13 de mar de 2017

HAVOK – Conformicide (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 10,0/10,0


Tracklist:

1. F.P.C.
2. Hang ‘Em High
3. Dogmaniacal
4. Intention to Deceive
5. Ingsoc
6. Masterplan
7. Peace is in Pieces
8. Claiming Certainty
9. Wake Up
10. Circling the Drain
11. String Break
12. Slaughtered (Pantera cover)


Banda:


David Sanchez - Vocais, guitarra base
Reece Scruggs - Guitarra solo, backing vocals
Nick Schendzielos - Baixo, backing vocals
Pete Webber - Bateria


Contatos:

Site Oficial: http://havokband.com/

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


E mais uma vez, como no passado, o Thrash Metal está vivendo um ótimo momento. Mas dessa vez, não há a prevalência de poucos nomes fortes, como era na segunda metade dos anos 80, quando se falava apenas no Big Four americano, no TESTAMENT e no trio Thrash da Alemanha. Óbvio que existiam outras bandas ótimas, mas estas são as que mais apareciam, logo, as que tinham maior suporte do público. Hoje, a atenção é quase que a mesma. E isso é bom, pois permitem que ótimas bandas recebam a devida atenção, como o destruidor de pescoços de Denver (Colorado) HAVOK, que chega com um disco de primeira, o murro nos tímpanos chamado “Conformicide”.

Em “Conformicide”, a banda exibe uma sábia dose de Thrash Metal agressivo e cheio de partes mais grooveadas (como é evidente em “F.P.C.”), além de uma energia absurda. Sim, os caras despejam uma ferocidade absurda, com claras referências ao Crossover de bandas como D.R.I., NUCLEAR ASSAULT, mas ao mesmo tempo com uma massa pesada de riffs que tem aquele jeitão bem EXODUS de ser. Mas são apenas influências, já que o quarteto desce a porrada sem dó de ninguém com muita personalidade, e sem medo de ousar, de fugir do ponto comum e dos clichês, sem falar que a técnica musical do quarteto é muito boa (reparem no baixo em “Hang ‘Em High”).

E sim, o HAVOK não é politicamente correto em momento algum. Aliás, é ofensivo, rude e bruto, como uma banda de Thrash Metal deve ser.

Produzido e mixado por Steve Evetts (que possui em seu currículo trabalhos com SYMPHONY X, EVERY TIME I DIE, M.O.D., SEPULTURA, entre outros), a sonoridade bruta e agressiva de “Conformicide” foge do convencional, mas justamente por isso o quarteto soa maduro e forte. É um murro nos ouvidos com todos os instrumentos soando claramente e com timbres ferozes, mas longe do ponto comum do Thrash Metal. Já a arte da capa é uma declaração, um convite a pensar fora da caixa, sem nenhum tipo de prisão mental a qual nos prendemos por um sentimento de egolatria misturado com a necessidade de sermos adulados ou elogiados. 

Em “Conformicide”, o HAVOK mostra-se mais elaborado, com arranjos bem feitos e uma dinâmica maior. E por ser o primeiro disco do baixista Nick Schendzielos (que é do CEPHALIC CARNAGE e do JOB FOR A COWBOY, e já tocou com o CATTLE DECAPITATION), ele mostra muito serviço e técnica o que permitiu que o quarteto mostrasse mais de sua técnica e que as faixas fossem mais bem acabadas que antes.

Logo, resta responder uma pergunta: “Conformicide” é um bom disco.

Esta resposta pode ser dada por canções a rápida e brutal “Hang ‘Em High” (onde o baixo se destaca bastante, fora um refrão raçudo e um acabamento excelente), o pesadelo cheio mudanças rítmicas de “Dogmaniacal” (reparem como a bateria de Pete Webber é criativa e técnica, dando suporte técnico pesado ao grupo), a mais técnica e com andamento em velocidade mediana “Intention to Deceive”, as passagens melodiosas em “Ingsoc” (que não descaracterizam a agressividade explícita dos riffs de guitarra de David e Reece), a golfada técnica Thrasher de “Masterplan” (onde o vocal de David está muito bem, fora os backing vocals raçudos e slaps de baixo encaixarem perfeitamente), o grito de não conformidade de “Wake Up” (muitas mudanças de ritmo, peso em profusão, fora riffs agudos e de primeira), os toques de refinamento de “Circling the Drain”, além da versão bruta de “Slaughtered”, do PANTERA (que está no “Far Beyond Driven”), que ficou mais seca que a original, mais cortante, mas ainda assim sinuosa e cheia de groove, onde o mais legal é ver o uso de vocais agressivos urrados contrastando com o rasgado de David (sem mencionar que baixo e bateria estão fenomenais). 

Não, eu ainda não acabei. Ainda falta uma faixa que merece ser destacada: o hino “F.P.C.”, que abre o disco e é parte bem funkeada à lá MORDRED e parte um Thrash Metal agressivo e rasgado de causar moshpits insanos (com lindos duetos de guitarra e vocais insanos). E é nela que vemos que o HAVOK é um autêntico puro sangue Thrasher, pois a sigla "F.P.C." significa “Fuck Political Correctness”, ou seja, “Foda-se o Politicamente Correto”, uma declaração de guerra esta maldição que está causando problemas no Metal e no mundo, como a aparição de SJWs, antifas e censura à liberdade de expressão. E o HAVOK chega em boa hora, mostrando que o gênero se opõe a abusos e alienação de qualquer lado político, sem dó de quem quer que seja.

No mais, “Conformicide” vem para estabelecer o HAVOK como um dos nomes mais fortes do estilo, e já chega colocando-se como um dos melhores discos de Thrash Metal do ano.


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