muitas vezes, nomes são ventilados, causando reações não tão boas, outras vezes são ufanistas. Poucos avaliam com mais profundidade os candidatos, a tal ponto de um salvador de hoje ser um João-Ninguém amanhã. Mas há aqueles que mostram que chegaram para ficar, independente se gostam ou não deles, dispostos a se manterem na luta. Pode ser que nos enganemos, mas um dos fortes candidatos ao lugar de gigante seja o sexteto sueco GHOST, que causou enorme comoção no meio desde surgiu para o mundo. E nesse momento, chega com "Meliora", seu novo disco.

Este é o terceiro disco deles, aquele que, em geral, é onde a banda consolida seu estilo. E de fato, "Meliora" nos surpreende mais uma vez, pois tem o peso e intensidade de "Opus Eponymous" de 2010 (mas sem soar tão cru), mais o refinamento e elegância de "Infestissuman" de 2013 (apenas não sendo tão acessível, musicalmente falando), e uma bela evoluída em muitos quesitos. O instrumental deu uma diversificada muito boa, mas sendo mais pesado em termos de arranjos (especialmente nas guitarras), além dos teclados estarem fazendo um trabalho muito melhor que antes. E aquela aura intensa, melodiosa e sinistra da banda está intacta, mas mais evidente.

A sonoridade mesmo da banda está bem mais encorpada e intensa, pesada e claríssima. Um trabalho muito bom de Klas Åhlund na produção, e do experiente Andy Wallace (conhecido por trabalhos com FAITH NO MORE, SEPULTURA, RUSH e outros) na mixagem. Já a arte da capa, um trabalho de Zbigniew Bielak (que já fez capas para ABSU, MAYHEM, WATAIN, entre outros) é belíssima, mais uma vez resgatando a arte usada para o antigo filme alemão "Metrópolis", de 1927 (mas quem acompanha o sexteto, sabe que é um hábito deles esse tipo de resgate).

Ghost
A musicalidade do GHOST não chega a ser algo inovador. Basta ver que as influências sonoras mais perceptíveis são bandas como BLACK SABBATH, BLUE ÖYSTER CULT, alguma coisa de DEEP PURPLE e URIAH HEEP (devido ao lado mais elegante de sua personalidade, quando os teclados ditam as regras), e muito de Rock'n'Roll dos anos 60, mais umas pitadas de Rock Progressivo. Mas cuidado, pois o som da banda não é nem um pouco datado, ou eles se limitam a serem clones de alguém, e nem mesmo aceitam serem limitados por rótulos pré-fabricados (o que é um traço de qualquer gigante). Os arranjos não são complexos, os refrões sempre marcantes e de fácil assimilação. Elementos que o sexteto usa muito bem, digamos de passagem.

Spirit - Uma música bem melodiosa e acessível, teclados climáticos, nível técnico não muito elevado, e é embalada pelo canto melodioso e quase hipnótico de Papa Emeritus III, fora as guitarras darem boas contribuições de seu modo, mas sem tirar foco dos arranjos de teclado.

From the Pinnacle to the Pit - Introduzida por acordes potentes de baixo, mais uma faixa com bons arranjos nas guitarras, sendo um pouco mais pesada e intensa que a anterior, mas sem destruir a acessibilidade, e temos um ótimo refrão.

Cirice - Um dos singles disponibilizados pela banda para os fãs antes do lançamento do CD, e uma das melhores faixas do disco. O andamento é lento, pesado e azedo, com excelentes guitarras e presença forte da bateria. Mas ao mesmo tempo, o refrão é envolvente e nos momentos mais limpos, podemos perceber a força da voz de Papa Emeritus III.

Spöksonat - Uma curtíssima instrumental de piano, climática, usada para introduzir a próxima faixa.

He Is - Uma bela e sinistra balada, com o uso amplo de cordas limpas e teclados ótimos, que dão um toque melodioso e quase Pop à lá "Infestissuman" à canção.

Mummy Dust - Outra música excelente, em que a banda sabe trabalhar muito bem o contraste entre vocais e teclados, sob uma sólida base criada por guitarras, baixo e bateria.

Majesty - Assim como "From Pinnacle to the Pit" e "Cirice", outra faixa a qual os fãs puderam ter acesso antecipado. O andamento é muito pesado (basta ouvir os riffs que os Nameless Ghouls criam), mas os teclados roubam a cena por completo, dando aquele clima de Rock Progressivo. E que solos de guitarra!

Devil Church - Aqui, mais uma instrumental, mas agora, com som de órgão de igreja criando uma atmosfera densa (embora nada tão extremo), para uma bela exibição de baixo, guitarras e bateria.

Absolution - Outra faixa pesada e intensa, já mais climática, destacando-se as guitarras da banda, que quando surgem por meio das orquestrações etéreas, são de deixar os fãs de boca aberta, e durante o refrão, dão uma amaciada com cordas mais limpas.

Deus in Absentia - Outra bem mais climática e dinâmica, com um jeitão meio de Rock Progressivo à lá anos 70, devido às orquestrações, mas ao mesmo tempo, o trabalho de Papa Emeritus III se sobressai bem.

No fundo, parem de se preocupar com descrições de rótulos ou comparações, e aproveitem a música, pois "Meliora" possui muito a oferecer.

Prontos ou não, amem ou odeiem, o GHOST veio para ficar. Se a banda se tornará um gigante ou se "Meliora" se tornará um clássico, só o tempo pode dizer. Mas que o disco estará entre os 10 mais do ano de muitos, isso é sem sombra de dúvidas!





Músicas:

01. Spirit
02. From the Pinnacle to the Pit 
03. Cirice 
04. Spöksonat 
05. He Is 
06. Mummy Dust 
07. Majesty 
08. Devil Church 
09. Absolution 
10. Deus in Absentia


Formação:

Papa Emeritus III - Vocais 
A Nameless Ghoul (Alpha/Fire) - Guitarra solo
A Nameless Ghoul (Omega/Quintessence) - Guitarra base
A Nameless Ghoul (Water) - Baixo
A Nameless Ghoul (Air) - Teclados
A Nameless Ghoul (Earth) - Bateria


Contatos:

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